Wednesday, October 24, 2007

Recorde Brasileiro e Sul Americano batido pela 2ª vez

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O Recorde Mundial (descolagem a pé), recorde Brasileiro e Sul Americano volta a ser batido pela 2ª vez em menos de uma semana em Quixadá. O piloto Brasileiro Marcelo Prieto (Ceceu) fez no dia 22 de Outubro de 2007 um voo de 414,7 Kms. Ficando a apenas 9 kms de bater o recorde do Mundo de distância livre.

Desta forma o recorde continua na posse do piloto Canadiano Will Gadd com a marca de 423.4 kms, num voo realizado à 5 anos atrás no dia 21/06/2002.

O piloto informou que este foi um voo muito difícil, onde por diversas vezes esteve muito baixo e também sobrevoou áreas sem opções de aterragem. Em breve teremos mais detalhes deste grande voo.

Veja alguns dados dos voos:
Piloto: Marcelo Prieto(Cecéu)
Descolagem: Quixadá- BR
Aterragem: Teresina- BR
Distância livre: 414,7 KM
Duração: 10:22:24
Ascendente: 9.8 m/seg
Descendente: -6.0 m/seg
Altitude máxima: 3333 m
Altitude mínima: 149 m
Altitude da descolagem: 514 m
Ganho de altitude: 2189 m
Velocidade máxima: 90.1 km
Velocidade média:49.5 km
O vôo já pode ser visto no site XC Ciclone:

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Monday, October 22, 2007

Relato de Rafael Saladini (voo de 397 kms).

O dia começou logo as 5:30h com o despertador incomodando. Pensei durante alguns segundos em desligá-lo e esquecer o fato de que deveria levantar para ir voar. A preguiça me segurou até abrir a cortina do quarto e ver aquele céu azul já com leves formações matinais.
Olympio e eu corremos para a mesa do café da manhã e fomos logo apressados por Dioclécio (nosso resgate), que após anos trabalhando no XCeara, sabia que aquele dia poderia ser especial. Saímos do hotel por volta de 6:40h.
No trajeto a rampa, em meio as tradicionais bocejadas pela falta de ritmo de acordar cedo, já começamos a ver as primeiras formações consistentes do dia, o que fez automaticamente a adrenalina começar a correr forte na veia.
Chegamos na rampa as 7:10h e já começamos a correria para decolar o mais cedo possível. Lembro de gritar para o Dió que faria apenas um vôo treino até o município de Nova Russas, pois não estava organizado suficiente para encarar um vôo tão longo. Antes de decolar fiz um check list na minha cabeça e descobri pontos importantes que mereciam atenção. Eu tinha apenas R$6,00 no bolso, meu rádio não estava com bateria 100% carregada e não estava usando sonda para urinar em vôo, mas pensei que era apenas o primeiro dia e não me martirizei pela falta de organização.
Com uma brisinha de 15 km/h, o que me impressionou muito pelo fato de Quixadá ser conhecida por fortes ventos, decolamos sem problemas e logo colocamos 1.000 metros de altura. O jogo de xadrez estava apenas começando.
Durante a manhã a condição é muito falhada, sendo necessária muita paciência e um pouco de sorte para sobreviver às primeiras horas. Nos minutos iniciais do vôo pensei que não conseguiria sobreviver pela falta de ritmo de voar pela manhã. E outra: Os únicos dias que decolei tão cedo eu estava na companhia do Marcelo Prieto, que é um dos pilotos mais especialistas em voar nesse horário. Pensei que talvez tivesse levando o Olympio para um "prego" matinal.
Nossa primeira jogada no tabuleiro foi certíssima, acertamos em cheio a segunda térmica logo atrás da rampa e subimos ao teto de 1.000 metros novamente. Ufa... Nuvens à frente e um alívio ingênuo tomou conta de mim. Com minha confiança prematuramente retomada, aconteceu logo em nosso segundo movimento o que eu temia, ficamos muito baixo e o Olympio acabou pousando no pé da Serra do Padre (km 15) e eu como estava cinqüenta metros mais alto consegui sobreviver escorando num dos monólitos da serra. Ali fiquei por quase 10 minutos sem subir.
Bolhas desorganizadas e bem turbulentas pipocavam do monólito e não me deixavam subir como eu gostaria. Um medo de me machucar logo ali no começo liftando aquela pedra me fez tomar uma decisão desesperada. Em jogo de poker chamam de all-in. Fiz uma tirada desesperada de 90° para a direita, jogando em direção a um grupo de urubus que mal subia.
Os segundos seguintes foram de sobrevivência, pois não havia muita esperança de continuar o vôo, estava apenas a cem metros de altura. Pensei em pousar com o Olympio e decolar novamente, mas decidi acreditar em minha última tacada.
Antes de chegar ao grupo de urubus, comecei a bater em pequenas bolhas que subiam a 0,5m/s e resolvi que não era momento para desperdiçar algo que subisse. Enrosquei com a maior concentração que poderia ter em cima daquele mar de juremas com poucas opções confortáveis de pouso. Derivei junto com as bolhas confiando em que a qualquer momento um ciclo térmico poderia desprender. Meu instinto não falhou e logo enxerguei um grupo de urubus subindo forte logo atrás de mim.
Esse pequeno planeio definiria meu destino daquele dia. Meu Rei estava quase em xeque-mate e tinha poucas chances de reverter o jogo. Afundei de novo para uma altura crítica que poderia me levar para o chão facilmente, mas com muita sorte ainda havia bolhas de 2m/s embaixo dos urubus que logo me levaram para a base da nuvem novamente. Ufa... Meu Rei estava salvo novamente e consegui remontar minhas defesas.
Quando olhei em direção a rota de vôo, não acreditava como a condição estava boa até Monsenhor Tabosa (km120). Como era cedo, aquele céu lindo não representava muita segurança, afinal o teto ainda estava a 1200 metros do chão. Mesmo perdendo muito tempo no inicio, consegui recuperar o tempo perdido com decisões muito acertadas.
08h45minh da manhã e eu estava a 300 metros do chão. Altura que determina o destino do vôo pela manhã. Poucas opções me restavam para sobreviver. Mais uma vez coloquei meu instinto para funcionar e ao invés de me prender as bolhas fracas falhadas que batia nesse planeio, joguei para um juremal que já havia me salvado no ano anterior. Meu instinto mais uma vez me ajudou muito e me arrastei de bolha em bolha até engatar de novo na condição.
Nesse momento fiquei imaginando uma coisa que faz o maior sentido. Voar tão cedo com o teto a 1.000 metros do chão é como começar um jogo de xadrez somente com o Rei. É uma briga contra o relógio na qual quanto mais o tempo passa, mais peças amigas vão entrando no tabuleiro para me ajudar. Nesse momento o teto havia subido duzentos metros e pelo menos alguns peões já estavam me ajudando.
A parte do vôo seguinte foi bem fácil. Condição muito bem formada e bati meu recorde de velocidade até Monsenhor Tabosa com uma média de 45 km/h. Cheguei à serra de Tabosa por volta das 09h45min, média ideal para bater 430 km.
A cidade chama-se Monsenhor Tabosa, mas eu prefiro chamar de inferno. O vento acelera nas saias da serra e pode se tornar mortal para os desavisados que confiam na parede de serra como gatilho de térmicas. Ano passado eu já havia passado momentos de terror por ali voando de ré e então preferi não arriscar tanto. Cinco quilômetros antes da parede eu resolvi ganhar o máximo de altura possível para pular direto para o platô da serra, onde as condições de segurança aumentam muito.
Pulando para o platô de Tabosa eu prematuramente relaxei, pois para mim aquele sempre era o momento mais perigoso do vôo. Engano meu. Cruzei o platô bem rápido e logo já estava na base da nuvem fazendo meu último planeio em cima da região acidentada a direita de Tabosa. A essa hora da manhã o teto estava a 1600 metros do chão, mas como estava voando no platô da serra, meu Rei voltava a estar sozinho.
No drop da serra de Tabosa (descida da serra) foi meu momento mais perigoso do vôo. Voltei a ficar baixo em meio à região acidentada do platô e lembrei que pular para a planície que segue após a serra sem ganhar altura é quase um suicídio. Não me restavam muitas opções.
Nesses momentos tensos e perigosos costumo pensar na palavra humildade. Humildade não no sentido de comportamento com os outros, mas sim de comportamento durante o vôo. Não adianta sermos humildes com os outros se não somos humildes com nós mesmos, assumindo riscos além do nosso limite. Tento pensar nisso em cada decolagem e em cada situação de perigo que enfrento em vôo. Não adianta ter consciência do perigo sem ter a disciplina para não se expor em excesso a ele.
Olhei para minha esquerda e vi um dust devil a duzentos metros de mim com seu topo exatamente na minha altura. Havia tentado contatar o resgate segundos antes e descobri que a bateria do meu rádio tinha acabado. A minha situação não era das mais seguras. Pensei - "Tenha humildade". Resolvi enrolar por alguns segundos na descendente e esperar o dust devil se desfazer para encarar o bicho. Decisão acertadíssima. Joguei no local praticamente fazendo um top landing no platô, deveria estar a cinqüenta metros de altura sobre o chão, mas com a planície como fuga atrás de mim. Tomei alguns colapsos muito bem esperados e consegui sobreviver a pancadaria que se seguiu. Um ciclo rapidamente começou a me empurrar de volta para a base da nuvem me entregando de volta meus peões perdidos e aumentando minhas peças no tabuleiro. Teto 1800 metros do chão as 10h30min. Ufa...
Sempre soube por experiência própria que o trecho seguinte costumava ser o mais rápido do vôo. Trecho serra de Tabosa - Poranga. Mais uma vez estava errado. O Céu neste trecho ficou sem nuvens, a condição bem fraca com térmicas que raramente passavam de 3m/s.
Não informava minha posição para o Dió desde 10h, um erro grave em vôos longos, principalmente no sertão. Lembrei que tinha uma outra bateria dentro da mochila do glider nas costas da selete. "Humm!!!" - pensei. Já havia soltado as mãos dos freios e mexido na mochila da selete em ocasiões anteriores quando ainda voava de vela serial e em condições lisas. Agora eu estava no meio do sertão, com vela de competição e sem contatar meu resgate há uma hora.
Os momentos que se seguiram foram tensos. Soltava a mão para abrir o zíper e logo tinha que voltar para dar comando nas avançadas da vela. O procedimento para tirar alguma coisa da mochila é perigosíssimo, pois temos que tirar as alças dos ombros e torcer o corpo para trás tomando cuidado para nada cair lá de cima. Após dez minutos de pura tensão finalmente a bateria estava em minhas mãos. Comemorei quando coloquei de volta os ombros da selete e consegui finalmente ligar meu rádio e falar com o Dió que estava a poucos quilômetros de Novas Russas, o objetivo principal do dia.
Olhei para o relógio e fui alertado pelo Dió que minha média estava incrível e que mesmo com a condição não tão redonda no trecho que costuma ser o mais rápido de toda a rota, após Poranga poderia melhorar. Resolvi seguir o vôo.
Bati meu recorde de velocidade até Poranga, chegando lá por volta de 13h. Pensei como aquilo era incrível, estar no km 200 as 13h. Ainda restavam cinco horas de vôo.
Pulei o platô de Poranga alto e decidido a fazer pelo menos 300 km no dia. Como a condição até Pedro II (km 270) não estava das melhores, com nuvens esparsas e grandes buracos azuis, resolvi baixar a velocidade para garantir mais um 300 km no currículo.
Após meu Rei se virar quase sozinho durante as cinco primeiras horas de jogo, a essa hora do dia o teto já estava a 2500 metros do chão. O tabuleiro já contava com muitas outras peças amigas e minha confiança, após voar tão baixo no início, estava grande.
Cheguei alto a esquerda de Pedro II por volta de 15h30minh e fiz a seguinte pergunta ao Dió: "Será que vai ser hoje Dió??" A resposta foi motivadora...
O estímulo de Dioclécio foi determinante em minhas decisões seguintes, e minha ansiedade em quebrar o recorde começava a brotar. Quando me aproximei de Piri Piri (km 315) a ansiedade quase me colocou no chão. Fiz um planeio longo acreditando que chegaria numa queimada perto da cidade. Afundei tanto na tirada que não sobrou altura para alcançar a queimada. Em cinco minutos eu consegui perder todas as minhas peças do tabuleiro e me sobrou apenas o Rei novamente me dando sinal de alerta para não tomar o xeque-mate.
Nesse momento lembrei das difíceis horas da manhã e resolvi que o vôo não poderia acabar ali. Pulei um lago logo antes de Piri Piri e fui a 300 metros do chão. O chão estava perto, mas minha cabeça estava lá em Barras (km 370 e meu antigo recorde pessoal). Tive que fazer um trabalho de concentração forte para focar ali naquele difícil momento do vôo, manobra complicada após quase 9 horas de vôo.
Ao invés de me entregar ao cansaço, eu resolvi que deveria lutar até o fim pra subir. Finalmente após um stress psicológico de vinte minutos querendo subir sem conseguir, pulei de bolha em bolha e consegui engatar na queimada que era meu objetivo trinta minutos antes. Base da nuvem: 3000 metros. Minha rainha entra no tabuleiro.
Sem querer perder muito tempo e sabendo que minha briga era contra o relógio, comecei a resgatar da memória meus momentos finais do vôo de 370 km do XCnordeste 2006. Lembrei que havia ganhado minha última térmica em Piri Piri e que havia realizado meu último planeio até perto do município de Barras.
Nesse momento pensei que ali era a minha única chance de finalmente dar o meu xeque-mate. Após sofrer o dia inteiro só perdendo peças e deixando meu Rei solitário, chegara a hora de entregar algumas peças para assim conseguir iludir o adversário (relógio) e ganhar o jogo.
Tomei a difícil decisão de abandonar a térmica da queimada em cima de Piri Piri sem chegar na base, tirando com 2600 metros de altura. A minha frente algumas nuvens um pouco estratificadas representando que o fim da atividade térmica estava próximo. Era arriscar para ver, pois não adiantava eu ficar em Piri Piri subindo até a base e perder esses preciosos minutos finais do vôo. All-in de novo. Agora ou nunca.
Meu instinto não me decepcionou no final do vôo. Encontrei mais uma térmica de 2m/s no meio do caminho até Barras e logo vi que o recorde brasileiro, sulamericano e mundial de montanha estavam bem perto. Minha rainha entrou no jogo agressiva e logo estava bem próxima de dar o xeque-mate no meu maior adversário: o relógio.
Subi, subi e subi para garantir... A euforia tentou tomar conta e fiz de tudo para me conter. Meu último contato com o Dió havia sido feito em Pedro II e quando percebi que deveria informar minha posição para ele, descobri mais um pequeno probleminha: meu rádio estava de novo sem bateria. Para não morrer de arrependimento, resolvi que voltaria de qualquer jeito, de carona, andando ou até no lombo de um jegue.
Como ainda eram 17:00h, meus cálculos de planeio final não foram corretos. Havia ainda atividade térmica e portanto havia descendentes pelo caminho. Totalmente diferente de 17:30h, quando acaba a atividade e a restituição permite planeios monstruosos. Meu cálculo foi baseado no meu último vôo até Barras onde percorri quase 40 km no meu último planeio. Cheguei em Barras a 1500 metros do chão.
Esse momento foi talvez meu único grande erro de todo o vôo. A direita de Barras eu consegui encontrar uma térmica de 1,5m/s. Comecei a subir já contaminado pela euforia. Cansado, desidratado, com fome, sem dinheiro no bolso, louco para urinar e sem contato com o resgate, tomei uma decisão estúpida de pegar a filmadora para gravar meus momentos finais do vôo.
Filmei durante cinco minutos subindo na última térmica do dia até perdê-la por falta de concentração. Desliguei a câmera e sem pensar tomei a decisão de não voltar para rastrear a maldita térmica novamente. Mais 100 metros subindo eu varava os 400km. Se colocasse na base ali, talvez chegasse nos 410km. "Ahhh se eu pudesse voltar no tempo..."
Num ato de desespero para contatar o Dió, troquei a bateria do rádio pela a antiga que havia acabado lá em Tabosa. Para a minha sorte ela funcionou e as palavras do Dió foram inesquecíveis: "Você está no visual meu velho, parabéns pelo recorde, você merece..."
Pousei numa estrada de terra a caminho de Miguel Alves, em meio a meia dúzia de casas, numa vila chamada Anjica. Encontrei por lá a Dona Elza que me recebeu com um sorriso de orelha a orelha bem parecido com o meu. Se o santo Dioclécio não estivesse me seguindo no visual, talvez eu tivesse que dormir ali, o que acredito que não seria um grande problema pela receptividade de todos.
Total de 10 horas e 11 minutos de vôo, com 397,7 km percorridos, média baixíssima de menos de 40km/h, mas com todas a adversidades uma vitória sem sombra de dúvidas. A gente sempre busca a perfeição. Não fui perfeito e não sou perfeito, mas nesse dia eu cheguei bem perto, uma pena esse erro no final.
Obrigado meu Deus por tomar conta de mim durante todo o vôo e me proporcionar essa oportunidade de dividir essa experiência com meus amigos e interessados no assunto.
Obrigado Marcelo Prieto e André Fleury por me ensinarem tudo sobre como voar no Sertão e por me acolherem como filho durante o expedição nordeste 2006 da SOL.
Obrigado Dioclécio pela parceria e pelo constante estímulo durante o vôo. Um personagem fundamental na empreitada.
Obrigado Ary pelo apoio e por acreditar em mim como membro qualificado para entrar no time da SOL.
E finalmente um obrigado especial ao meu primo querido, Rodrigo Monteiro, que me ensinou a voar e me estimulou sempre a praticar esse esporte maravilhoso.
Hoje é meu aniversário. Escrevi isso para mim. Como lembrança. Nunca escrevi nada sobre meus vôos. Esqueci de muitos momentos de perigo e de felicidade que já passei. Achei que esse valeria a pena guardar como lembrança.


