Friday, August 14, 2009
Tuesday, January 20, 2009
Sobre Quixadá, seus ventos e térmicas, suas nuvens e pousos.
Olá amigos, faz muito tempo que não escrevo, e infelizmente o motivo é a morte do piloto André. Meus pêsames sinceros à família e aos seus amigos. Talvez o André não soubesse direito sobre o lugar onde ele estava indo voar, as condições reais de vôo em Quixadá durante o ano, particularmente nos meses de Agosto até meio de Dezembro. Por isso resolvi vir à lista falar um pouco a respeito. Quem se interessar em saber mais sobre o meu sertão, aqui vão algumas peculiaridades de Quixadá.
Não estou mais voando, mas durante 11 anos (sim, onze anos), Quixadá foi o meu lugar de vôo. Aprendi a voar lá. Adorava voar em Quixadá. Fazia em média 3 vôos por semana. Até fui trabalhar lá para poder voar mais. Foram com certeza quase mil vôos em Quixadá, nas condições mais diversas - e adversas -possíveis. Depois vou pedir a um amigo para postar alguns textos meus, saídos na Air, onde narro algumas peripécias com mais detalhes. Procurarei não ser prolixa agora, se não conseguir, me perdoem.
Quixadá é uma rampa baixinha, com apenas 280 metros de desnível, com pouso gigantesco à frente, e muitos pousos para trás, com trechos de roubadas, claro. Nos meses de janeiro a julho, a condição é de ventos médios a fracos, sendo médio para nós um ventinho de 15-20 Km/h. Nos meses de fevereiro a meados de junho, chove aqui, então vir de longe voar aqui nessa época é meio loteria, pois vai fazer pregos na maioria das vezes. Um dia ou outro vai estar bom e vai dar cross, mas isso só morando aqui e estando lá todo fds. De janeiro a julho, todo e qualquer piloto pode voar lá.
A partir de agosto o vento começa a aumentar, e o sertão vai perdendo o verde que ganhou nos meses de chuva. As térmicas ainda não estão tão fortes, pega-se no máximo 6m/s. Agora, a partir de setembro, o bicho pega. As rajadas ultrapassam 50 Km/h, algumas vezes mais de 60. Qualquer um que já veio no X-Ceará sabe que é verdade.
Setembro,outubro e novembro são meses extremamente secos aqui e de ventos muuuito fortes. Várias vezes eu esperava o vento "baixar" para 25-30 Km/h para conseguir decolar. Aprendi a cronometrar as rajadas, olhando a água do açude em baixo. Depois que decolar tem sair de perto do relevo (pra não correr o risco de cair no rotor) e pegar a termal logo mais à frente, se segurar nela. E ter cuidado, pois a termal
quanto mais baixa, mais turbulenta é. A decolagem tem que ser precisa.
Bem, saindo em direção ao cross o vôo é maravilhoso, o lugar é deslumbrante, cheio de monólitos. Há muita terra seca, pedras gigantes, pequenos açudes, e um pouco de mato verde, árvores cheias de espinhos que não secam. Juntando tudo isso temos um caldeirão fervilhante de calor com gatilhos de térmicas. É o paraíso para subir
velozmente. São fáceis de pegar termais de 8-10-12 m/s. poucas coisas no mundo devem ser tão prazerosas para um voador do que estar no miolo de uma térmica dessas. A vela parece nem se mexer, o vário emite um grito continuo, o chão vai ficando cada vez mais distante. É algo fantástico.
O grande problema é o antes e o depois desse paraíso "termístico".
Vamos lembrar apenas que em Quixadá o vento deverá estar 30-40 Km/h e na cauda vc estará voando a 70-80 Km/h. O ar em torno da termal linda de 10 não vai estar lisinho não, longe disso. Então é preciso extrema atenção antes de entrar nela, e ao entrar dificilmente vc acha o miolo logo, sua vela pode balançar muito se vc não estiver atento, isso vai causar um colapso que nem sempre é pequeno. Se entrar, segure a onda e trate de achar logo o centro, senão vai ficar chacoalhando igual nega maluca. À medida que se sobe, a termal vai ficando mais lisa.
Normalmente aqui as termais são de formações de nuvens, não termais de azul, como acontece muito em Brasília.
O teto também não é alto. De manhã fica em torno de 1200-1600 e depois do meio dia sobre a 2200-2300. Passar disso é entubar. A decisão é do piloto. Dentro da nuvem não se vê nada, só a imensidão branca. As linhas do parapente desaparecem a poucos palmos acima da sua cabeça.
Se a vela for clarinha, nem ela vc vê. Então tem que ser uma escolha muuuito bem pensada.
Eu já entrei em dezenas de nuvens, a maioria pequenas, subia relativamente tranqüila, nuvenzinhas de não mais de 500 metros da base ao topo. Mas eu tinha mais de cinco anos de vôo quando comecei a fazer isso, e havia aprendido voando de duplo com o Fleury. O problema é entubar em Quixadá, em baixo de um lindo cúmulo se formando e não saber até onde aquela nuvem crescer. Isso aconteceu comigo. Fui a 3900 metros, sai no alto da nuvem, tremendo de frio, encharcada, e com as mãos doendo de tanto segurar a vela, rezando para não tomar uma fechada e girar ou cair dentro dela. Nessa dita nuvem, que eu entrei só pra dar uma refrescada, subir mais um pouquinho, encher o tanque, quando eu tentei sair não consegui. Fiz orelhas, e de orelhas subia a 6m/s, pra vcs terem uma idéia do monstro.
Eu estava olhando o lugar do acidente do André e por triste coincidência, foi lá em Madalena que pousei nesse dia. Depois que vi no site o vôo do André no site XC, imaginei que poderia ter acontecido algo assim com ele. Entrar na termal, depois na nuvem, tentar sair e não conseguir, e ter tomado uma grande fechada e entrado em giro. Na nuvem vc perde o horizonte, girando não sabe se está em cima, de lado,
ou em baixo. Não sabemos o que aconteceu ao certo. Tantas coisas podem
ter passado pela cabeça dele nos primeiros giros. Talvez não tenha lançado o reserva com receio de jogá-lo dentro da vela, por não saber se estava em cima ou em baixo, sei lá. O problema é que em giro brusco não se tem muito tempo para pensar, pois a possibilidade de desmaio é muito grande. Tem-se que agir rápido, a não ser que seja alguém com grande experiência em ser submetido a vários Gs.
Em 2002, quando lancei meu pára-quedas em Quixadá( depois de um vôo de 120 Km, peguei uma convergência de termais de queimadas), eu estava a cerca de 150 metros do solo. Minha vela fechou quase toda, o giro foi muito brusco, não conseguia nem mover o pescoço para olhar o lado oposto ao giro. Acho que se eu demorasse mais dois segundos para puxar a alça do reserva não estaria aqui hoje pra relembrar a história. Eu tinha que lançá-lo porque estava a baixa altura, mas principalmente porque eu estava girando velozmente sem nenhum controle da vela tuistada. Se eu estivesse a 3000 metros teria feito a mesma coisa, porque eu não saberia quanto tempo estaria em consciência para tentar controlar a coisa toda. A altura pode passar a falsa idéia de que há tempo para corrigir. Há situações em que não há, se vc não estiver acordado para fazê-lo.
Outra coisa complicada em Quixadá, nos meses fortes, é o pouso. Há muita terra para pousar, muito pouso. O problema é vc pousar cedo, antes das quatro da tarde, porque a atividade térmica ainda está forte. Pousar antes das três é então super complicado para quem não tem experiência em condições extremas de termais e ventos. Alguns excelentes pilotos do Brasil e do exterior já se machucaram aqui justamente no pouso.
Normalmente eu ficava esperando a rajada passar lá em baixo, pra poder me aproximar rapidinho e pousar. Muitas vezes eu fiz orelhas, embora saiba que muita gente condena essa prática. É que é difícil ver a poeira subir rodopiando, a mata balançado, e deixar sua vela ali toda aberta, sem uma alta pressão. Bem ou mal feito, nunca tomei uma fechada a baixa altura fazendo isso. Preferia pousar de ré mais ainda, ir pro mato seco, ficar enganchada em espinhos, do que levar uma fechada a 20-30 do solo. Fechava as orelhas a uns 80 metros do solo, bem de frente pro vento, toda certinha, pra nada dar errado e provocar uma fechada. Jamais me machuquei em Quixadá, apenas uns arranhõezinhos básicos.
Muitas vezes, em Quixadá, vc pousa de ré. É estranho, vc de frente pro vento e a terra passando em sentido contrário. Quem quiser voar bem aqui, aprenda antes a domar a sua vela tão logo toque o solo, "matá-la" de imediato, para não ser arrastado. Fui arrastada muitas vezes (boa parte dos arranhões vieram daí), até desenvolver minha técnica. Mas cada um tem a sua.
Prometi não ser prolixa, mas acabei sendo. Há muitas outras coisas que se precisa saber para voar em Quixadá nessa época. O básico é isso.
Experiência em condições fortes de vento e térmicas ( pelo menos algo que seja 2/3 do que é aqui), bom preparo físico e psicológico, reflexos aguçados, vela compatível com seu nível de piloto, todos os equipamentos de segurança necessários( incluindo um bom capacete e botas), uma boa dose de humildade, seja para não decolar, esperar uma condição mais propícia, para fazer um pouso seguro mesmo o vôo não sendo tão longo quanto desejaria, ou lançar um reserva tão logo seja preciso. Isso já salvou muita gente aqui.
Ah, só mais uma coisinha. Os vôos no final da tarde são excelentes, o lugar é lindo, e mesmo decolando às quatro da tarde dá pra fazer 70 km.
Um grande abraço a todos. Bons e seguros vôos.