Rafael Saladini.

Wednesday, October 17, 2007

Piloto Brasileiro bate recordes em Quixadá

O piloto Rafael Saladini percorreu quase 400 km, quebrando o recorde mundial de distância (descolagem a pé) em Parapente. Para alémmdeste recorde, quebrou ainda o recorde Brasileiro e Sul-americano de distância livre. O piloto percorreu 397,7 quilómetros em linha recta, descolando de Quixadá (CE) e pousando em Teresina (PI). O piloto utilizou um Parapente Tracer, da Sol Paragliders. A distância livre é o percurso realizado pelo piloto em um único voo e a quilometragem é medida em linha recta, do ponto da descolagem até o ponto de aterragemo. O recorde mundial absoluto é de 423,4 quilómetros, obtido no Texas, Estados Unidos. Porém a descolagem foi rebocada. A expectativa de diversos pilotos é alcançar, ainda este ano, a distância de 450 quilómetros.


Veja alguns dados do voo:
Piloto: Rafael Monteiro Saladini
Data: 15/10/2007
Descolagem: 8h25 em Quixadá/CE
Aterragem: 18h37 em Teresina/PI
Duração: 10h11min
Maior Ascendente: 6.6 m/sec
Maior Descendente: -4.2 m/sec
Altitude máxima: 3013 m
Altitude mínima: 128 m
Altitude da descolagem: 541 m
Ganho de altitude: 2472 m
Velocidade máxima: 97.2 km/h
Velocidade média: 47.7 km/h


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Tuesday, October 16, 2007

Patrocinador Oficial


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Segunda-Feira no escritório... (Texto retirado do Forum Brasileiro)

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Galera alada,

Gostaria de agradecer a todos os meus mestres de plantão, que nesses meus quase 5 anos de prática, me ensinaram e me apoiaram em todos as ocasiões.Os nomes são tantos que tenho certeza que vou acabar esquecendo de alguns importantes. Foram pessoas que me ensinaram tudo o que sei e que contribuiram para cada quilometro desse voo.

Pessoas que além de me ensinarem a voar, me ensinaram principalmente a respeitar o esporte e seus limites. Sâo eles: Rodrigo Monteiro, Marcelo Prieto, André Fleury, Frank Brown, Caio Zamboni, Bruno Neumann, Caio Porfírio, Eduardo Neves, Marcio Pinto, Cristiano Ricci, Luciano Tcacenco, Kamira Rodrigues, Mahmoud Shehata, Pablo Milholo, Bruno Menescal, Dioclecios Rozendo, Fábio Kogut, Lulu Lima e Silva, Flávio Dias, Glayson de Castro, Sivuca, Alexis, Marcelo Borzino, Kurt.... E outros que deveriam estar nessa lista....

A expedição Nordeste da SOL começou de pé direito. Primeiro vôo era só para organizar equipamento e se ambientar com as adversidades do local. A condição não estava clássica, durante a maior parte do vôo não peguei termicas mais fortes que 3m/s... Fiquei impressionado como tudo foi dando tão certo... Talvez por estar muito descontraído e sem grandes pretensões...

O proto 11 do Tracer está subindo incrivelmente bem... Uma caracteristica fundamental para bater esses recordes... A vela está muito segura e permite um planeio além do suficiente para voar 400kms...

Eu, como errei no final, fiquei na saudade... Faltaram 3 kms.... Mas isso é só um motivo a mais para me motivar a quebrar o recorde mundial nos proximos dias...

O Ceceu acabou de chegar... Nao importa quem atingirá a marca... O que importa é que o time estará focado nos 420kms.... Voando em dupla será mais facil.... Sozinho é dificil manter o ritmo... Minha média nos primeiros 200ks foi de 45km/h... No final geralmente a média aumenta... A minha só caiu.... Voei 10 horas e 11 min... Média de menos de 40km/h.... Esse lugar vai propiciar voos de 450km... Eu quero estar lá pra ver....

Obrigado a todos que me parabenizaram.... Esse vôo é pro Brasil... Afinal na nossa terrinha estamos cansados de portugueses.... hehehe

Parabens a SOL pela excelente vela e pela iniciativa de investir no esporte como nenhuma outra fábrica no mundo faz...

Abraço a todoos e bons voos

Rafael Saladini
PS:Rumo aos 430km amanha

Recorde Brasileiro e Sul Americano batido

Estamos a cerca de um mês do inicio do X-Ceara 2007 e alguns pilotos brasileiros já se encontram no Nordeste a tentar bater recordes em Quixadá. Ontem caiu o recorde Sul-americano e o Recorde Brasileiro de Parapente. O recorde pertencia ao Diogo Pires e foi batido há dois anos atrás e era também o recorde mundial de distância livre (com descolagem a pé). O piloto Brasileiro Rafael Saladini esteve muito perto de bater este recorde o ano passado com dois voos de 380 kms, ficando a apenas 8 kms do recorde anteriro.

Este ano finalmente conseguiu bater o recorde com um voo de 397 kms. A descolagem foi feita às 7.40h, com tecto aos 1200 m até meio dia, subindo para os 3000 m até ao fim do dia, num dia com condições não muito boas!

Será que vem aí mais recordes mundias a caminho? Alguns pilotos Brasieliros e estrangeiros (patrocinados pela Sol) vão continuar a tentar bater recordes durante um mês inteiro no XCNordeste e depois seguem para o X-Ceará 2007.

Monday, October 15, 2007

Pilotos Portugueses participantes no X-Ceará 2007

Questionário - Gil Navalho

Nome: Gil Navalho
Idade: 34
Local de residência: Angra do Heroísmo - Ilha Terceira, Açores
Voa desde: 1997
Profissão: Engenheiro Civil
Patrocínadores: Team Outsider

1 - O que faz de ti suficientemente louco para participar num evento como X-Ceará?
Um louco nunca se admite como tal! Para mim o X-Ceará é uma prova emblemática e um local de culto em termos de voo livre, na qual eu sempre desejei participar pelo menos uma vez. É este ano!

2 - Qual a preparação que fizestes para este evento?
Tenho feito muita preparação de fundo em termos cardio-vascular. Se as coisas correrem bem terei de voar muitas horas seguidas, e uma boa condição física é essêncial.
3 - Que dificuldades esperas encontrar nesta prova que é considerada por muitos pilotos como um dos desafios mais duros do mundo do Parapente?
Sem dúvida que o momento da descolagem, e de ter de voar as primeiras horas do dia com condições fracas.

4 - Esperas ganhar o X-Ceará? Quais os teus objectivos?
Ganhar seria a cereja no cimo do bolo! O meu objectivo é fazer uns bons voos de Cross country e tentar bater a barreira dos 300km.

Questionário - Gonçalo Velez

Nome: Gonçalo Velez
Idade: 49
Local de residência: Lisboa
Voa desde: 2002
Profissão: Empresário
Patrocínadores: Rotas do Vento

1 - O que faz de ti suficientemente louco para participar num evento como X-Ceará?
Cada voo constitui um enorme desafio. Nunca sabes onde irás parar e éesse o aliciante desta prova e do voo XC em geral.

2 - Qual a preparação que fizestes para este evento?
Nenhuma específica, tento voar com regularidade e manter-me em formafisicamente. Levo mais experiência e uma asa melhor do que em 2006, por isso tenho fé de que consiga fazer uns voaços!
3 - Que dificuldades esperas encontrar nesta prova que é considerada por muitos pilotos como um dos desafios mais duros do mundo do Parapente?
Não é verdade, deves estar a confundir com o X-Alps!No XCeará fazem as recolhas com um veículo de 4 rodas e regressassentado... No X-Alps vens a pé com o equipamento às costas!

4 - Esperas ganhar o X-Ceará? Quais os teus objectivos?
O meu objectivo em cada voo é superar-me, voar o mais longe possível,mais alto e mais tempo. Espero encontrar boas condições este anovisto que em 2006 foi muito difícil e os voos forma muito fracos.

Questionário - Carlos Brazuka

Nome: Carlos Brazuka
Idade: 54
Local de residência: Setúbal
Voa desde: Outubro de 1992
Profissão: Comerciante
Patrocínadores: Eu

1 - O que faz de ti suficientemente louco para participar num evento como X-Ceará?
Ser tezudo.

2 - Qual a preparação que fizestes para este evento?
Dormir nu.

3 - Que dificuldades esperas encontrar nesta prova que é considerada por muitos pilotos como um dos desafios mais duros do mundo do Parapente?
Conseguir vestir a roupa antes de descolar.

4 - Esperas ganhar o X-Ceará? Quais os teus objectivos?
Claro que vou ganhar. O objectivo é fazer 390 KM e voltar a tempo de tirar a roupa todos os dias.

Questionário - Paulo Reis

Nome: Paulo Reis
Idade: 35
Local de residência: Lisboa
Voa desde: 1996
Profissão: Funcionário Administrativo
Patrocínadores: Me myself and I

1 - O que faz de ti suficientemente louco para participar num evento como X-Ceará?
Este evento não é para loucos, pois é um desafio enorme a nível de voo de Cross-Country! Aprendi que para voar neste local tenho de estar ao meu melhor nível fisico e mental. Trata-se de um tipo de voo completamente diferente do voo XC que realizamos em Portugal.

2 - Qual a preparação que fizestes para este evento?
Preparei-me bastante bem fisicamente. Tenho voado muito pouco ultimamente e arranjei uma asa igual à minha (Airwave Magic 4) emprestada, mas do tamanho abaixo de forma a estar na gama de pêso idela para as condições do local. Tenho analisado muitos dos tracklogs dos voos realizados por pilotos nos anos anteriores e conto com a experiência de estar a participar pela segunda vez no evento.

3 - Que dificuldades esperas encontrar nesta prova que é considerada por muitos pilotos como um dos desafios mais duros do mundo do Parapente?
As dificuldades do evento não me assustam muito, mas temo voltar a cometer os mesmos erros do ano anterior do tipo: Descolar cedo de mais, aterrar cedo demais por cansaço e desidratação, não perceber bem as condições especificas de cada dia, abusar na tentativa de fazer transições, etc...

4 - Esperas ganhar o X-Ceará? Quais os teus objectivos?
Espero bater o meu recorde pessoal e voar o mais longe possível em segurança! Gostava ainda de encontrar condições melhores em 2007 do que as que eu e o Gonçalo encontrámos em 2006.

Wednesday, October 10, 2007

Recordes batidos ao longo dos anos no X-Ceará

Recorde de Distância Livre em Asa Delta - 432 Kms por Mario Alonzi (piloto Françês em 2000)

Recorde Sul Americano de Distância Livre em Parapente - 380 Kms Diogo Pires (piloto Português em 2005)

Recorde Mundial de Bi-lugar - 230 kms por André Fleury / Claudinha (pilotos Brasileiros em 2004)

Recorde Mundial de Distância Livre Feminina em Parapente - 302,9 km por Petra Krausova (piloto da Républica Checa em 2005)

Recorde Mundial de Distância declarada Feminina em Parapente - 247,7 km por Petra Krausova(piloto da Républica Checa em 2005)

Informações sobre o Local de Voo

Local: Morro do Urucum - Quixadá - CE

Altitude: 460 metros

Desnível: 300 metros

Quadrante: S, SW

Acesso: A 170 km de Fortaleza. Rampa a 12 km de Quixadá. Vias de acesso. BR 116 - em razoável/bom estado geral de conservação. Via em duplicação com 30 km concluídos. 40 km em via de mão-dupla em razoável estado. Rodovia do algodão - 100 km de estrada em excelente estado. Acesso a rampa: Parte com calçada paralelepipedo, 250 mts em estrada de terra e todo o restante asfaltado ou Rodovia estadual - CE 060 160 km em excelente estado de conservação.

Decolagem: Rampa de Madeira e decolagem natural em areia.

Aterragem: Fácil. Várias opções em frente a decolagem. Distância aproximada de 500 metros.

Melhor Época: Junho e Julho (menos vento); Novembro e dezembro (tecto mais alto).

Vantagens: Voo com possibilidades de cross country, restrito a pilotos experientes em condições fortes (decolagem delicada). Possibilidades de lift agradável no final da tarde.

Desvantagens: Dificuldade de recolha de pilotos em voos de cross counry devido a falta de boas estradas. Vento geralmente forte.

Inf. Gerais: Visual único no Brasil! Cidade com maior incidência de de aparição de OVNIs. Região pontilhada de monolitos de rara beleza. Pouca infraestrutura hoteleira. Hotel do santuário e Hotel Pedra dos Ventos (Almeida) - categoria superior: a/c, tv, frig, piscina, chuv., rest, rampa particular 85-257 4464 / 9989-0220 / 9985-0389 - cearatotal@aol.com.br são as melhores opções de hospedagem.

Onde fica Quixada?

A capital do X-Ceará 2007

Friday, June 22, 2007

XCeará 2007


O XCeará é um evento que já existe há 11 anos. Este ano será a 12ª edicão deste evento que tem encantando pessoas de todo o mundo, com a possibilidade de excelentes vôos, receptividade do povo local e uma das condição climáticas mais constantes para voos de "Cross Country" e tentaivas de recordes mundiais.Tudo começou à 11 anos atrás com a trip "Ceará sem Roubada" que incentivava à quebra dos recordes sul-americanos. Hoje em dia, o X-Ceará é considerado um dos principais, senão o principal, evento de "Cross Country" a nível mundial. De 10 a 17 de Novembro, Quixadá será uma vez mais a capital mundial do "Cross Country", recebendo pilotos de todo o mundo para este grande desafio no sertão Nordestino. O evento é acima de tudo, um grande encontro de pilotos, voando juntos com o mesmo objetivo: voar o mais longe e disfrutar ao máximo o voo, sem stress e sem pressão. A atmosfera amigável entre os pilotos é a marca registrada do evento. Resumindo: O X-CEARÁ É A GARANTIA DE BONS VOOS.