Mailcar Fernandes
Não estou mais voando, mas durante 11 anos (sim, onze anos), Quixadá foi o meu lugar de vôo. Aprendi a voar lá. Adorava voar em Quixadá. Fazia em média 3 vôos por semana. Até fui trabalhar lá para poder voar mais. Foram com certeza quase mil vôos em Quixadá, nas condições mais diversas - e adversas -possíveis. Depois vou pedir a um amigo para postar alguns textos meus, saídos na Air, onde narro algumas peripécias com mais detalhes. Procurarei não ser prolixa agora, se não conseguir, me perdoem.
Quixadá é uma rampa baixinha, com apenas 280 metros de desnível, com pouso gigantesco à frente, e muitos pousos para trás, com trechos de roubadas, claro. Nos meses de janeiro a julho, a condição é de ventos médios a fracos, sendo médio para nós um ventinho de 15-20 Km/h. Nos meses de fevereiro a meados de junho, chove aqui, então vir de longe voar aqui nessa época é meio loteria, pois vai fazer pregos na maioria das vezes. Um dia ou outro vai estar bom e vai dar cross, mas isso só morando aqui e estando lá todo fds. De janeiro a julho, todo e qualquer piloto pode voar lá.
A partir de agosto o vento começa a aumentar, e o sertão vai perdendo o verde que ganhou nos meses de chuva. As térmicas ainda não estão tão fortes, pega-se no máximo 6m/s. Agora, a partir de setembro, o bicho pega. As rajadas ultrapassam 50 Km/h, algumas vezes mais de 60. Qualquer um que já veio no X-Ceará sabe que é verdade.
Setembro,outubro e novembro são meses extremamente secos aqui e de ventos muuuito fortes. Várias vezes eu esperava o vento "baixar" para 25-30 Km/h para conseguir decolar. Aprendi a cronometrar as rajadas, olhando a água do açude em baixo. Depois que decolar tem sair de perto do relevo (pra não correr o risco de cair no rotor) e pegar a termal logo mais à frente, se segurar nela. E ter cuidado, pois a termal
quanto mais baixa, mais turbulenta é. A decolagem tem que ser precisa.
Bem, saindo em direção ao cross o vôo é maravilhoso, o lugar é deslumbrante, cheio de monólitos. Há muita terra seca, pedras gigantes, pequenos açudes, e um pouco de mato verde, árvores cheias de espinhos que não secam. Juntando tudo isso temos um caldeirão fervilhante de calor com gatilhos de térmicas. É o paraíso para subir
velozmente. São fáceis de pegar termais de 8-10-12 m/s. poucas coisas no mundo devem ser tão prazerosas para um voador do que estar no miolo de uma térmica dessas. A vela parece nem se mexer, o vário emite um grito continuo, o chão vai ficando cada vez mais distante. É algo fantástico.
O grande problema é o antes e o depois desse paraíso "termístico".
Vamos lembrar apenas que em Quixadá o vento deverá estar 30-40 Km/h e na cauda vc estará voando a 70-80 Km/h. O ar em torno da termal linda de 10 não vai estar lisinho não, longe disso. Então é preciso extrema atenção antes de entrar nela, e ao entrar dificilmente vc acha o miolo logo, sua vela pode balançar muito se vc não estiver atento, isso vai causar um colapso que nem sempre é pequeno. Se entrar, segure a onda e trate de achar logo o centro, senão vai ficar chacoalhando igual nega maluca. À medida que se sobe, a termal vai ficando mais lisa.
Normalmente aqui as termais são de formações de nuvens, não termais de azul, como acontece muito em Brasília.
O teto também não é alto. De manhã fica em torno de 1200-1600 e depois do meio dia sobre a 2200-2300. Passar disso é entubar. A decisão é do piloto. Dentro da nuvem não se vê nada, só a imensidão branca. As linhas do parapente desaparecem a poucos palmos acima da sua cabeça.
Se a vela for clarinha, nem ela vc vê. Então tem que ser uma escolha muuuito bem pensada.
Eu já entrei em dezenas de nuvens, a maioria pequenas, subia relativamente tranqüila, nuvenzinhas de não mais de 500 metros da base ao topo. Mas eu tinha mais de cinco anos de vôo quando comecei a fazer isso, e havia aprendido voando de duplo com o Fleury. O problema é entubar em Quixadá, em baixo de um lindo cúmulo se formando e não saber até onde aquela nuvem crescer. Isso aconteceu comigo. Fui a 3900 metros, sai no alto da nuvem, tremendo de frio, encharcada, e com as mãos doendo de tanto segurar a vela, rezando para não tomar uma fechada e girar ou cair dentro dela. Nessa dita nuvem, que eu entrei só pra dar uma refrescada, subir mais um pouquinho, encher o tanque, quando eu tentei sair não consegui. Fiz orelhas, e de orelhas subia a 6m/s, pra vcs terem uma idéia do monstro.
Eu estava olhando o lugar do acidente do André e por triste coincidência, foi lá em Madalena que pousei nesse dia. Depois que vi no site o vôo do André no site XC, imaginei que poderia ter acontecido algo assim com ele. Entrar na termal, depois na nuvem, tentar sair e não conseguir, e ter tomado uma grande fechada e entrado em giro. Na nuvem vc perde o horizonte, girando não sabe se está em cima, de lado,
ou em baixo. Não sabemos o que aconteceu ao certo. Tantas coisas podem
ter passado pela cabeça dele nos primeiros giros. Talvez não tenha lançado o reserva com receio de jogá-lo dentro da vela, por não saber se estava em cima ou em baixo, sei lá. O problema é que em giro brusco não se tem muito tempo para pensar, pois a possibilidade de desmaio é muito grande. Tem-se que agir rápido, a não ser que seja alguém com grande experiência em ser submetido a vários Gs.
Em 2002, quando lancei meu pára-quedas em Quixadá( depois de um vôo de 120 Km, peguei uma convergência de termais de queimadas), eu estava a cerca de 150 metros do solo. Minha vela fechou quase toda, o giro foi muito brusco, não conseguia nem mover o pescoço para olhar o lado oposto ao giro. Acho que se eu demorasse mais dois segundos para puxar a alça do reserva não estaria aqui hoje pra relembrar a história. Eu tinha que lançá-lo porque estava a baixa altura, mas principalmente porque eu estava girando velozmente sem nenhum controle da vela tuistada. Se eu estivesse a 3000 metros teria feito a mesma coisa, porque eu não saberia quanto tempo estaria em consciência para tentar controlar a coisa toda. A altura pode passar a falsa idéia de que há tempo para corrigir. Há situações em que não há, se vc não estiver acordado para fazê-lo.
Outra coisa complicada em Quixadá, nos meses fortes, é o pouso. Há muita terra para pousar, muito pouso. O problema é vc pousar cedo, antes das quatro da tarde, porque a atividade térmica ainda está forte. Pousar antes das três é então super complicado para quem não tem experiência em condições extremas de termais e ventos. Alguns excelentes pilotos do Brasil e do exterior já se machucaram aqui justamente no pouso.
Normalmente eu ficava esperando a rajada passar lá em baixo, pra poder me aproximar rapidinho e pousar. Muitas vezes eu fiz orelhas, embora saiba que muita gente condena essa prática. É que é difícil ver a poeira subir rodopiando, a mata balançado, e deixar sua vela ali toda aberta, sem uma alta pressão. Bem ou mal feito, nunca tomei uma fechada a baixa altura fazendo isso. Preferia pousar de ré mais ainda, ir pro mato seco, ficar enganchada em espinhos, do que levar uma fechada a 20-30 do solo. Fechava as orelhas a uns 80 metros do solo, bem de frente pro vento, toda certinha, pra nada dar errado e provocar uma fechada. Jamais me machuquei em Quixadá, apenas uns arranhõezinhos básicos.
Muitas vezes, em Quixadá, vc pousa de ré. É estranho, vc de frente pro vento e a terra passando em sentido contrário. Quem quiser voar bem aqui, aprenda antes a domar a sua vela tão logo toque o solo, "matá-la" de imediato, para não ser arrastado. Fui arrastada muitas vezes (boa parte dos arranhões vieram daí), até desenvolver minha técnica. Mas cada um tem a sua.
Prometi não ser prolixa, mas acabei sendo. Há muitas outras coisas que se precisa saber para voar em Quixadá nessa época. O básico é isso.
Experiência em condições fortes de vento e térmicas ( pelo menos algo que seja 2/3 do que é aqui), bom preparo físico e psicológico, reflexos aguçados, vela compatível com seu nível de piloto, todos os equipamentos de segurança necessários( incluindo um bom capacete e botas), uma boa dose de humildade, seja para não decolar, esperar uma condição mais propícia, para fazer um pouso seguro mesmo o vôo não sendo tão longo quanto desejaria, ou lançar um reserva tão logo seja preciso. Isso já salvou muita gente aqui.
Ah, só mais uma coisinha. Os vôos no final da tarde são excelentes, o lugar é lindo, e mesmo decolando às quatro da tarde dá pra fazer 70 km.
Um grande abraço a todos. Bons e seguros vôos.
Mailcar Fernandes
Thursday, July 03, 2008
Saturday, March 29, 2008
Monday, March 10, 2008
Monday, January 14, 2008
Wednesday, December 26, 2007
Friday, December 14, 2007
X-CEARÁ 2007 – A Participação Cearense (por Flávio Moreira)
A expectativa para o evento era já das melhores. Eu estava com um bom equipamento, havia realizado bons vôos de treino e ainda fui agraciado com uma ajuda de incentivo e patrocínio da Prefeitura Municipal de Pacatuba, do Dr. Aluísio Gurgel e do Neto Supiai. Então era só voar e ir o mais longe possível.1º DIA DE PROVA. A maioria na rampa por volta das 6h30 e eu ligado na turma da Sol, pois pretendia acompanhá-los ainda que fosse apenas no início do vôo. Decolei às 7h00 junto com a galera da frente. A saída neste horário é crítica pois o teto passa pouco dos 700m e não se pode entubar. Tentei permanecer no bolo até onde parecia vantagem e segurar voando até a condição melhorar. Quem não tomava muito cuidado caía antes da Serra do Padre ou não chegava a Custódio. Fui boiando já sem companhia desde Algodões até Madalena, quando a condição deu uma melhorada. No vôo parece que todos são suspeitos e ninguém segue ninguém, a não ser por uma boa termal de motivo. E segui tranqüilo, sem problemas ou colapsos, até ficar muito baixo, logo atrás da cidade de Monsenhor Tabosa. A uns 30m do chão, bem no pé do platô e com vento de proa e fraco, finalmente começou a bombar muito fraco, mas consegui garantir o “lift” da serrona. Novamente segui para a rota. A surpresa foi no quilômetro 200: entrei numa descendente enorme pouco antes da Serra Grande, entre Ararendá e Ipueiras, mas tinha certeza de que me salvaria mais uma vez no “lift” da danada. Cheguei na altura do platô, mas só descia e não havia uma gota de vento. Fui descendo a serra na tentativa de bater em alguma termal perdida e nada. Acabei pousando numa roubada: um único roçado no meio da mata, próximo a um povoado. Andei uns 600m, peguei um mototaxi e fui para Ararendá, a 10km, para esperar o resgate. Total do vôo: 202km.