Wednesday, March 07, 2007

Ainda o XCeará - Relato de Olympio Faissol


Agora que a ressaca passou, tentarei analisar de forma objetiva o que ocorreu:
No primeiro dia, chego a Patu às 2h30 da madrugada e me acordam às 6h30 para voar. Como não dormi na viagem (diurna) e já acumulava uma noite mal dormida em Madri, estava exausto. Decolamos às 7h30 (a decolagem mais matinal que já realizei) e chegamos rapidamente à base. O céu está todo formado e parece ser um dia promissor. Cecéu e um piloto búlgaro fazem a primeira tirada, e eu saio um pouco mais atrás. A segunda térmica do dia o Cecéu tira do chão, de forma espetacular. Embora seja 8h00 da manhã, o começo do vôo é turbulento. Nunca havia tomado um front nesse horário... Até o quilômetro sessenta, seguimos juntos, sempre altos, mas obrigados a voar com o vento um pouco em través para evitar o "plateau" de Martins. Chegamos a um buraco azul e decido não seguir o Cecéu e o búlgaro de modo a ganhar mais altura. No flat antes da Serra de Iracema chego novamente à condição e à base. Vejo que os outros dois pilotos já estão sobre a serra, cerca de 5km à minha frente. Começo a sentir o cansaço da viagem mas, animado com a perspectiva de haver decolado cedo e de ter muitas horas de vôo pela frente, sigo o vôo, agora em ritmo mais lento para cruzar a serra com segurança. Este ano está tudo mais verde, e os eldorados abundam na serra e nas planícies. Por alguns instantes, posso disfrutar o momento. Estou na base da nuvem, sobre a Serra de Iracema, com uma semana de vôo no sertão à minha frente. Devoro minhas barrinhas e tomo bastante água para esquecer o cansaço. Mais adiante, ainda sobre a serra, começo a ver as primeiras "estrelinhas", sintoma de exaustão e desidratação. Já desconcetrado, chego não muito alto ao sotavento da serra e subo numa térmica mexida que seria a última do dia. As "estrelinhas" de cansaço seguem aparecendo. Cruzo a BR e o rio que corre paralelo a uns 700m do solo, porém afundando muito rápido. É o primeiro grande respiro do dia e caio às 11h30, com 125km voados. Minha melhor chance de voar 300km havia sido desperdiçada, mas nas condições em que estava não tinha como seguir concentrado. O resto do dia, noite e madrugada seriam passados no resgate do búlgaro, que pousa com pouco menos de 200km, e do Cecéu, que aterrisa no Piauí, com 340km voados em 10 horas.
Chegando a Quixadá com o Rafa, que já estava em Patu há quase um mês e teria uma grande semana pela frente, aproveito para descansar. A atitude que tenho é equivocada: talvez por ter voado 209 km no mesmo evento, em 2002, num Octane, tendo pouca experiência, creio que os 300 virão naturalmente. É só questão de decolar cedo... Mas no vôo, como na vida, o resultado final é a soma das experiências. Como ponho muita ênfase no resultado final, nos "300", começam os erros.
Observo que a condição está mais úmida em comparação com os outros anos em que aqui estive. Mas o nordeste sempre bomba, certo? Errado. E tem mais: os pilotos estão decolando bem mais cedo do que nos outros anos, o que siginfica que as primeiras horas do vôo são críticas. São dois dados fundamentais, que resolvo ignorar.
No primeiro dia de prova, o vento é de nordeste e o Chico resolve definir a prova sentido sudoeste (a rota padrão é sentido oeste/noroeste). Um grupo grande chega à base e saímos todos juntos. Não há porque correr, é o começo da competição, os primeiros momentos do primeiro vôo. Mas decido sair na frente do grupo (o Rodrigo já havia disparado sozinho sentido Quixeramobim - também cairia cedo) e chego baixo a um venturi entre duas serras onde há muito vento e pouca térmica. Pouso no sotavento, numa pequena clareira, no meio de um mar de juremas. Volto à rampa, mas não há mais porque decolar. O vento virou de leste, o que significa que os pilotos em vôo terão de navegar com vento de través. Este provavelmente será um dia para descarte. Os melhores vôos do dia são de pouco mais de 200km.
No segundo dia, decolo cedo com o primeiro grupo e, ao invés de partir para o vôo da base da nuvem, como se deve, fico mais baixo que os demais. O pequeno grupo de 3 a 4 pilotos começa a tirada e resolvo segui-lo, porém bem mais baixo (primeiro erro). Chego muito mal a uma pequena parede de granito ao sul da pedra da galinha choca. O Cecéu também está mal e se junta a mim. Ficamos num "zerinho" que lentamente nos tira da chão. Outro parapente se junta a nós. Mas a evolução é lenta e, como estou afobado para voar 300km, faço uma tirada suicida para a planície na esperança de catar algo mais forte mais adiante (segundo erro). Não são nem 9h00 da manhã, e meu destino é o chão. Pouco depois de pousar, vejo o Rafa passando na base de uma nuvem que começa a se formar. O Cecéu e o outro parapente, que ficaram no "zerinho", também passam altos. O melhor vôo do dia é de 342km. O Rafa voa 338km. Alguns pilotos, como o Rodrigo e o Ceará, voam bem mas caem em Monsenhor Tabosa (120km).
No terceiro dia, no café da manhã, sinto o peso da competição pela primeira vez. O XCeará pode ser uma experiência maravilhosa, mas também é uma competição onde a pressão psicológica é enorme, pois um ou dois erros podem significar a diferença entre um vôo de 3o e 300km. É comum pousar ainda de manhã, com poucos kms voados, ver vários parapentes passando na base da nuvem, voltar ao hotel e receber, no fim da tarde, as notícias sobre os grandes vôos que os outros realizaram.
Pois bem, ainda que o campeonato permita dois descartes, decido que agora só interessa voar 300 km - que se dane a competição. Decolando cedo, penso (erradamente), é questão de tempo ser premiado com um grande vôo. No terceiro dia, saio muito cedo e sozinho. Tudo vai muito bem até pouco antes de Algodões, onde vou da base ao chão numa única descendente. Pouso sem acreditar no que está acontecendo. Voltando a Quixadá, o dia piora rapidamente. Mais a oeste na rota de vôo, as condições são épicas. Os que passam são premiados. Vários pilotos voam mais de 300km. O Rafa voa 370, ficando a 10km da marca sul-americana.
O quarto dia tem previsão de chuva, algo raro nessa época do ano em Quixadá. A temporada parece que se adiantou e a condição de novembro se parece mais àquela característica de dezembro. Amanhece nublado e chegam a cair umas gotas de chuva. Ninguém decola até pouco antes das dez, quando saio com mais dois parapentes. Os dois caem e eu sigo flutuando num dia sem sol e um pouco carregado. Por ironia, faço o melhor vôo do dia, de 70km (em 1h30), mas nem sequer descarrego o GPS. O desânimo é avassalador.
O último dia amanhece nublado e com pinta de chuva. Na rampa, ninguém quer decolar primeiro. É minha última chance de voar 300km. Mais adiante na rota, o tempo começa a abrir e resolvo arriscar sair sozinho para tentar chegar na condição. Faço o mais difícil, vôo quase 30km na sombra, chego ao sol e aos cumulus pouco antes de Algodões. O problema é que estou sozinho. Avanço cuidadosamente até o km 50, onde pouso às 9h00, desgostoso com o vôo e a vida. A confiança na minha pilotagem nunca foi tão escassa.
Tento me convencer de que essas coisas acontecem: Mike Barber (recordista mundial de distância livre em asa) e Szilard Forgo (outro excelente piloto, com vasta experiência em XC e competição) também não fizeram nada na competição. O Rodrigo, com quem comecei a voar XC, deixou o evento no segundo dia. Mas a verdade é que reina um desânimo profundo. Tenho quatro meses de inverno e trabalho pela frente. Depois, será preciso recuperar a confiança com calma, humildade e paciência.


Relato de Olympio Faissol, retirado do Blog "Oly's blog"

Tuesday, November 28, 2006

Más Decolagens no X-Ceará 2006



Balanço pessoal sobre o X-Ceará 2006

por Paulo Reis

Seguindo o exemplo do Gonçalo Velez, decidi tirar as minhas conclusões e relatar as minhas experiências referentes à participação no X-Ceará 2006.
Participar no X-Ceará foi para mim uma experiência única para a qual não estava devidamente preparado! A minha decisão em participar foi tardia, pois a menos de duas semanas do início do evento surgiu a oportunidade de tirar 9 dias de férias e não hesitei em inscrever-me à última da hora. Fiquei demasiado apreensivo, pois não sabia exactamente no que me estaria a meter, mas a vontade de participar era muito intensa. O voo de croos-country é para mim tudo o que eu sempre sonhei e desejei fazer enqunto piloto de parapente e desde que existe este evento há 11 anos, que sonhava em participar! Existem sonhos que, quando pensamos demais nunca se realizam! Para mim não existiam objectivos ambiciosos à partida, pois humildemente sabia que iria encontrar condições de voo muito diferentes do que as que encontro habitualmente aqui em Portugal.
Este é um evento que tem características muito próprias, pois em muito poucos lugares do mundo se descola às 8.30h da manhã com vento forte e bastante térmica à mistura, sendo que a térmica mais forte do dia normalmente aparece logo na descolagem. As descolagens são sempre um momento de extrema concentração e confiança nos ajudantes da descolagem. A sensação que tive foi que a minha vida estava na mão daquelas pessoas que nos ajudavam em cada descolagem. Senão vejamos: As rajadas atingem picos de 50-60 kms hora e as oportunidades de descolar são muito reduzidas, por outro lado estamos de costas para o vento e mal a asa sobe somos catapultados para o ar. Se inflarmos a asa no momento da rajada forte, é bem provável que se venha a conhecer bastante bem o rotor do monte. A saída da encosta e a partida para o voo de distância deve ser feito sempre na base da núvem ou dentro dela e por vezes é necessário ficar à espera do ciclo ideal para subir longe da encosta e derivar para trás. Com descolagens tão cedo, acaba por ser um totoloto aguentarmo-nos a voar nas primeiras horas do dia. Muitos aterram a 20-30 kms por precipitação e os sobreviventes acabam por fazer mais de 300 kms. Confesso que fui um dos assíduos precipitados, pois não consegui perceber logo inicialmente as características deste tipo de voo e tomei sempre decisões precipitadas, que num local onde as descendentes podem ir até aos -7 se pagam rapidamente com aterragens imediatas. Os gatilhos das térmicas aqui são difíceis de identificar no solo, pois a componente de vento forte baralha tudo e as térmicas são nitidamente arrastadas junto ao solo por diversos kms. Tive a nítida sensação de que as térmicas se formam em escada e por vezes junto ao solo são quase sempre apenas bolhas desorganizadas e turbulentas. A técnica que me pareceu melhor e pude constatar nos últimos dias da prova para voar longe e com garantias era sempre ficar sobre a influência dos cúmulos que se formavam, por vezes até era preferível enrolar a -0.1 e -0,2 do que arriscar transições longas em descendentes brutais. Apenas consegui interiorizar isto nos últimos dois dias, pois nos primeiros havia demasiadas varáveis a aprender e dominar, bem como a confiança não era muito grande e tudo era novo! Cometi ainda diversos erros devido a estar leve na asa e neste tipo de condições estes erros pagam-se caro! Nos primeiros dias levei 10 kgs de lastro líquido e díficilmente me conseguia movimentar dentro da selete e a asa fechava demasiado. Nos dias seguintes levei mais 5 litros de lastro, distribuídos de uma forma mais equitativa e o comportamento da asa melhorou significativamente.
Quando comecei a adaptar-me ao calor, às descolagens e aterragens radicais, a voar sempre junto à nuvem, consegui fazer um voo interessante de 70 kms que me fez realmente ver as potencialidades do local. Neste voo constatei que o dia ia melhorando sempre gradualmente, e os cúmulos formavam-se no sentido inverso para onde seguia a rota. Por diversas vezes fazia trechos de regresso contra-vento para encontrar as térmicas e resultava na perfeição. Fiz estes 70 kms em 1.30h, sem uma única transição comprida, apenas enrolando constantemente debaixo da nuvem e deixando que o vento trabalhasse em meu favor! Tive um momento em que me desconcentrei e vi as montanhas a aproximarem-se rapidamente e pelo meu IQ Compeo o vento estava demasiado forte, o solo era formado por matas de picos e cactos agrestes, por vezes andava a mais de 95 kms/h. Assustei-me um pouco e decidi estupidamente terminar o voo por ali, pois não estava mentalmente preparado para entrar naquela zona de montanhas e possivelmente ter de aterrar num rotor de uma delas! Aparentemente consegui sobreviver e passar a zona que todos os pilotos consideram mais díficil e a partir daquelas montanhas tudo é possível…
Outro aspecto muito dramático no X-Ceará são as aterragens a andar para trás! No ceará o vento só diminui ao pôr do sol, altura em que é seguro aterrar, isto nos dias em que não entra a brisa do mar (chamado de vento Aracati)! Qualquer outra hora do dia, e especialmente na altura de maior insolação, as aterragens são altamente complicadas. Lembro-me de que apenas consegui aterrar a andar para a frente num dos voos que fiz por lá! Todos os outros foram a andar para trás e alguns com arrastamentos no meio de cactos e vegetação agreste. O maior erro e pelo qual paguei caro foi o de voar leve! Não aterrei dentro duma lagoa por sorte num dos dias, num outro aterrei parachutado e num outro dia tive demasiados fechamentos assustadores e sucessivos junto ao solo, aterrando a 3 kms do local onde fizera a aproximação inicialmente.
A companhia do Gonçalo foi excelente, a organização é impecável e as recolhas são demoradas, pois a rota segue por uma estrada de areia e não é fácil encontrar pilotos que não aterrem junto a essa estrada, o que acontece com regularidade. O ambiente do evento é pouco competitivo e para muitos o desafio é pessoal e gradual. Enganam-se todos aqueles que pensam que ir ao Ceará é garantia de grandes distâncias! O Ceará é uma escola de voo e humildade! Muitos dos pilotos que por lá andam a fazer distâncias superiores a 300 kms, voam regularmente por lá, têm participado em muitos dos anteriores eventos e conhecem muito bem o local. O vencedor do evento andava a voar na zona há mais de um mês com apoio da Sol paragliders. O segundo classificado participou em 10 dos eventos dos anos anteriores.
Se conseguir voltar ao X-Ceará para ano como é minha intenção, terei novos objectivos e a experiência que adquiri este ano de certeza contribuirão para bater o meu recorde pessoal de distância Livre.

Uma descolagem no X-Ceará 2006

Sunday, November 26, 2006

Saturday, November 25, 2006

Filme X-Ceará 2006 - 1ª Parte (Paulo Reis)

Filme X-Ceará 2006 - 2ª Parte (Paulo Reis)

Filme X-Ceará 2006 - 3ª Parte (Paulo Reis)

Filme X-Ceará 2006 - 4ª Parte (Paulo Reis)

XCeará 2006, Nov 13-17

por Gonçalo Velez

Estas são as minhas conclusões, reconhecimento das minhas limitações, memórias das minhas experiências, para relembrar no próximo ano a fim de evitar os mesmos erros.

Participar no XCeará é sempre uma experiência aliciante não só pelas condições de voo radicais mas também pela dinâmica da organização e o ambiente social, não só entre pilotos, mas também com o pessoal da organização, sobretudo os recolhas, e a população. Ah… e aprendi a dançar forró!

Este ano o regime foi igual ao do ano passado: acordar às 6h, pequeno almoço a partir das 6h30, primeiro transporte para a descolagem às 7h, primeiras descolagens tão cedo quanto as 8h45!Convém descolar entre as 9h30 e as 10h30, o máximo até às 11h. Depois das 11h é provável instalar-se um vento muito forte. Antes das 9h30 as condições são fracas.

Os pilotos mais competentes e que pretendem passar os 300 km descolam perto das 9h mas correm grandes riscos. Só poucos atravessam a zona crítica (80 km), e os que o fazem apanham depois muito melhores condições.

Este ano senti que a minha Tattoo (dhv 2), para as condições de vento que se fizeram sentir, muito fortes, carecia de velocidade, sobretudo no vento da tarde. Várias vezes, por cima da descolagem, tinha de avançar de acelerador para barlavento. A capacidade de manobra com esta falta de velocidade é bastante reduzida, o que permite explorar muito menores possibilidades de voo. Fica-se parado, e chegar a qualquer sítio é moroso e demasiado propenso a ser-se apanhado na descendente durante demasiado tempo.

Este ano voei menos e achei as condições menos boas. Muito mais nebulosidade tornaram as condições mais fracas, os tectos mais baixos, e as térmicas mais deitadas (mesmo vento e ascendente mais fraca).Pelos resultados impressionantes dos pilotos de topo dá ideia que no XCeará basta inflar a asa e esperar umas horas que já se ganharam mais de 200 km…! Não é assim, bem pelo contrário…
As descolagens são o momento mais delicado do voo devido ao forte vento (30-50 kmh) e aos ciclos curtos e incertos. É recomendável esperar que passe uma nuvem e cubra de sombra toda a zona à frente da descolagem. A nuvem faz abrandar a brisa de montanha oferecendo uma maior segurança para descolar.
A sul da descolagem a cumeada eleva-se num rochedo enorme (140 mtr) e a subida é quase sempre garantida por uma ascendente termodinâmica. No entanto, as térmicas que aí se libertam são sofríveis e é preferível avançar para barlavento na direcção de qualquer nuvem que esteja ao alcance. Em alternativa espera-se que uma chegue. O lago a NE da descolagem também liberta boa térmica e nota-se a sua superfície tornar-se enrugada.
Os primeiros 60-80 km têm de ser voados em regime de sobrevivência, aproveitando todas as menores ascendentes que se encontram, nunca as perdendo. Avança-se enrolando térmica e viajando na sua deriva. Ao saír-se dela para sotavento, a maioria dos pilotos regressava para barlavento para continuar na ascendente enquanto houvesse, por que o risco de voar-se na sua descendente é grande.Partir para o desconhecido implica a maioria das vezes encontrar-se uma descendente de –7 e voar-se nela até ao chão.
Aqui compreendi ainda melhor a necessidade de ser-se paciente, muito paciente, e de enfrentar-se a adversidade friamente. Tal significa que depois de um longo trabalho para subir conclui-se que se obteve uma altura insuficiente e regressa-se à posição inicial, acima da descolagem, perdendo-se, nesse regresso, muita altitude. Isso é obrigatório fazer-se acima da descolagem para partir-se com boa altitude, mas a prudência obriga que se faça também ao longo do voo, sobretudo quando se voa na planície e não há referências de gatilhos.Mesmo os que se encontram (montes, lagos, aldeias) não libertam a térmica da forma a que estamos habituados em Portugal. A configuração da térmica não obedece à que conhecemos. Os fumos de queimadas que víamos viajavam deitados centenas de metros e depois subiam. Isso explica a enorme dificuldade de prever-se onde a térmica estará a subir.Muitas vezes voam-se bolhas: sobe-se, roda-se a perder, encontra-se outra bolha mais para o lado e na deriva… O trabalho é duro, implica mais paciência e perseverança. Esperar que se solte uma térmica consistente pode implicar pairar nos locais prováveis em que elas passem, locais onde se notou que outros pilotos subiram. Infelizmente não vi muitos urubus que me ajudassem.Percebi melhor o exercício psicológico que tem de fazer-se para se voar de forma consistente. Neste momento da minha evolução já adquiri um bom domínio da pilotagem de âmbito físico, mas dou-me conta que há um trabalho enorme a realizar de cariz intelectual e psicológico, que me impeça de ser impaciente e de facilitar, optando por soluções mais imediatas, e que me motive a realizar um trabalho que é enfadonho, moroso e aparentemente frustrante. É este aspecto que preciso de treinar.O erro típico, muito grosseiro, consiste em ver asas que subiram mais depressa e mais alto, e que partem, e pensar: “É pá, estou a ficar para trás. Bora partir e depois no caminho logo se vê a térmica que se encontra…”!Esta decisão é muito errada, resulta de impaciência, e produz resultados maus. Tenho feito isso demasiadas vezes!É interessante notar que, o que às vezes nos parece uma vantagem, não o é: muitos que partiram cedo, fizeram-no em condições deficientes, talvez apressadas ou forçadas, e parecendo que levam vantagem, estarão no chão quando por eles passam os “atrasados”!Tive um exemplo de enorme persistência no último dia de prova no qual vários pilotos descolaram perto das 9h. Metia dó observar o trabalho que tiveram de fazer pois, com condições tão fracas, subiam passando para trás do monte, depois tornavam a vir à frente confiando que o cúmulo seguinte tivesse boa ascendente, subiam, regressavam... Ocuparam-se desta tarefa mais de uma hora! Imagino o desgaste que isto lhes produziu.Impaciência tem sido o erro da maioria dos pilotos no Xceará por que as descendentes brutais não perdoam esta veleidade. Perguntei a opinião do dono do nosso hotel: o Almeida, deltista. Dizia-me para saír no sotavento da térmica e atravessar a descendente no máximo de velocidade.Eu acho que isso se aplicará melhor aos deltas. Parece-me que o parapente, com a sua reduzida velocidade, deve saír do cimo da térmica a 45º do eixo do vento, senão voamos a deriva da descendente e saíremos dela com muito custo, ou nunca saímos!Em todo o voo é necessário observar o céu, sobretudo quando se sobe na térmica, preparando antecipadamente o passo seguinte. É importante ter uma noção do rumo que as térmicas tomam, o eixo da direcção do vento, e o seu espaçamento. Como as térmicas viajam muito deitadas, a nossa distância para a ascendente da nuvem pode ser maior do que aquela a que estamos habituados em Portugal. Lembro-me de ter feito uma vez pontaria a um cúmulo e nunca ter conseguido chegar à sua ascendente! Em Portugal teria encontrado a sua térmica…A sotavento da descolagem, em cerca de 20 km, há uma região onde a maioria aterra por que tem rara ascendente. Notava-se pelo azul do céu que frequentemente aí se observava. Aí aterrava uma grande percentagem de pilotos. A aldeia de Custódio é local de encontro, e essa pista tem sempre vários pilotos debaixo de uma sombra esperando por recolha.Evitavam-se os montes a SW por intimidarem devido à aparente falta de aterragens, e os montes a NW implicavam atravessar o vale de Quixadá que é uma etapa longa. O “segredo” reside em partir-se bem alto junto com um cúmulo e observar se se forma outro a sotavento do lago de Quixadá.Neste XCeará tive algumas experiências novas:a) Enrolar até saír por cima da nuvem. No começo do dia os tectos estavam muito baixos e furar a nuvem era uma grande tentação. É intimidante andar a girar no branco durante tanto tempo (500-700m), vendo o orvalho acumular-se no neoprene da selette e as bandas a escorrer um fio de água contínuo, depois… faz-se luz , e aparece azul! É espectacular, e um alívio. Só o recomendo quando tivermos a certeza que estamos sós.b) Tive o azar de descolar uma vez quando se soltou uma térmica brutal. A asa a subir e a recuar, o acelerador a 50% não era suficiente. Empurro para os 100% (talvez demasiado bruscamente) e sofro um frontal brutal com as pontas da asa a tocarem-se. Na abertura ainda sou projectado mais para trás e começo a derivar como posso para norte, com acelerador a 50%, que é onde o monte diminui de altura e onde o rotor é menor. De repente, sofro um assimétrico intempestivo com rotação a 180º (voo com a asa carregada a 97%), vejo a asa a rodar praticamente na vertical. Deixei de pensar em regressar à descolagem e continuei a derivar mais para norte à procura de térmica nas bossas que lá havia ainda esperançado de recuperar o meu voo, mas nada: só rotor, agora mais brando.Fiz pontaria a uma depressão que me permitira voar mais longe. Confiei que se soltariam umas bolhas que me levassem lá, mas acabei apanhado numa descendente e perdi a finesse. Acabei a arborizar nos arbustos, por sorte sem nada sofrer, nem eu nem a asa (uau que bela serra encontrei dentro da minha selette!).Houve quem me dissesse que o que deveria ter feito seria enrolar aquela térmica e saír a voar para trás. Hei-de pensar nisso numa próxima, contudo a realidade é que temos a mente algo formatada da instrução de nível 3: nunca nos deixarmos arrastar para trás do monte.c) Aconteceu-me algo de muito estranho, que podia ter tido más consequências. As linhas dos manobradores da minha asa são muito finas e vão-se enrolando, e fazendo novelos. Já tinha notado que o manobrador esquerdo estava mais curto devido a estas torsões, mas não liguei, pilotava com uma mão mais alta que a outra...Uma tarde descolo e, em voo, reparo que o manobrador esquerdo está bloqueado e a asa travada desse lado a uns 50%! Fiz força, tentei separar as linhas presas, sem sucesso. Felizmente que as condições não estavam temíveis e só com o manobrador direito consegui pilotar até um campo à frente da descolagem e aterrei travando a banda D. Qual não foi o meu espanto quando não encontro a causa do bloqueio. As linhas estavam todas livres!!