2º DIA DE PROVA. O teto fechado e ainda mais baixo. O primeiro pelotão saiu e eu decidi esperar um pouco mais para não arriscar tanto. Saí depois das 9h00 e quase pousei na Serra do Padre, quando praticamente decolei de novo, de uns 50m do chão. Pensei que estaria a salvo depois daquilo e não mais pousaria, mas para minha surpresa fui capturado por uma descendente que me obrigou a pousar em Custódio, percorrendo apenas 29km. No fim do dia, com exceção do trio da Sol, quase todos ficaram no caminho para Madalena.
3º DIA DE PROVA. O vento soprava forte e até o “Cecéu” desistiu de decolar. O show ficou por conta do Frank Brown que saiu, tomou um pau próximo à Pedra da Baleia e pousou em Madalena.
4º DIA DE PROVA. As 7h00 a rampa estava lotada e o vento moderado, mas muito frio e o teto fechado, com promessa de abrir ao longo da manhã. Esperei a galera sair e decolei às 8h00. Boiei por quase uma hora e finalmente me desconectei para o “cross”. A condição foi melhorando e passei alto sobre Monsenhor Tabosa (o terror dos voadores). Porém, próximo a Cruzeta (km 150), fui premiado com uma terrível descendente que quase me bota no chão. Fiquei a uns 100m de altura e decidi jogar exatamente no lugar aonde estaria ou a solução ou o problema: no rotor do único morrote à beira da pista de Cruzeta. Achei a danada e fui catapultado para a base da nuvem mais rápido do que desci. Neste momento, pensei: “se quase fiquei aqui, agora vou ter paciência e não quero mais ficar baixo, e já que estou só mesmo, vou dar umas entubadinhas de leve.” Subi até 3.500m durante o percurso até Pedro Segundo. No Piauí a condição é espetacular: teto alto, ar quente, bomba até escurecer e o paraca rende tudo. Enfim, a receita foi revelada para se voar 400 ou 500km e eu estava muito feliz de estar descobrindo isto na prática. Quando chegava em Piripiri, às 17h30, meu vário começou a apitar forte. Enrosquei e me mandei para Barras e, achando que facilitaria o resgate, decidir seguir a rodovia federal que rumava para Capitão de Campos. O problema é que a velocidade para Barras não era a mesma de vôo, o que não me fez render no final, já que poderia facilmente ter chegado aos 350km, e ainda fiquei novamente na roubada. O resgate demorou e quando chegou, lá pelas 23h00, eu havia dormido numa casinha à beira do asfalto, só conseguindo retornar à Quixadá dois dias depois. Fiquei triste pela situação, perderia um dia de prova e não ficaria bem colocado na competição. Mas para minha sorte, o vento resolveu este problema. Veio que veio e ninguém decolou mais. Os que se arriscaram, foram p´ro rotor da rampa e se arrependeram. Então retornei no sábado e fui entregar o GPS para a leitura dos vôos. O último vôo ficou em 324km. O resultado é que foram validadas três provas com um descarte. Eu fiquei com dois vôos bons, um de 324km e outro de 202km, o que me rendeu o terceiro lugar geral na competição. Ficam aqui os meus agradecimentos a todos que me apoiaram para mais esta participação no XCeará. E vou me empenhar fortemente para que o próximo XCeará seja nosso, com todos os méritos.
Valeu, galera!
Flávio Moreira.
Saturday, December 08, 2007
Tuesday, December 04, 2007
Voo de 300 Kms no X-Ceará 2007 por Gonçalo Velez
Adoro participar no XCeará e espero conseguir ser um reincidente em cada ano!Nesta prova voa-se em liberdade, o quanto se quer e para onde se quer, sem regras, sem limitações. Deve-se respeitar um eixo e voar-se em distância o mais longe que consigamos. Esse eixo deve ser preferencialmente a rota do vento que nos impele à sua velocidade.
Este ano os horários de descolagem adiantaram. O pequeno almoço passou para as 6h30 e o primeiro transporte para a descolagem às 7h!
Quase todos os pilotos partiam muito cedo para a descolagem. Procurei isolar-me dessa ânsia pois o que procurava era realizar um bom voo e não julgar que podia estabelecer algum recorde!
Descolar às 8h ou mesmo às 8h30 significava encontrar condições muito fracas, um tecto baixo e enfrentar um risco grande de não se ultrapassarem 20 km.
Subir à rampa demasiado cedo, para descolar horas depois implicava um desgaste muito grande pois a espera ao vento é enervante. Assim, subia cerca das 7h30-8h pois não fazia tenção de descolar antes das 9h.
Não sei por quê, achei as descolagens este ano mais fáceis. Talvez por ter levado uma asa mais rápida (Tycoon, dhv 2-3) do que a que usei nos anos anteriores em Quixadá (Tattoo, dhv 2). Além da maior velocidade em voo, esta asa infla e sobe com maior rapidez.
Carrego-a com 2 kg acima do limite superior.
São vários factores que melhoram a segurança nestas condições agressivas de Quixadá.
Quixadá, 15.11.07
Descolei às 9h10. A essa hora o tecto ainda era baixo, 1200m, e a minha intenção era seguir uma táctica de prudência: enrolar toda a ascendente que encontrasse.
Nestes ventos de 30-40 kmh de média, viajamos na deriva das térmicas que também se deslocam perto dessa velocidade.
Pouco depois de descolar fiquei baixo, km 15, e tive o sentimento de angústia do costume, de me sentir impotente para inverter um destino terrível, mas não desisti, claro. Esta era a zona da "marreca" geral.
Como já estava com algum treino naquelas condições, era o meu 6º voo em Quixadá este ano, fiz uma deriva na diagonal meio a contravento e, por sorte, entre dois montes pequenos que, provavelmente faziam acelerar o ar, soltou-se a térmica!
Consegui subir aos 1500m percorrendo vários quilómetros que me levaram para a planície de Madalena, deixando para trás os montes que envolvem Quixadá.
São os primeiros 60 km os mais críticos. A maioria dos pilotos aterra antes de Madalena por que o tecto ainda é baixo, as térmicas não são muito fortes e o relevo é um pouco incompreensível. No plano a oeste de Quixadá, voa-se frequentemente no “azul”.
No entanto, neste dia o céu estava bem populado de cúmulos.
Depois desta térmica fiz uma boa transição mas os cúmulos que tinha visado tinham esgotado a energia. Naquela zona há vários lagos e lembrei-me de o Diogo dizer que os lagos libertam sempre térmica.
Sobrevoei um lago pequeno onde tinha aterrado há dias, pensando que seria muito azar voltar a aterrar ali.
Dirigi-me para sotavento do maior lago, onde já tinha subido noutras ocasiões, e sondei o espaço, nada. Estranho.
Vou perdendo altitude e desaperto a abertura da selette pois quero estar mais concentrado no voo. Deixo-me ir para sotavento sentindo ansiedade mas acreditando que não ficaria naquele local.
De repente, sinto-a! Formava um cúmulo, e interpretei que a térmica viajaria deitada perto do chão por cerca de 1 km e depois levantava.
Uff que alívio!
Os momentos mais memoráveis do voo de distância são estas recuperações inesperadas, sobretudo quando já se olha em redor para ver quais são as possibilidades de aterragem!
Este ano apliquei pela primeira vez com sucesso a técnica de sondar o espaço.
Em voos anteriores o meu hábito quando perdia a térmica, era virar costas ao vento e “deixar-me ir que algo haveria de aparecer”.
Errado. É preferível redescobrir algo que existe (ou já existiu) do que partir para a incerteza. Neste caso, socorria-me dos instrumentos e do “esperto na cabeça” para tentar perceber que podia já estar a voar a sotavento da térmica, ou ao lado.
Muitas térmicas sofriam muito com a deriva do vento e desenvolviam-se muito “deitadas”. Senti que dominava melhor os nervos, que estava um piloto mais maduro, e senti que sofria muito menos com aquela impaciência de “voar sem ver” e o stress que isso provoca.
Voamos num meio transparente, que dá alguns indícios para quem os consiga detectar, mas se estivermos numa fase da nossa progressão em que não sabemos o que fazer, isso é muito enervante! Vamos para o chão sem sabermos porquê, nem o que poderíamos ter feito para o evitar.
Esta térmica levou-me até Madalena, km 60, numa rota a sul por onde nunca tinha passado. Aqui havia uma extensão muito grande de jurema, o mato com espinhos, que me deixou preocupado. Nesta fase perdi muita altitude pois não conseguia urinar através da minha algália.
Já há algum tempo que me esforçava, mas sem resultado. A minha preocupação era: ou mijava ou aterrava, pois o meu limite são as 3h-3h30 de voo.
Decidi que tinha de voar! Tirei a luva, abri a selette, depois as calças, arranquei o tubo, esforcei-me e… “aqui vai disto, ó Evaristo!”
Nem vi o que aconteceu por causa do cockpit à frente, mas penso que mais de metade da urina me molhou as calças e o interior da selette.