Video X-Ceará 2006 - Parte 3



Friday, November 24, 2006

Clique sobe a imagem para consultar os resultados oficiais do evento.

Thursday, November 23, 2006

Relato do Jamil e o X-Ceará 2006

É galera, mais uma vez venho aqui falar de mais um recorde pessoal quebrado, mas antes de tudo queria comentar um pouco desse grande evento que é o XCeará. Esse campeonato antes para mim era algo inalcançável e pensava que somente os profissionais tinham direito de competir, como estava equivocado. Certa vez nosso grande amigo Paulo “Pai” disse: Se quisermos evoluir temos sim é que voar com os bons e isso é verdade, pois aprendi muito e dei um salto rumo ao aperfeiçoamento.
Nosso Ceará foi muito bem representado pelo nosso Piloto Flávio (Carcará) que ficou na 5ª posição, da minha parte fiz o melhor que pude e fiquei na 30ª posição, espero sinceramente que no próximo ano tenha mais pilotos cearenses inscritos e quem sabe não saia a vitória para um de nós. Quanto à organização do evento, demonstrou estar sincronizada e no meu ver a parte responsável pelo resgate foi a que se sobressaiu, mas como nada é perfeito vai minha critica construtiva: Acho que deveria ter uma única pessoa responsável pelo carregamento dos GPS, pois observei que eram alguns dos competidores que ficava responsável e muitas das vezes não era possível carregar em alguns momentos sendo assim necessário esperar que eles voltassem de seus vôos, mas no geral estão de parabéns.
É muito importante destacar a atuação do clube CNP para que os pilotos cearenses conseguissem participar da competição, tivemos apoio integral que se fez presente tanto na inscrição do campeonato como na hospedagem, brigaduuu!!!!!!!!!!!!
Vamos ao vôo que é realmente o que interessa, no começo não queria escrever nada sobre os vôos por estar chateado de não ter conseguido alcançar minha meta que era voar os três dígitos, ou seja, mais de 100 km, porém conversando com alguns amigos percebi que era tolice minha e que eu deveria era agradecer a Deus por tudo ter acontecido bem e de ter feitos ótimos vôos. Pensando bem eu quebrei meu recorde, pequeno? Sim, mas mesmo assim foi uma superação pessoal haja vista que o meu recorde de distância anterior era de 66 km e agora é de 82 km.
Segunda-feira foi o primeiro dia de competição valendo distância, decolei aproximadamente 13:00 e não perdendo muito tempo na frente da rampa engatei logo na primeira e tirei rumo ao cross, a rota era Quixeramobim, Boa Viagem, Tauá e Picos, após os três primeiros quilômetros percebi que o vento estava um tanto que de través e passei o rádio para a rampa para saber se eu podia ir na deriva do vento, para minha decepção fui informado que não era possível mudar tendo em vista que já tinha muitos pilotos há minha frente e eles estavam conseguindo forçar, então o jeito foi desafiar e seguir em frente. Uns três quilômetros de Uruquê merrequei tudo e decidi fazer bordos para pousar, neste momento o sentimento era de raiva, pois vi um parapente muito alto e havia bastante nuvem e eu ali a beira de pousar, mas como sabia que Quixadá se pode esperar tudo não desisti e fiquei aproado na frente de uma pedra esperando alguma coisa, alguns minutos depois bateu uma fraquinha que aos poucos foi se consolidando e me levou novamente a base da nuvem.
Chegando a Quixeramobim informei a rampa minha posição e altitude e continuei em frente rumo a Boa viagem, no meio do caminho o vento ficou mais de través dificultando ainda mais a rota. Tentei forçar, mas não deu o que acabou me deixando baixo em cima da cidade e não tive mais opção tendo que pousar muito cedo ali às 15:00. Então pensei estar bom demais primeiro dia com vento de través ainda consegui 82 km, nos próximos dias com a rota certa vou fechar os 100 tranquilamente.
Segundo dia eu estava mais animado decolei mais cedo e acabei me precipitando e fiquei pelo quilômetro 56, mas tudo bem ainda tinha mais três dias e nada de perder as esperanças, até porque as noticias era de que vários pilotos haviam “pregados” em custódia, algodões e etc... Terceiro dia e novamente apenas 53 km e eu já pê da vida, chegou o quarto dia e foi pior ainda fiquei antes de algodões que é aproximadamente uns 25 km e para completar no último dia um prego que quase arborizo. Acho que me empolguei de mais e fui precipitado nas tiradas, mas estou feliz da vida foi um aprendizado e tanto.
Pilotos vamos treinar para que próximo ano possamos fazer mais bonito ainda, pois temos uma galera muito boa voando e uma das melhores condições do Brasil se não do mundo. Então é isso bons e seguros vôos a todos.

Jamil Sales

Wednesday, November 22, 2006

Canoa Quebrada

Hoje é o meu penultimo dia no Brasil e decidi vir até um local chamado Canoa Quebrada. Esta vila tem este nome pois está localizada num local onde o mar tem muitos baixios e os barcos na época dos descobrimentos ficavam encalhados por aqui. Já fiz 1300 kms no carro que aluguei há 3 dias atrás e visitei grande parte desta costa do brasil. Hoje andei com um micro-carro a subir dunas de 50m de altura, algo que nunca pensei possível! Amanhã parto cedo para Fortaleza que fica a 170 kms para apnahr o voo de regresso a Portugal.