Não fez mal, ganhara outro ânimo para voar!
Depois consegui outra térmica que me fez sobrevoar toda a serra de Monsenhor Tabosa e passar à vista dos locais onde já tinha aterrado duas vezes, uma delas dois dias antes. Só que desta vez passava alto e cedo, 15h. Partilhei esta térmica com um urubu e girávamos observando-nos mutuamente, ambos com o pescoço dobrado para o lado. Respeitámo-nos sempre até ao instante em que decidi dar uma volta no sentido contrário e estraguei a nossa “relação”, levando-o a abandonar a térmica.
Em Tabosa, km 120, subi numa ascendente gerada por uma queimada e a térmica era suave, pouco rentável, mas segura.
Passei a serra de Tabosa pelo norte, por cima da estrada, e consegui nova térmica resultante doutra queimada que me levou aos 2800m.
A estrada no chão era uma longa recta para Nova Russas, e por cima tinha uma bela estrada de cúmulos.
Não sei porquê, este ano evitei entrar na nuvem… Voei bastante de acelerador sob as nuvens pois sugavam bastante, e também por ver ao longe o que pareciam congestus!
Passei o km 127 a pensar que tinha ultrapassado a minha melhor marca realizada este ano a partir de Castelo de Vide.
Foi neste troço, km 140, que sofri dois potentes frontais que me deixaram muito desconfortável, sobretudo por terem sido quase consecutivos. Estava na base do cúmulo e sentia-se uma turbulência muito agressiva e uma ascendente tipo sugadouro, algo preocupante.
Cometi o erro de abandonar a térmica para sotavento e de entrar em fortes descendentes.
A seguir a Nova Russas, km 160, tornei a ver-me a 300m do chão e a avaliar terrenos de aterragens. Mas nova térmica me salvou e levou-me para 2600m.
Adiante acontece algo de curioso: o chão sobe, dando origem a um planalto, e ficamos com um tecto mais estreito! Essa é a impressão que dá, mas o tecto também vai subindo.
Olho em redor e dou-me que conta de que não vi uma única asa durante todo o voo! Que se passa? Que é feito “deles”? Como se fala sempre demasiado no rádio, voo com ele desligado.
A organização pedia que informássemos a nossa posição sempre que aproximávamos uma baliza: número de piloto, altitude e distância da baliza.
Esta informação é importante por razões de segurança óbvias, mas também para permitir à organização posicionar veículos de transporte.
Passo Poranga, km 215, bastante alto, consigo atingir 2900m e percorro 26 km em planeio a direito. Em baixo a estrada é uma longa recta de terra com mato para cada lado. Uma zona muito preocupante se tivesse que aterrar, embora a estrada fosse sempre a salvação.
Às 16h30, km 255, consigo subir no que julguei ser a última térmica, que me levou aos 2900m outra vez.
Faço um planeio de uns 28 km numa restituição deliciosa em que a taxa de queda é muito reduzida, e as cores do final de tarde são soberbas.
Concentrei-me a aproveitar ao máximo as modestas linhas de ascendente que fui sentindo. Às vezes desconcentrava-me a apreciar a paisagem e auto-criticava-me!
Cheguei a Pedro II eram 17h e reparo que estou no km 283.
Pergunto-me: e por que não os 300 km, hein?!
Passo a sul da cidade sobre uma colina e vejo adiante um urubu que enrolava térmica. Nem queria acreditar que ainda podia haver uma ascendente aquela hora!
Era fraca mas fez-me subir 700m. O urubu e eu girávamos sincronizados, eu desconfiado, tentava olhar para trás das costas para ver se ele não me traía.
Depois subi mais do que ele e desistiu, indo ao encontro de um melhor “amigo”.
Sabia que estava próximo o momento de aterrar e fazia contas ao terreno, e sobretudo tentava adivinhar qual era a estrada principal, ou seja, o eixo lógico dos transportes de recolha para não ficar muito distante de um local conveniente.
Do ar tudo parece perto e fácil, mas quando estamos aterrados arrependemo-nos de algumas opções de aterragem que fizemos, sobretudo quando o rádio não alcança alguém!
Contudo, neste momento só olhava para o conta quilómetros: queria passar os 300 km!
Voei por cima de uma estrada e esperei, tentando sempre sentir as melhores linhas de planeio.
Aproximava uma aldeia e vi 288 km.
Lá em baixo jogavam futebol num campo grande. Em redor era arvoredo e raras clareiras.
Detectei um campo largo, bom para aterrar, e outro campo mais longe, menos bom, estreito e ladeado de árvores.
Vi 299 km e deixei-me ir… esperei.
Mal vi os 300 km dei meia volta e dirigi-me para esse campo largo.
Uff, consegui.
Eram 17h30. Não tinha comido todo o dia e antes de dobrar a asa comi duas deliciosas maçãs e três mini-bananas que transportava comigo.
O meu rádio não tinha alcance e o meu telefone não tinha rede! Pedi a um dos nativos para enviar um sms ao Chico com as minhas coordenadas.
Fez-se escuro rapidamente e saí do campo na companhia de aldeãos com uma lanterna acesa na testa.
Deram-me boleia de moto até uma mercearia no centro da aldeia onde comprei cerveja, pão e uma lata de sardinhas, pouco mais havia para comer.
Soube que estava em Mororó, município de Lagoa de São Francisco, estado do Piauí.
Fecharam a mercearia às 20h e deitei-me a dormir no chão com uma bota a servir-me de almofada, o rádio ligado à cabeceira.
O carro da recolha apanhou-me eram 1h30 e cheguei ao hotel em Quixadá às 9h, atrasado para o pequeno almoço e para outro dia de voo!
Conclusão
Este XCeará resultou numa enorme surpresa para mim pois acabei por voar o triplo do que voei em 2006!
Em 8 dias disponíveis, voei 7, num total de 18.9h.
Excluíndo o voo local de treino no primeiro sábado, voei 17.8h e 587 km de distância.
Isto equivale às médias por voo de 2h58 e de 98 km de distância.
Foi uma excelente semana!
Obrigado aos meus companheiros de viagem e de voo, Paulo Reis, Carlos Brasuka, Gil Navalho e João Brito pela amizade, e aos demais participantes, motoristas das recolhas, meninos de Juatama (os ajudas na descolagem) e pessoal da organização.
Parabéns aos recordistas do Mundo, Marcelo Prieto “Cecéu”, Rafael Saladini “Sardinha” e Frank Brown pelos 461.8 km voados em 14.11.07, a véspera do dia do voo que relato acima.
Gonçalo Velez
Balanço pessoal sobre o X-Ceará 2007
Tive o privilégio de poder participar no X-Ceará pela segunda vez consecutiva. Preparei-me durante um ano inteiro apenas com o intuito de estar fisicamente apto para o desafio de participar neste evento. As competições em que participei, os voos de Cross Country que fiz e as muitas horas de preparação física tinham como objectivo estar apto e forte para voar em Quixadá e fazer os melhores voo possíveis.Uma vez mais e pela segunda vez consecutiva as coisas não correram como sonhara, mas sinto-me feliz e realizado na mesma! Os resultados (em termos de distâncias alcançadas) foram inferiores aos do ano anterior. Voei bastante, mas não fui longe! Simplesmente não me senti mentalmente preparado para ter feito melhores voos do que aqueles que fiz e que guardo como inesquecíveis na mesma.
Não interessa estar apenas fisicamente preparado, quando a mente não sente o desejo de ir mais longe. Todos os meus voos de distância no passado, sempre estiveram relacionados com uma vontade muito grande de querer estar naqueles locais, sonhar com a forma de os realizar, estudar as rotas possíveis, etc... Ao descolar para esses voos tudo acabou por acontecer naturalmente. Desta vez, não quis o suficiente, não me preparei mentalmente e deixei-me distrair por outro tipo de prazeres.
Em Quixadá tudo acontece de uma forma diferente e é preciso querer muito mantermo-nos no ar para conseguirmos ir mais longe. Apenas os persistentes e determinados conseguem alcançar as grandes marcas e eu não fui (uma vez mais) um desses e não fiquei nada decepcionado por isso.
Acho que o facto de estar a participar num evento que me apaixona e que considero um desafio pessoal, no local do mundo onde mais adoro voar, numa paisagem que me fascina, com condições tão adversas e até por vezes perigosas fazem-me vacilar um pouco e levam-me a tomar decisões precipitadas e pouco lógicas. Sei exactamente o que preciso de fazer para voar mais e melhor, mas não consigo encontrar um meio-termo entre voar conservadoramente e arriscar em demasia. Os meus voos em Quixadá têm sido o reflexo da minha atitude em relação à minha vida pouco equilibrada dos últimos tempos (do tipo 8 ou 80) ... Quando não consigo encontrar equilíbrio no que faço, não posso esperar mais do que aquilo que obtive e encaro tudo como mais uma experiência gratificante.
Sinto uma enorme satisfação por ter podido estar uma vez mais presente e de ter tido a oportunidade de rever alguns amigos voadores do mundo inteiro. Aprendi um pouco mais sobre este tipo de voo peculiar e adorei ter descolado com os novos recordistas mundiais e acompanhá-los nas primeiras térmicas no dia do recorde mundial. Adorei testemunhar os feitos do Gonçalo Velez e do Gil Navalho que fizeram voos acima dos 300 kms! Adorei a companhia do Carlos Brazuka e do João Brito e tive um enorme prazer de captar isto tudo em imagens que me fazem sonhar.
Quer me bem parecer que em 2008 vamos estar todos lá outra vez!
Aproveitei alguns dias para aprender KiteSurf em Combuco. Já consigo aguentar-me em pé na prancha e o controle do Kite foi fácil e rápido. Estou em vias de continuar a ter mais algumas aulas (logo que o tempo o permita) para aperfeiçoar a técnica ...
Paulo Reis
Friday, November 30, 2007
X-Ceará 2007 - Videos e Reportagens
X-Ceará 2007 - KiteSurf em Combuco
X-Ceara 2007 - Tugas em Fortaleza
X-Ceara 2007 - Viagem para Quixada e Voozinho
X-Ceara 2007 - Briefing e Manga de Teste
X-Ceara 2007 - Dias 1, 2 e 3
X-Ceara 2007 - Dias 4 e 5
X-Ceara 2007 - Dia 6 e Entrega de Premios
X-Ceara 2007 - Joatama TV
X-Ceara 2007 - Entrevista a Thalys
X-Ceara 2007 - Entrevista a Flavinha
X-Ceara 2007 - Entrevistas Diversas
X-Ceara 2007 - Entrevista a Rafael Saladini
X-Ceara 2007 - Entrevista a Marcelo Prieto
X-Ceara 2007 - Entrevista a Frank Brown
Sunday, November 25, 2007
Saturday, November 24, 2007
Relato do Recorde Mundial - 461,8km por Rafael Saladini
14/11/2007Recorde Mundial - 461,8Km
Tracklog - Marcelo Prieto
Tracklog - Rafael Saladini
Tracklog - Frank Brown
Hoje completamos 31 dias no sertão nordestino e a cada dia que passa o recorde mundial parece mais distante. Os ânimos já estão completamente abalados, a pressão de ter passado tanto tempo em busca de um objetivo já há muito tempo pesa em nossos ombros, e não resta mais muita motivação e nem muitos dias. A situação atual também não é das mais confortáveis, pois durante o XCeará muitos pilotos começaram a copiar nossa estratégia de decolar bem cedo e sobreviver durante a manhã, o que nos pressionou psicologicamente ainda mais. Afinal não seria justo após tantas tentativas e tanto estudo do local, chegar um estrangeiro e quebrar a marca de 423 km. Seria um desastre. O mais importante naquele momento era tentar abstrair toda a pressão e confiar em nossa própria capacidade.
Meu vício de abrir a cortina do quarto para checar a condição pela manhã não existe mais. Prefiro não mais ter opinião sobre o dia antes de chegar a Monsenhor Tabosa voando. Mas logo na subida da rampa, já havia uma densa camada de umidade em médias camadas da atmosfera desanimando muito os pilotos. Alguns pilotos até riram quando colocamos a vela em posição de decolagem, o cenário indicava um prego logo atrás da rampa em Custódio.
Havíamos combinado em voarmos juntos para acelerar a velocidade média até o fim do dia. A dúvida era saber se isso seria possível, afinal voar dez horas completamente juntos no mesmo ritmo seria extremamente difícil. Decolamos as 7:20h completamente desacreditados pelos que nos observavam. Alguns outros pilotos corajosos decolaram no mesmo horário.
Logo na saída o plano de voarmos juntos já não funcionou. Nos separamos na primeira térmica e acabei saindo da rampa em companhia de Francisco Ceará e André Modelo, enquanto Frank e Cecéu resolveram esperar mais alguns minutos. Minha saída foi desastrosa, minha segunda térmica praticamente não existiu, eu acabei me separando de todo mundo e fui para uma altura crítica próximo a serra do padre (km 15). Cheguei a 150 metros de altura embaixo de uma região completamente sombreada, eram quase 8:00h e minha situação não era nada confortável. Com muito custo consegui encontrar uma maneira de sobreviver e voltar para o vôo.
Cecéu e Frank saíram um pouco atrás também em situação complicada, cruzando uma extensa região úmida e muito sombreada. Conseguiram sobreviver se arrastando pelos monólitos daquele inicio de vôo. Enquanto isso, André e Ceará deslocavam-se por uma rota um pouco mais a direita e já engatavam numa condição muito bem formada, colocando uns bons 10 km a nossa frente. Minha ansiedade era grande, mas ainda restavam mais de 9 horas de vôo.
Quando avistei Frank e Cecéu juntos há cinco quilômetros de mim, pensei que poderíamos facilmente conectar em pouco tempo. Errado. Como era muito cedo e os ciclos ainda estavam bem curtos, não consegui me manter no mesmo lugar e fui obrigado a continuar adiante sozinho até que eventualmente eles pudessem me alcançar para juntarmos o grupo.
Antes de Madalena chegamos a ficar bem próximos, mas como minha linha de térmicas estava funcionando bem melhor, acabei me adiantando ainda mais em relação a eles. Frank e Cecéu escolheram uma linha complicada, que os manteve o tempo inteiro com a corda no pescoço até o platô de Monsenhor Tabosa. O resumo desse inicio de vôo era um cenário complicado, com nuvens estratificadas em camadas médias da atmosfera filtrando muito o sol já fraco da manhã, o grupo desmantelado com Cecéu e Frank juntos não conseguindo se deslocar satisfatoriamente para me alcançar, eu totalmente sozinho a frente com um medo enorme de cair, André e Ceará com 10km de vantagem e a total certeza de que se sobrevivêssemos a manhã, facilmente chegaríamos nos 400kms. Mas nós tínhamos um problema, uma dupla de pilotos extremamente competentes e capazes, voando juntos a nossa frente. Isso significava que estávamos atrasados.
Minha ansiedade em conseguir me aproximar da dupla era tão grande quanto a minha ansiedade em conectar com Cecéu e Frank. Resolvi acima de tudo controlar minha ansiedade e mentalizar sobre a minha real situação. Correr sozinho não adiantaria nada e seria assumir um risco muito grande para a hora. E mesmo que conectasse com André e Ceará, pilotos antigos e experientes, acredito que sozinho não teria condições de influenciar nas decisões deles. Minha idéia era atrasá-los ao máximo para dar tempo ao Cecéu e Frank de me pegarem. Optei por confiar na capacidade do nosso trio para pegá-los mais tarde. Decisão conservadora que talvez tenha sido importantíssima para ajudar o grupo.
Assim que pulei para o platô de Monsenhor Tabosa, voando burocraticamente consegui dar tempo para que meus companheiros se juntassem a mim. Fiquei enrolando numa bolha fraca para delinear a linha de perturbação para que eles tivessem mais segurança em pular mais rápido e mais baixo. Funcionou. Estávamos no km 110 e finalmente conectamos o time. Um recorde mundial estava sendo construído naquele momento.
André e Ceará cruzaram a serra de Tabosa e rapidamente entravam na planície de Nova Russas com uma vantagem considerável. Nós nos arrastamos pelo platô em seu teto de 700m do chão. Logo no final do platô me desconectei brevemente, pois encontrei um miolo térmico excelente que me colocou 400m mais alto que os dois, e para tentar pressionar André resolvi me atirar, mesmo não estando na base da nuvem, em sua direção para tentar obrigá-lo a abandonar sua térmica para não me deixar alcançá-lo. A estratégia funcionou muito bem, André aproveitou que já se encontrava em boa altura, para abandonar sua térmica e me tirar a referência. Mesmo assim foi possível encontrar a mesma térmica e assim delinear mais uma para adiantar meus parceiros.
A idéia de voarmos juntos era excelente e só traria benefícios, caso ocorresse de fato. Um exemplo da dificuldade de voar em grupo foi a própria dupla a nossa frente, pois Ceará e André se separaram logo na saída do platô, onde Ceará acabou arriscando mais do que deveria, ficando muito baixo e permitindo que nós o ultrapassássemos. Pressionado por ter sido ultrapassado, Ceará acabou tomando decisões precipitadas e confiou demais na condição. Acabou caindo por volta de 11:00h perto de Nova Russas. O trio seguia forte, e mesmo não coincidindo muito bem com os ciclos, conseguíamos nos deslocar com uma boa velocidade média para o recorde.
André estava voando muito bem e com um timing de ciclos térmicos praticamente perfeito, enquanto nós, sempre 10km atrás,nos arrastávamos sem conseguir pegá-lo. Nosso ritmo foi razoável no trecho Nova Russas (km175) – PedroII (km270). Rastreávamos de forma eficiente e amistosa, o espírito de grupo que imaginamos em nossas conversas finalmente tomava cara, éramos um só organismo. Uma atitude próximo a Pedro II-PI confirmou.
Colocamos-nos numa situação complicada e sobre pressão. Chegamos a Pedro II numa altura crítica para a hora, 500m do chão ás 14:20h, e estávamos presos a uma térmica extremamente fraca que nos tomaria muito tempo para subir, e tempo era uma coisa que não tínhamos, o relógio é sempre o maior inimigo de um recordista. Afinal o objetivo do grupo não era o Xceará e muito menos acumular mais um vôo de 300km. Resolvi partir para a agressividade em prol do grupo. Avisei meus parceiros pelo rádio que arriscaria todas as minhas fichas numa nuvem logo após Pedro II. A resposta foi sensacional: “Se um vai, tem que ir todo mundo. É recorde ou chão!!!”
Um açude grande logo após a cidade de Pedro II com uma nuvem enorme muito bem formada bem acima dele era nosso destino. Nossa bem desenvolvida análise de nuvens não poderia falhar naquele momento tão especial do vôo-livre brasileiro, com três pilotos do mesmo país na iminência de quebrar o recorde mundial juntos. Eram quase 14h30minh e estávamos beirando os 300 km de vôo, ainda tínhamos mais 3 horas de vôo e pouco menos de 150km para o recorde.
Nosso maior medo era entrarmos atrasados no ciclo daquela nuvem, um erro seria fatal naquela altura. Cruzamos o açude e não batemos em nada. Na verdade erramos na navegação, e para a nossa sorte o erro ainda era contornável, pois usamos o chamado ângulo do desespero, quando não resta mais muita opção, o jeito é jogar 90 graus em relação ao vento para encontrar qualquer linha de perturbação que possa ajudar. A teoria ajudou na prática. Jogamos para a direita, batemos numa linha ativa, que era a linha ativa da nuvem, e em meio a uma falhadeira, acabamos encontrando um miolo de uns 3m/s que melhorou bastante nossa situação. Rapidamente estávamos em uma altura confortável e suficiente para continuar nos deslocando.