Vejam mais algumas fotos actualizadas aqui

Video X-Ceará 2006 - Parte 2



Video X-Ceará 2006 - Parte 1



XCeará 2006 - Uma visão do André Lira


Depois de ler o relato dos grandes vôos que nosso amigo Carcará fez neste XCeará, em termos de Vôo não tenho muito pra contar; fora o susto que tomei logo no primeiro dia da competição, depois de Custódio, onde tentava domar uma térmica bicuda e ao fazer um giro mais apertado, negativei a vela e entrei em efeito cascata! Quando consegui resolver o "probleminha" já tinha perdido uns 300 m e me encontrava em um rotor brabo, bem atrás de um morrote, ai pra meu desespero, começou tudo de novo, só que dessa vez a 100 m! Fui negativando até o chão, sem controle nenhuma da vela. Sorte - graças a Deus – fui pinçado por um galho de árvore mais alto e tudo não passou de um susto, UFA! De qualquer forma, passei a semana toda por lá e pude observar e aprender muitas coisas sobre o vôo de Cross.
O XCeará é sem dúvida uma grande oportunidade para evoluirmos como piloto e pessoa. Além de aprimorarmos nossas técnicas de pilotagem - navegação, aprendemos muito a lidar com nossos limites, trabalhando a mente o tempo todo, para não deixar que o medo tome conta. E ai quando percebemos, superamos aquilo que achávamos impossível para gente. Isso é o mais fantástico que acho no vôo de Cross, já que temos que decolar na condição Forte se quisermos, atingir nossos objetivos.
Esse ano, a condição estava muito boa – forte como sempre, possibilitando grandes vôos todos os dias. Uma das coisas interessantes que observamos, era o horário de decolagem da galera. Os caras não esperavam muito na rampa não, tinha sol e vento, tava todo mundo decolando. Houve dias em que 07:30 já tinha piloto no ar. O grande desafio de quem decola cedo é se segurar no ar até a condição se firmar. Víamos muita gente decolando e após a tirada cair, logo atrás da rampa. A maioria não passava de Custódio. Em compensação, os poucos que passavam, tiveram garantido vôos de 300 Km. Esse ano o recorde não caiu por pouco, pois teve piloto voando quase 370 km. De qualquer forma a galera que pregava atrás ou na frente da rampa, logo estava de volta para mais um vôo. É interessante, como os caras conseguem driblar o céu azul, a baixa altura e ir se segurando na condição fraca. Cedinho era bom pra decolar, pois o vento estava brando, como uma decolagem de final de tarde. Após as 09:00, o sol esquentava e ai o vento aumentava bastante; alguns dias a rajada passou dos 60 Km/h. Era muito tenso a decolagem e tínhamos uma janela curtinha pra decolar e escapar de voar pra trás. Vimos alguns pilotos voarem pra trás, mas a maioria conseguiu se safar do famigerado rotor. Depois de decolar, era canhão pra cima! Termais de 7m/s te colocavam rapidinho na base e ai era tirar pro Cross. O problema eram as grandes descendentes, que exigia boa técnica de navegação pra não sair a 2.500 m e pregar logo ali depois da galinha. Já a tarde era mais fácil voar, pois a condição estava mais definida e as descendentes eram mais amenas, porém o vôo ficava limitado.
Em alguns dias tivemos grandes entre-ciclos em um horário que parecia bombar tudo, 12:00, condição linda, formações enormes, mas era uma ralação desgraçada e se bobeasse pregava na frente.
Quanto as máquinas que a galera voava, mas uma vez predominou os Boomerangs 4 e Sport (Inclusive, se não me engano, o Rafael, que ganhou o evento, voava um BSport que é uma vela serial DHV 2/3). Além dos Boomerangs, vimos a grande performance dos Ômegas 7, que pareceram velas muito estáveis na turbulência. Um detalhe que chamou a atenção foi o pouco número de velas Sol que estavam competindo, acho que além do Flávio de ARF e do Ceceú que voava um Tracer, tinha apenas mais um Dinamic AR que por sinal só vivia pousado lá na frente.
A estrutura do evento, mais uma vez foi muito bem organizada, os resgates funcionavam perfeitamente, quem pregava lá na frente em 30 minutos estava de volta a rampa pra decolar de novo, e quem não saia da rota tinha resgate garantido onde quer que fosse, a organização está de PARABENS.
Na minha opinião, o que deixou a desejar, foi a situação da nossa rampa, que estava péssima, com pedras pontiagudas no meio da decolagem, buracos e a mata alta lá na cerca. O resto foi só festa, céu colorido - muito legal o pelotão tirando junto – Churrasco, diversão todos os dias, novas amizades etc. Quixadá foi MUUUito bom esse ano! Já to pensando no próximo ano, se Deus Quiser.
Agradeço também a dedicação do CNP, Guy e Paulo, que se empenharam em conseguir as vagas para os pilotos do Ceará!

Valeu!
André

Quarta-Feira - 3ª Prova - XCeará 2006


O dia amanhece azul e logo começa a aparecer as estradinhas no céu, porém depois da decolagem se percebe que não seria tão fácil voar, principalmente no trecho entre Quixadá e Madalena. Os entre ciclos longos davam idéia de que tudo estava parado, mas com muita paciência e persistência fui conseguindo vencer cada quilometro de desafio até dar uma melhorada e eu entubei pra valer, mas com muito cuidado pois poderia aparecer mais alguém e vir a ter problemas. O vôo rendeu rápido e logo cheguei a Monsenhor Tabosa (120km). Com os mesmos problemas de grandes queimadas, tratei de passar por cima e logo depois só descendentes. Foi então que fiquei muito baixo e preocupado, pois teria que fazer mais de 200kms para garantir uma posição melhor no campeonato. Com muita sorte e habilidade consegui na ultima hora visualizar alguns urubus enroscando uns 400m a minha direita e tudo que deveria fazer era acreditar e tentar o mais rápido ir até eles. Não deu outra! Batata !! A termal devolveu tudo que a descendente tirou e com juros (rsrsr). Feliz da vida, com tanque cheio e com 2400m com vento de calda. Ainda era cedo e comecei a me aproximar da serra da Ibiapaba pela direita de Ararendá , mais precisamente pela cidade de Ipueiras. Antes de chegar na serra fui surpreendido por uma descendente enorme e só me restava achar a termal ou jogar muito baixo sobre uma enorme queimada a minha frente. Pensei 3 vezes em jogar sobre a danada (queimada), mas cada metro que perdia me aproximava ainda mais do perigo . Então decidi pelo fundamental que é sempre segurança . E pra minha surpresa , quando olhei o gps havia voado 202km. Cumpri minha meta e fiquei muito feliz .
Depois fiquei sabendo que a grande maioria não passara de Madalena. É isso galera!! Os outros dois dias usei como descartes, pois na quinta o tempo fechou e chovia no sentido da rota e na sexta, embora poucos tenham voado bem, fiquei a 9km de Madalena já que a condição estava péssima. Tanto que quase todos que decolaram, ficaram antes de Monsenhor Tabosa.
No mais, gostaria de agradecer a todos que trabalharam para que pudéssemos participar de mais esta edição do XCeará, em especial ao Guy (Nosso Presidente), ao Paulo Pai, ao Supiai do Valdez e também a todos que acompanharam e torceram para que obtivéssemos bons resultados e também fizéssemos grandes vôos.
Meu muito obrigado a todos e no ano que vem tem mais!!
Flávio Moreira – 5º Lugar no XCeará 2006

Outro grande relato do Flávio - 3a Feira 14/11/2006


O dia começa bonito e às 07:30 da manhã já tinha verminoso no ar. Cheguei na rampa às 09:30 e decolei umas 10:30. Subi rápido elogo passei o rádio dizendo estar sobre Madalena. O vôo seguia tranqüilo e eu sempre sozinho não via nem urubu. Chegando em Nova Russas tive que tomar muito cuidado com algumas queimadas muito grandes e ameaçadoras que convergiam e significavam muita turbulência e risco. Tratei de subir tudo e passei sobre elas com mais de 2000m. Tentei voar sempre alto pra não correr o risco de pousar cedo e ver a galera passar, já que a grande maioria não passava de Monsenhor Tabosa.Quando chegava em Ararendá lá pelas 16:20, e já uns 200km voados, vi um "bomera" a uns 5 km a minha frente e tratei de alcançá-lo. Ele ficou muitobaixo sobre a cidade de Ararendá e eu sempre alto não pude fazer nada anão ser, rumar para Poranga. Mas agora tudo se inverte, o gringo sobe tudo e eu fico muito baixo sobre Poranga, olho pra cima vejo o gringo quaseentubado , bate um desespero e pra minha grande sorte, me aparecem algunsanjos urubus subindo tudo a minha frente e a direita a uns 300m de altura. Que felicidade. Subi tudo e rápido para logo dividir com o gringo amesma nuvem. Daí já era tarde e subimos até 2700m sem entubar para atirada final. Saímos na mesma linha e altura. Aproveitei para fazer algumas observações entre meu arf e o "bomera". Numa tirada de uns 35kmpousamos num arado a beira da única estrada para Pedro II. Com uma diferençade apenas uns 30m de altura para o bomera. Concluí que meu paraca é show. Eu e o gringo fechamos 242km. Dois novos recordes pessoais. Este foi osegundo dia e a quarta-feira também prometia... Amanhã tem mais...

Flavio Moreira

Domingo - Bombando tudo no X-CEARÁ 2006


Domingo.
Primeira prova.
Um pouso a 50km da rampa, onde seria servido um almoço de confraternização aos pilotos.Cheguei com 2000mt em cima do goal e minha fome era de voar, mas pousei e comi tudo. Felicidade total de pança cheia até a tampa. Muitos pilotos já estavam lá e como eu não falavam nada.
Segunda feira.
Primeira prova de distancia livre.
A comissão escolhe uma prova que seria difícil de cumprir, pois o vento soprava quase nordeste e durante o vôo virou quase de sudeste. Eu decolei umas 10:30 e logo desapareci de cena. Vôo tranqüilo até ser surpreendido por uma fechada animal bem a direita de Quixeramobim. Tudo resolvido e denovo a vela vêm sobre minha cabeça numa violência que eu acho desnecessária. De novo assumo o comando e toco o vôo com tudo em ordem. Quando chego em Boa Viagem já sinto a força do vento virando, mas continuo tocando o vôo. Lá pelo km 100 fica muito difícil manter a rota e tenho problemas com a bateria do vário e logo em seguida a do gps, mas consegui trocá-las depois de umtrabalhão e de muitos metros perdidos.A rota seguia cada vez mais difícil e depois de uma descendente fdp, fiquei baixo numa região aonde jamais deveria pousar, pois teria que andar muito e rezar muito para que o resgate me encontrasse. Foi então que fiz a grande escolha: ou arriscaria um vôo baixo por região inóspita quase contra vento, ou subiria na primeira térmica boa e faria um vôo sempre alto, mas fora da rota e sem resgate. Como eu já conhecia a possível rota alternativa, joguei pra cima e lá estava eu no rumo do vento. Cheguei em Crateús lá pelas 15:30 e subindo tudo 2300m a esquerda da cidade. Logo depois passei por cima de onde já havia pousado em 2003. Procurei no gps a próxima cidade favorável e encontrei TUCUNS a uns 25 depois de Crateús. Cheguei lá com uns 2000 de altura as 16:20. Perguntei no rádio que cidade teria depois e o Cecéu me reportou dizendo que eu deveria pousar em Tucuns pois a partir dalí seria uma grande roubada, sem resgate nem estradas e eu correria risco de virar lenda .Como sou novo e o Cecéu macaco velho, decidi pelo decidido, mas com certeza daria pra fazer ainda uns 60km. Bem, fiquei muito feliz com 213 km. Pousado em Tucuns e aclamado por todos da cidadezinha , tratei de me virar pra voltar. Peguei um ônibus até Crateús, chegando lá o ônibus para Fortaleza parecia já me aguardar,pois desci de um e entrei no outro. Cheguei em fortaleza 23:10 e a festa era das muriçocas (na rodoviária tem uma criação e as bichinhas estavam todas soltas e com muita fome). Não dormi e o ônibus para Quixadá só sairia ás 05:00
GALERA ESTA FOI APENAS A PRIMEIRA PARTE. AMANHÂ TEM MAIS.OK?
UM ABRAÇO A TODOS ...
Flávio Moreira

Tuesday, November 21, 2006

Fortaleza

Ando a vaguear por Fortaleza de mometo. Ontém fui a uma das mais belas praias do mundo chamada Jeriquaquara que fica dentro de um parque natural. Fiz 750 kms a condzir mas valeu a pena conhecer este local paradisiaco, conforme podem constatar as fotos que envio em seguida. Hoje vou ficar a relaxar pela praia do futuro aqui em Fortaleza e amanhã parto para Canoa Quebrada onde me devo encontrar com o pessoal que organizou o -Ceará e está agora a organizar um evento de Kite surf nesse local. Infelizmete chego a Lisboa no dia 23.