Fizemos uma pequena transição até a nuvem seguinte, onde finalmente atingimos em cheio o ciclo, nos posicionando muito bem para o horário, 14:40h na base da nuvem há apenas 15 km de PiriPiri-PI (km 310). Uma desconfiança de que o recorde de fato poderia ser batido começava a nos angustiar.
Na transição para PiriPiri enxergamos André muito baixo tentando sobreviver um pouco antes da cidade. Ele de fato cometeu um erro fatal em ficar tão baixo por ali e acabou pousando. Apesar de ter a certeza de que mais cedo ou mais tarde o pegaríamos, um alívio tomou conta do grupo, afinal a partir de agora tudo só dependeria de nós.
O cenário a frente não era dos melhores. Apesar de sempre termos lidado com cirrus e adversidades naquela região final do vôo, aquele céu por um momento nos assustou, pois estava muito úmido e com nuvens estratificadas em camadas médias e baixas da atmosfera. O deslocamento até Barras (km 375)foi muito bem estudado e sem grandes emoções, passamos a direita da cidade um pouco antes das 16:00h. Ainda tínhamos 1h e 45m para o pôr-do-sol, que estava marcado para as 17:43h de acordo com o GPS. Para homologar um recorde devemos cumprir com as regras locais de aviação, e no Brasil aeronaves sem instrumentos adequados para navegação noturna, devem pousar antes do horário do pôr-do-sol.
A partir de Barras-PI tomamos decisões rápidas e estratégicas para nos posicionarmos bem naquelas horas finais. O maior desafio foi conter a ansiedade para manter a velocidade média, que é sem dúvida o ponto mais importante para atingir o objetivo em tempo hábil. O maior problema de voar o dia inteiro é ser capaz de adaptar-se as horas do dia, ou seja, durante a manhã não é necessário ter pressa e assumir muitos riscos que podem facilmente te colocar no chão. A partir das 11:00h a condição já começa a arredondar e já torna-se mais confiável, permitindo um deslocamento mais agressivo e constante, mas o problema principal é durante o final de tarde, quando o piloto já vem com um ritmo acelerado das horas mais fortes do dia e não percebe que chegou a hora de desacelerar o ritmo para não cair. Pilotos demasiadamente agressivos podem até ter a sorte ou encaixar-se perfeitamente nos ciclos, mas acredito ser muito difícil não cometerem erro algum.
Comparo essa transição do meio para o final da tarde com a chegada de uma longa viagem, onde o condutor entra em área urbana num ritmo de rodovia, acima do limite de velocidade e como já está bem perto de casa (recorde) acaba relaxando e perde a concentração pelo cansaço. São nessas circunstâncias que acontecem grande parte dos acidentes. Portanto, assim como dirigindo, é sempre importante manter a concentração e o foco até o final, pois um pequeno erro pode custar caro. Aprendi isso durante dois grandes vôos que realizei em Quixadá, pois quando me aproximava do final deixava minhas emoções tomarem conta das minhas decisões, me atrapalhando a ponto de não me permitirem cumprir meu objetivo. Cai duas vezes a beira de transpor os 400 km por isso.
Em Barras-PI, tomamos talvez a decisão mais sábia do vôo inteiro, forçando quase 90 graus para a direita em direção a uma linha de perturbação que se encontrava acima de uma seqüência de fogueiras. A nuvem que estávamos de olho na verdade nem funcionou direito, mas fomos obrigados a subir bastante tempo em 1,5m/s até atingirmos uma altura segura para pularmos para a próxima queimada. E assim foi, eram 16h30minh quando cruzamos a barreira dos 400 kms, ainda restavam 1h e 15 m de vôo, estávamos juntos e só faltavam 23km para o recorde. Uma euforia tomou conta do grupo e fui muito bem ciceroneado por Marcelo Prieto que nos deu as boas vindas pelo rádio ao seleto grupo de pilotos que passaram dos 400kms. Mas ainda faltava mais um movimento para ganharmos o jogo. Mais uma térmica.
Os planeios após a barreira dos 400 km foram tensos. Eu e Marcelo nos mantivemos frios e céticos até estarmos acima da marca dos 423 km, enquanto Frank já comemorava e já tinha certeza de que bateríamos a marca facilmente. O “go to”do GPS era Miguel Alves-PI (km 455) desde o início do vôo e depois de tudo que passamos, estávamos há pouco mais de 40km da cidade e há apenas 10km do recorde mundial de distância livre. Era o momento de encontrarmos mais uma para garantir.
Alinhamos com uma seqüência de queimadas e chegamos a conclusão de que seria impossível não encontrarmos nada por ali. Nosso instinto funcionou muito bem durante todo o vôo e não seria agora no final que seria diferente. Encontramos um miolo excelente para o horário que nos colocou de volta acima dos 2000m de altura. Era hora de controlar friamente as emoções, pois o recorde mundial havia sido batido, porém nosso objetivo era Miguel Alves-PI e faltavam ainda 30km.
Um dos highlights do vôo sem dúvida foi a chegada ao rio Parnaíba, divisa de estados entre Piauí e Maranhão. Esse planeio foi emocionante. Como falamos desse momento durante tanto tempo, enfim nosso sonho se realizava, 445km de Quixadá e agente realizando nosso último planeio em direção ao tão sonhado Rio Parnaíba. Chegamos lá a 200 metros de altura acima de uma queimada onde encontramos bolhas bem formadas e constantes. Era definitivamente um momento de contemplação. Enfim estávamos 100% realizados, após tantas tentativas, tanto comprometimento e dedicação.
Durante o planeio até o rio, sem dúvida foi o primeiro momento durante todo aquele vôo que consegui relaxar, após 10h e 10m de pura atenção e adrenalina, a cabeça estava livre para pensar em outras coisas. Fiz uma retrospectiva de toda a minha trajetória no vôo-livre e agradeci muito a todos os personagens que me ajudaram a estar ali. Lembrei muito de André Fleury, que certamente estaria ali do nosso lado na parceria caso já estivesse em condições. Definitivamente aquele recorde mundial só estava sendo alcançado no sertão nordestino brasileiro, graças aos esforços de André Fleury e Marcelo Prieto, que durante muitos anos dedicaram seu tempo e conhecimento para desvendar algumas peculiaridades da região. Foi uma quebra de paradigma, pois durante toda a história do vôo-livre no sertão, nunca pensou-se em decolar tão cedo. A janela agora rompia a casa das dez horas voáveis. Com o grande diferencial de vento forte e condições meteorológicas perfeitas.
Olhei para o Cecéu ainda em vôo do meu lado com profunda admiração, afinal eu fui abençoado de tê-lo como professor e sou abençoado de tê-lo como amigo. Sei que pra ele aquele momento era tão especial quanto pra mim. Não por simplesmente quebrar o tal famoso recorde mundial de distância livre em Parapente, mas por ser recompensado em grande estilo depois de tanta busca e perseverança. Foram longos dias fora de casa, suportando muitas críticas, inveja e pressão. E pensar que nada disso foi em vão. O regime de quartel que sempre fizemos questão de impor para manter nossa disciplina, enfim rendia-nos bons frutos.
Subíamos a quase 2,0m/s constante acima do Rio Parnaíba em direção a base da nuvem, eram 17:25h e não tínhamos muito tempo para pousar. De fato é contra meus princípios não cumprir com certas regras de segurança, entretanto após o pôr-do-sol ainda restam pelo menos quinze minutos de luz que permitem perfeitamente pousar em segurança. Se eu não estivesse voando nessas circunstâncias certamente eu aproveitaria cada segundo disponível de luz, porém decidimos abandonar nossa última térmica que nos levaria para os 500km para garantir a homologação do recorde. É justo.
A vegetação do Maranhão já é bem úmida e verde, com árvores e coqueiros enormes que limitam em muito as opções de pouso. Em nosso planeio final ficamos um pouco apreensivos, pois batíamos em bolhas fraquinhas que não nos permitiam perder altura, por ironia chegamos a fazer cálculos de quanto tempo demoraríamos a pousar se continuássemos naquela razão de planeio. De fato se continuássemos naquela linha de bolhas ultrapassaríamos a “deadline”, então fizemos orelhas e procuramos um linha ruim que nos colocasse no chão mais rapidamente. Seguimos uma estrada de terra até uma pequena vila chamada Santana Velha, onde aterrizamos num pequeno campo de futebol. Fomos muito bem recebidos e até um bom arroz e feijão foram servidos bem ao estilo da região. Os locais nunca haviam ouvido falar daquele pedaço de pano voador e por ali nunca havia passado nenhum tipo de aeronave parecida. Perguntavam-nos se havíamos pulado de um avião, e quando explicamos que havíamos saído de Quixadá-CE, fizeram aquela cara de quem está ouvindo mentira. A melhor explicação nessas horas é sempre a mais rápida de se entender, portanto dizíamos que um vento muito forte havia nos levado para lá, em parte era uma grande verdade.
Sem dúvida esportes como o vôo-livre parecem muito imprevisíveis, pois só conseguimos enxergar as cicatrizes deixadas pelos fluxos, mas nunca enxergamos os fluxos em si. Talvez por isso seja tão incompreendido por todos e encarado como um esporte tão perigoso. “É muita coragem...” – a frase mais falada na vila. De fato para quem não pratica deve ser loucura. Afinal passamos mais de dez horas pendurados naquelas linhas a milhares de metros do chão, tomando centenas de decisões, dentro de uma massa que mal enxergamos. Em Quixadá comparo o início do vôo a um rafting, onde a única opção é seguir a correnteza. Mas por mais que pareça uma loucura, existe muito estudo e conhecimento por trás.
Seguimos o plano. Decolamos no coração do Ceará, sobrevoamos todo o estado do Piauí e chegamos muito próximos a região amazônica no Maranhão. Cruzamos uma grande parte do sertão nordestino. Os três juntos. A quebra desse recorde não é simplesmente o rompimento de uma barreira numérica, mas também a prova de que o vôo-livre não necessariamente precisa ser um esporte individual e egocêntrico. Nosso sonho de trabalhar em equipe funcionou. E a equipe não se resume apenas aos pilotos no ar, não podemos esquecer de nosso digníssimo resgate Dioclécio, o Dió, e da SOL Paragliders, que desenvolveu essas velas maravilhosas e nos apoiou muito na conquista.
Quando decidimos voar juntos, sabíamos das adversidades. Somos totalmente programados para competição, portanto nunca olhamos para o piloto ao lado como nosso companheiro, e sim como nosso adversário que devemos em algum momento dispensá-lo. As vitórias são individuais e não existe espaço para mais de um piloto nos degraus do pódio. Quando iniciamos nossa busca pelo recorde em Outubro, me peguei em diversos vôos competindo com meu companheiro Cecéu, quando na verdade deveria apenas ajudá-lo e ser ajudado. É sempre muito mais fácil para todos voar em grupo, mas o difícil é transformar esse grupo em um time. Frank em pouco tempo voando ao nosso lado, entendeu nossa filosofia e já fazia parte dela. Foi uma filosofia também iniciada por André Fleury e Marcelo Prieto, e estamos todos extremamente realizados por ter tido a oportunidade de colocá-la em prática de forma tão perfeita e harmônica, culminando em um Recorde Mundial de Distância Livre.
A Expedição XCNordeste 2007 finalmente chega ao fim. Foram 31 dias investidos em Quixadá, Ceará, Brasil. Três recordes importantes batidos, dois sul-americanos e um mundial de distância livre. Quatro vôos muito importantes (397 km, 414 km, 398 km e 461 km). Mais de 3.000km voados e mais de 8.000km rodados pelo nosso resgate. Sem dúvida um sucesso. Tenho certeza de que após anos investindo pesado nas Expedições XCNordeste, Ary Pradi deve estar muito satisfeito, afinal três pilotos da equipe SOL, voando os novos Tracer 11, realizaram um feito inédito no parapente mundial, 461 km juntos.
A SOL, o Ary e os pilotos merecem.
A equipe SOL gostaria de prestar um agradecimento muito especial a Cláudio Henrique Landim de Fortaleza por todo o seu apoio durante a Expedição XCNordeste 2007.
Abraço a todos e que venham os 500km... Até 2008...
Rafael Saladini
Friday, November 23, 2007
Saturday, November 17, 2007
X-Ceará - Dia 6
Termina hoje o X-Ceará e já estamos a fazer as malas para partir para Fortaleza amanhã cedo. Nos últimos dois dias, apenas meia dúzia de pilotos voaram com a ventosga. Ao que parece, os resultados foram maus. Hoje apenas descolaram 3-4 pilotos e foram catapultados imediatamente para trás da montanha.
O pessoal está todo a relaxar aqui na piscina e á espera da festa de encerramento do evneto que vai contar com a actuação dum grupo de foró.
O Thomas Browner (Checo) vence o evento, seguido pelo Gil Navalho e José Flavio Moreira (cearense).
Os tugas estão satisfeitos por termos participado deste fantástico evento e penso que todos queremos voltar para o ano que vem!
Paulo Reis
O pessoal está todo a relaxar aqui na piscina e á espera da festa de encerramento do evneto que vai contar com a actuação dum grupo de foró.
O Thomas Browner (Checo) vence o evento, seguido pelo Gil Navalho e José Flavio Moreira (cearense).
Os tugas estão satisfeitos por termos participado deste fantástico evento e penso que todos queremos voltar para o ano que vem!
Paulo Reis
Friday, November 16, 2007
X-Ceará - Dia 5
Viva
O Ceará continuar a bombar e os voos terminam por sair! Impressionante, voa-se todos os dias sem excepção. É claro que o momento da descolagem é sempre emocionante e é preciso acreditar piamente na ordem para descolar dada pelo Expert local.
O Team Outsider ontem revelou a sua arma mais letal: Gonçalo Velez, conhecido nalguns locais por Gonçalo "Trepa-Tudo"! O nosso artilheiro trabalhou como observador avançado e...300kilos para o homem, em grande!
De resto tivemos o Brazuka, o Bruto e o Reis a defender posição, ficaram logo no início a mandar canhoadas para o pessoal que pretendia passar. Era só o que faltava, irem para distância, lenha nos gajos e venham para o chão.
Agora sobre o voo de ontem. O início foi muito difícil (tecto a 1300m), mas isso já é habitual. Até Madalena (km60) temos de voar em condições de sobrevivência total. Transições muito curtas, tecto baixo e muito azul. No fundo é aguentar no ar, e esperar que o vento nos leve.
Em Madalena o tecto já batia os 2000m. A partir dai as coisas são "menos" dificeis. Começam a aparecer mais cumulos. No entanto o dia era algo anormal, a térmica era muito turbulenta, e quase impossível de centrar. Tive de me empenhar para a asa não andar a largar peças pelo caminho... Em Monsenhor Tabosa (km120)o tecto já atingia os 2400m (o chão está pelos 200m). Os cumulos começavam a ficar mais apetitosos e surgiam as primeiras linhas de confluência, se bem que curtas. A partir de Poranga as coisas melhoram significativamente, confluências mais definidas. No entanto era necessário decidir o alinhamento a seguir muitos quilometros antes, pois as descendentes são brutais, e o vento não permite andar a "passear" de um lado para o outro à procura da térmica (que inveja que eu tenho das Delta).
Depois de Poranga é que o Ceará mostrou "com quantos paus se faz uma canoa"! Percorri muitos quilos de borla debaixo das confluências. É necessário ter o cuidado para não cair fora delas, e temos de saber escolher muito bem a faixa de altitude de trabalho. Ir junto à base implicava perder muito tempo, e tb estava freskote (tecto a 3000m). Por isso era andar ali a boiar entre os 2700 e os 2400.
O final de dia foi fabuloso. Foi a "cereja no topo do bolo". Depois de um dia em que andei horas a levar porrada da velha, um final de voo com termal suave e a poder apreciar a paisagem... Beleza!
O final do meu voo foi sobre uma zona de floresta com uma única estrada de terra. O cenário é bonito, o vermelho da terra a contrastar com o verde. Aquela zona marca o início da Amazónia, com um floresta ainda baixa, mas numa clara mudança da paisagem relativamente ao Sertão, em que tudo é muito seco... As aterragens, essas são escassas. Mesmo na estrada existem poucos locais, dado que as copas das árvores fecham a estrada e a essa hora não há vento ao nível do solo. E com a restituição é necessário muito espaço para por o estojo no chão.
No final, 336kilos em 8h30 de voo. O vento deu uma ajuda e consegui uma média bem melhor do que no voo anterior.
Hoje não fui voar. As recolhas à brazileira a funcionar no seu melhor. Cheguei ao hotel já depois das 7h, e já tinham saido os primeiros transportes para a descolagem. Mas também não faz mal, o vento esteve muito forte e atravessado. Descolaram muitos poucos pilotos de parapente. O vento e o power da termal eram de tal forma que eles nem sequer conseguiam penetrar, esbarrando na parrede da térmica e a irem direitinhos para o chão. Um pilto brasileiro de parapente relatou que fez vários SIV´s seguidos numa encosta por trás da descolagem! Ao que parece houve um acidente com uma Delta, fez tumbling e partiu. O gajo não conseguio abrir o reserva, e terminou por cair em cima de umas árvores. Tanto quanto ouvi, ele magoou-se mas estava a caminhar, perdeu os instrumentos e por isso não consegue dar as coordenadas do local. Para ajudar à festa não há pilotos a voar hoje para indicar a posição desta delta, e devem estar uns 45º no solo… Acabei de saber através do Chico Santos que o Heli está a chegar agora ao local, e a viatura de assistência está próxima.
Por certo que regressarei ao Ceará para voar. Por isso vão pensado quem quererá vir e juntar-se ao Team Outsider para XC no seu melhor.
Na classificação provisória que afixaram estou em 1º lugar. Mas ainda não constam lá os descartes, pelo que deve vencer a prova o Thomas Brauner e o Navalho em segundo.
Navalho
O Ceará continuar a bombar e os voos terminam por sair! Impressionante, voa-se todos os dias sem excepção. É claro que o momento da descolagem é sempre emocionante e é preciso acreditar piamente na ordem para descolar dada pelo Expert local.
O Team Outsider ontem revelou a sua arma mais letal: Gonçalo Velez, conhecido nalguns locais por Gonçalo "Trepa-Tudo"! O nosso artilheiro trabalhou como observador avançado e...300kilos para o homem, em grande!
De resto tivemos o Brazuka, o Bruto e o Reis a defender posição, ficaram logo no início a mandar canhoadas para o pessoal que pretendia passar. Era só o que faltava, irem para distância, lenha nos gajos e venham para o chão.
Agora sobre o voo de ontem. O início foi muito difícil (tecto a 1300m), mas isso já é habitual. Até Madalena (km60) temos de voar em condições de sobrevivência total. Transições muito curtas, tecto baixo e muito azul. No fundo é aguentar no ar, e esperar que o vento nos leve.
Em Madalena o tecto já batia os 2000m. A partir dai as coisas são "menos" dificeis. Começam a aparecer mais cumulos. No entanto o dia era algo anormal, a térmica era muito turbulenta, e quase impossível de centrar. Tive de me empenhar para a asa não andar a largar peças pelo caminho... Em Monsenhor Tabosa (km120)o tecto já atingia os 2400m (o chão está pelos 200m). Os cumulos começavam a ficar mais apetitosos e surgiam as primeiras linhas de confluência, se bem que curtas. A partir de Poranga as coisas melhoram significativamente, confluências mais definidas. No entanto era necessário decidir o alinhamento a seguir muitos quilometros antes, pois as descendentes são brutais, e o vento não permite andar a "passear" de um lado para o outro à procura da térmica (que inveja que eu tenho das Delta).
Depois de Poranga é que o Ceará mostrou "com quantos paus se faz uma canoa"! Percorri muitos quilos de borla debaixo das confluências. É necessário ter o cuidado para não cair fora delas, e temos de saber escolher muito bem a faixa de altitude de trabalho. Ir junto à base implicava perder muito tempo, e tb estava freskote (tecto a 3000m). Por isso era andar ali a boiar entre os 2700 e os 2400.