Vejam mais algumas fotos actualizadas aqui

Sunday, November 19, 2006

Ultimo de dia do X-Cerá

Chegou ao fim este evento que ficará para sempre na minha memória como uma das coisas mais radicias que fiz em termos de voo. Para o ano pretendo regressar e rever todas estas fantásticas pessoas que conheci. Existe uma folha de classificações sobre o evento, mas poucos pilotos se importam com ela, pois o simples facto de conseguirmos voar neste tipo de condições já faz de nós vencedores, muitos bateram recordes pessoais, outros não e foi uma escola muito boa para muitos de nós. Estamos de partida dentro de meia hora para Fortaleza (250 kms) onde conto ficar juntamente com alguns pilotos brasileiros a relaxar uns dias pela costa de Fortaleza. Tenho muitas imagens sobre o evrnto e conto fazer um filme sobre o evnto logo que possível.

Thursday, November 16, 2006

Dia 6

Ao sexto dia tivemos um dia mediocre para voar. Amanheceu nublado, depois da chuva do dia anterior e descolou-se por volta das 10.00h. Praticamente todos os pilotos descolaram e aterraram a menos de 40 kms da descolagem. Apenas uma asa-delta se safou no grupo onde eu seguia e foram os que chegaram mais longe no dia de hoje. O deltista conseguiu fazer cerca de 200 kms. Outra notícia interessante é que o Recorde Sul Americano e voo mais longo do mundo com descolagem a pé, do Digo Pires (Português) ainda se mantém. Afinal o piloto brasileiro apenas conseguiu fazer 371 kms ficando a 10 kms do voo do Diogo. Amanhã é o ultimo dia de competição e no Sábado vamos voar livremente. Hoje vimos os resultados pela primeira vez desde que chegámos, e o Gonçalo está em 31º e eu em 34º da classificação geral de cerca de 60 pilotos inscritos e mais cerca de 10 não inscritos e a voar.

Para visualizar as fotos mais recentes clicar aqui.

Amanhã temos mais voos e as previsões parecem boas…

Wednesday, November 15, 2006

Mais um dia para esquecer em termos de voos para mim aqui no Ceará (Brasil), mas muito agradável para além disso. À falta de melhores voos, aterra-se e convive-se com a população local que é extremamente simples e amistosa. Hoje fiz dois voos com as condições a mudarem rapidamente, descolei por volta das 8.30h e fui direito para a aterragem para não ser ganâncioso. Na segunda descolagem, depois de rajadas de 70 kms hora durante uma hotra e vários pilotos a voarem para trás, houve uma acalmia e deu para descolar na rajada de 40 kms/h, mas no ar a turbulência era tanta que após diversos fechos a chegar à nuvém, acabei por aterrar a 9 kms da descolagem, pois começava a tapar tudo e chuva estava próxima. Os pilotos que sairam na mesma altura do primeiro voo, aterraram atràs da serra pois ainda era muito cedo. Como tem acontecido em dias anteriores, acaba sempre por haver 4 ou 5 pilotos que conseguem escapar a este totoloto e seguem viagem e até ao momento não há notícias mais concretas...

Afinal, ontém acabou por haver um piloto a voar 345 kms, outro com 250 kms, e 2 ou 3 com 100 kms.
Segundo notícias fresquinhas, o Rafael Monteiro (piloto Brasileiro) está a 360 kms e a voar com ainda 2 horas de voo pela frente. Hoje de manhã ao pequeno-almoço este piloto dizia que não ia voar por estar muito cansado, pois tinha feito 320 kms ontem e chegado às 3.3oh da manhã. O Recorde do Mundo está em risco de ser batido com um piloto que voa com uma asa de série. Seis pilotos fizeram mais de 300 kms também, mas já estão aterrados. Acaba de entrar uma frente fria por aqui que destruíu as barracas da descolagem de tal forma que a base das recolhas teve de ser mudada.
Logo que saiba mais notícias comunico...

Paulo Reis

Tuesday, November 14, 2006

Dia 4

Aqui no certão do Ceará cada dia é uma aventura diferente. Hoje descolei às 9.30 da manhã com as rajadas fortes do costume, com alguns acidentes e incidentes com alguns pilotos que descolaram mais tarde. Felizmente, tanto eu como o Gonçalo temos descolado e aterrado bem, embora as distâncias não tenham sido grandes. O voo do dia foi do piloto Sardinha que fez 320 kms e um piloto de Asa Delta fez 380 kms. Ando com alguma dificuldade por voar leve e as aterragens de marcha-a-tràs têm sido uma constante! Depois de aterrar, andar 3 kms até à localidade mais próxima e esperar a recolha, os carros iam passando cheios de pilotos que tinham ficado na mesma zona e queriam fazer um segundo voo. Essa era a minha intenção, mas infelizmente fui recolhido por uma viatura que tinha de ir buscar um piloto de asa delta que estava a 16 kms e regressariamos à descolagem em seguida. Com um GPS e coordenadas corectas fornecidas pelo piloto, levámos 9 horas para o encontrar no meio de um deserto agreste e caminhos com inúmeras portadas de arame farpado. Ainda houve tempo para reparar um furo na viatura pelo caminho. Acabámos no final por ainda recolher no caminho de regresso o Gonçalo que estava a fazer o seu 2º voo do dia! O povo do Ceará é dos mais acolhedores e simpático que tenho conhecido. É uma zona bastante pobre, com pessoas humildes, mas que nos dão tudo o que têm sem querer nada em troca!

Amnhã é outro dia para aprender como funcinam as coisas em termos de voos por aqui ...

Monday, November 13, 2006

Olá de novo,

Acabaram de instalar uma ligação Wireless aqui na Pousada Pedra dos Ventos. Segundo as notícias mais recentes, depois de um dia muito duro para muitos pilotos que aterraram a andar para trás. Histórias de aterragens e arrastamentos são bastantantes por aqui para quem conseguiu passar dos 100 kms. Aparentemente todos sofrearam bastante hoje, pois a rota alternativa escolhida não foi a acertada e foi contra-vento. Ainda assim dois brasileiros, o Ceceu e o Marcelo Mello fizeram 230 kms. A rota escolhida tinha cerca de 30 kms onde seria altamente dificil a recolha e os pilotos que aterraram por lá tiveram de sair de lá pelos próprios meios, mulas e motos foram as opções escolhidas. Amanhã há mais voos radicais aqui na terra do vento...

Algumas fotos aqui.

Noticias do X-Ceará

Directamente de Quixadá e com pouco tempo para escrever.

Os voos por aqui são realmente deslumbrantes, mas nada fáceis! A descolagem é tudo o que eu suspeitava e ainda mais! A confiança nos ajudantes da descolagem é quase religiosa quanfo se descola com ventos de rajada até 50 kms e se consegue sair numa quebra de 2 ou 3 segundos depois de 10 minutos à espera que baixe. Dos 3 voos que fiz até ao momento, os tectos tem estado baixos e o vento nunca dá tréguas e tem vindo de nordeste, o que não é nada normal por estas bandas. O pessoal local diz que mesmo assim ainda está a ser um X-Ceará muito soft. As condições devem melhorar ao longo da semana, mas já hoje no primeiro dia de competição deve ter havido pilotos a fazer algumas grandes distâncias. O ambiente é fantástico entre os pilotos de muitas ncionalidades, a organização é muito profissional e a paisagem deslumbrante. O Gonçalo está a voar muito bem e comprou uma x-rated e já anda a voar de canoa. Ainda não o vi hoje, depois da descolagem pelo que suspeito que ele deve ter fweito um voo grande. Infelizmente hoje não garanti o suficiente e aterrei logo a 40 kms. Uma constante dos voos tem sido aterragems paradas ou a andar para traz. As condições são realmente exigentes e tem havido alguns incidentes (sem consequências)com alguns pilotos que sairam no momento da rajada forte. Hoje uma piloto Francesa andou a fazer helicopetros forçados e felizmente a asa abriu a sotavento antes de ele aterar. Por agora é tudo e nos próximos dias será díficil altualizar o blog, pois a ligação à net no hotel é realmente má! Tenho algumas fotos e filmes, mas não posso descarregar agora...



Hasta la vista...


Paulo Reis

Monday, November 06, 2006

O X-Ceará é um evento que existe já há 10 anos.

O X-Ceará é um evento que existe já há 10 anos. Este ano será a 11ª edicão deste evento que tem encantando pessoas de todo o mundo, com a possibilidade de excelentes vôos, receptividade do povo local e uma das condição climáticas mais constantes para voos de "Cross Country" e tentaivas de recordes mundiais. Tudo começou à 10 anos atrás com a trip "Ceará sem Roubada" que incentivava à quebra dos recordes sul-americanos. Hoje em dia, o X-Ceará é considerado um dos principais, senão o principal, evento de "Cross Country" a nível mundial. De 10 a 19 de Novembro, Quixadá será uma vez mais a capital mundial do "Cross Country", recebendo pilotos de todo o mundo para este grande desafio no sertão Nordestino. O evento é acima de tudo, um grande encontro de pilotos, voando juntos com o mesmo objetivo: voar o mais longe e disfrutar ao máximo o voo, sem stress e sem pressão. A atmosfera amigável entre os pilotos é a marca registrada do evento. Resumindo: O X-CEARÁ É A GARANTIA DE BONS VOOS.