O final de dia foi fabuloso. Foi a "cereja no topo do bolo". Depois de um dia em que andei horas a levar porrada da velha, um final de voo com termal suave e a poder apreciar a paisagem... Beleza!
O final do meu voo foi sobre uma zona de floresta com uma única estrada de terra. O cenário é bonito, o vermelho da terra a contrastar com o verde. Aquela zona marca o início da Amazónia, com um floresta ainda baixa, mas numa clara mudança da paisagem relativamente ao Sertão, em que tudo é muito seco... As aterragens, essas são escassas. Mesmo na estrada existem poucos locais, dado que as copas das árvores fecham a estrada e a essa hora não há vento ao nível do solo. E com a restituição é necessário muito espaço para por o estojo no chão.
No final, 336kilos em 8h30 de voo. O vento deu uma ajuda e consegui uma média bem melhor do que no voo anterior.
Hoje não fui voar. As recolhas à brazileira a funcionar no seu melhor. Cheguei ao hotel já depois das 7h, e já tinham saido os primeiros transportes para a descolagem. Mas também não faz mal, o vento esteve muito forte e atravessado. Descolaram muitos poucos pilotos de parapente. O vento e o power da termal eram de tal forma que eles nem sequer conseguiam penetrar, esbarrando na parrede da térmica e a irem direitinhos para o chão. Um pilto brasileiro de parapente relatou que fez vários SIV´s seguidos numa encosta por trás da descolagem! Ao que parece houve um acidente com uma Delta, fez tumbling e partiu. O gajo não conseguio abrir o reserva, e terminou por cair em cima de umas árvores. Tanto quanto ouvi, ele magoou-se mas estava a caminhar, perdeu os instrumentos e por isso não consegue dar as coordenadas do local. Para ajudar à festa não há pilotos a voar hoje para indicar a posição desta delta, e devem estar uns 45º no solo… Acabei de saber através do Chico Santos que o Heli está a chegar agora ao local, e a viatura de assistência está próxima.
Por certo que regressarei ao Ceará para voar. Por isso vão pensado quem quererá vir e juntar-se ao Team Outsider para XC no seu melhor.
Na classificação provisória que afixaram estou em 1º lugar. Mas ainda não constam lá os descartes, pelo que deve vencer a prova o Thomas Brauner e o Navalho em segundo.
Navalho
Thursday, November 15, 2007
X-Ceará - Dia 4
Pela manhã estava mais vento que nos dias anteriores, céu mais azul e descolagens mais emocionantes. O primeiro grupo não se safou e ficou aterrado entre Quixada e Madalena (num raio de 66 kms). Os pilotos da Sol não descolaram hoje (como é obvio), sendo que apenas poucos pilotos conseguiram ultrapassar a dificuldade de passar Madalena. Todos os Tugas descolaram ainda antes das 8.00h da manhã e apenas o Gonçalo e o Gil passaram Madalena. Segundo notícias recentes, o Gonçalo já ia com 200 kms e o Gil com cerca de 300 kms voados e em voo (às 4.15h locais). Ainda não sabemos ao certo as distâncias que eles conseguiram alcançar????
Pela quantidade de pilotos que estão aqui na pousada, suspeitamos que muito poucos pilotos tenham conseguido fazer voos longos no dia de hoje.
O Carlos Brazuka é que é negro, mas hoje foi o dia negro do Paulo Reis. Foi atacado e picado por diversas abelhas (maribondos) na descolagem e queimou a perna no tubo de escape de um moto-taxi...
Não deixem de ver mais fotos no slideshow em tamanho grande.
Acabámos de saber que O Gil Navalho fez 336 kms hoje e possivelmente passou para 1º lugar da classificação geral da prova??? Depois confirmamos este resultado!
Hoje foi também batido o Recorde Brasileiro Feminino de Asa Delta pela piloto Flavinha com um voo de 225 kms.
Pela quantidade de pilotos que estão aqui na pousada, suspeitamos que muito poucos pilotos tenham conseguido fazer voos longos no dia de hoje.
O Carlos Brazuka é que é negro, mas hoje foi o dia negro do Paulo Reis. Foi atacado e picado por diversas abelhas (maribondos) na descolagem e queimou a perna no tubo de escape de um moto-taxi...
Não deixem de ver mais fotos no slideshow em tamanho grande.
Acabámos de saber que O Gil Navalho fez 336 kms hoje e possivelmente passou para 1º lugar da classificação geral da prova??? Depois confirmamos este resultado!
Hoje foi também batido o Recorde Brasileiro Feminino de Asa Delta pela piloto Flavinha com um voo de 225 kms.
Wednesday, November 14, 2007
461,6 kms - Novo recorde do Mundo de Parapente
O recorde do mundo de parapente foi batido!!!!!!!
Os pilotos estavam aos 1900m às 16.30 e tinham feito 420 kms. O recorde já era! Por aqui estivémos a fazer apostas para a distância do recorde ???? :-) Teoricamente eles tinham mais uma hora de voo pela frente e não brincam em serviço!
Os três pilotos acabaram de aterrar juntos e fizeram 461,6 kms. Foi um dia atípico onde ninguém acreditava que hoje pudesse ser possível. As primeiras horas de voo foram lentas, mas entrou uma frente fria a meio do dia que os deve ter empurrado em frente na fase final do voo.
Inté
Paulo Reis, Carlos Brazuka, Gil Navalho, João Brito e Gonçalo Velez.
Os pilotos estavam aos 1900m às 16.30 e tinham feito 420 kms. O recorde já era! Por aqui estivémos a fazer apostas para a distância do recorde ???? :-) Teoricamente eles tinham mais uma hora de voo pela frente e não brincam em serviço!
Os três pilotos acabaram de aterrar juntos e fizeram 461,6 kms. Foi um dia atípico onde ninguém acreditava que hoje pudesse ser possível. As primeiras horas de voo foram lentas, mas entrou uma frente fria a meio do dia que os deve ter empurrado em frente na fase final do voo.
Inté
Paulo Reis, Carlos Brazuka, Gil Navalho, João Brito e Gonçalo Velez.
Recorde do Mundo batido em Quixadá
Foi batido o Recorde do Mundo de Parapente de distância livre pelos pilotos da equipa SOL, Frank Brown, Marcelo Prieto (Ceceu) e Rafael Saladini (Sardinha). Os 3 pilotos ainda estão a voar e já passaram a marca do recorde anterior. Segundo as últimas notícias ainda ainda poderão ter uma hora de voo pela frente, pelo que o recorde se pode aproximar dos 480 kms.
X-Ceará - Dia 3 (Possível dia de recorde do mundo)
Neste exacto momento, ás 14.20h da tarde (local), os 3 pilotos da equipa Sol (ceceu, Frank Brown e Rafael Saladini), continuam em voo por baixo de uma núvem á sombra com 380 kms completos. Ainda têm 1.30h ou 2.00h de voo possível pela frente. É bem possível que caia hoje o recorde do mundo de Parapente?????
X-Ceará - Dia 3 (Possível dia de recorde do mundo)
Hoje, acabámos de ter a notícia que até ao momento o Gil Navalho está em 3º lugar da classificação geral provisória, Tomas Brauner (Checo) em 1º e Brett Zaengelein (Americano) em 2º.
Neste exacto momento (17.30h hora Portuguesa), estão 4 pilotos em voo com 280 kms feitos e ainda com 4.30h para voar pela frente. Esses pilotos são o: Frank Brown, Ceceu, Rafael Saladini e André Modelo. Toda a gente por aqui acha que é hoje o dia em que o recorde vai cair!
Neste terceiro dia o Paulo Reis, João Brito, Gil Navalho, descolámos bem cedo, ainda antes das 8.00h da manhã e após a saída para distância dos quatro primeiros pilotos, conseguimos sair juntamente com o grupo dos "caça recordes". O Gil conseguiu seguir com eles, mas eu e o João atrasámo-nos um pouco, pois este pessoal anda com um ritmo muito elevado e é dificil acompanhar. Também houve um momento de excitação depois de assistirmos a uma cascata de incidentes com um piloto, que seguia à nossa frente e que felizmente foi resolvido perto do chão e o piloto seguiu a voar.
O Carlos Brazuka descolou com o Tomas Browner e o Bratt Zangelain (1º e 2º classificados da prova) e deixou-os ficar aterrados logo atrás da descolagem e seguiu voando. Ficando a meio caminho entre Quixadá e Madalena, local onde ficou também o Paulo Reis e o João Brito ficou uns 10 kms à frente de ambos. O Paulo Reis esteve a fazer termo-dinâmico em frente a uns rochedos a 100 m do chão de acelerador a fundo e mesmo assim teve de se atirar para trás da encosta. Neste dia andava-se a 80-90 kms/h com vento de costas.
O Paulo Reis ainda conseguiu apanhar uma boleia de uma carrinha e fazer um segundo voo, já com muito vento e alguns Cb´s a formarem-se. O Vário do Compeo, marcou 106kms/h de velocidade máxima a certa altura. Deve ter sido dos últimos pilotos a descolarem, pois o vento já estava muito forte, tendo de avançar de acelerador a fundo, com o céu todo tapado e poucas ascendências, tendo aterrado de novo na mesma zona do primeiro voo, juntamente com algumas Asas Delta com quem voou. O João Brito esteve a socorrer um piloto que se acidentou perto dele ao aterrar com vento forte. Á partida não deve ser nada de grave e o socorro foi rápido e eficaz! Não temos notícias do Gonçalo que foi mais tarde para a rampa???? O Carlos Brazuka está a receber um massagem aqui no hotel e eu devo ir a seguir! Estivémos a tomar banho na psicina e o João Brito está a dormir numa rede com uma paisagem fantástica. Se pudermos daremos notícias do voo do Gonçalo. O Gil acabou de chegar e aterrou em Madalena (60 kms).
Neste exacto momento (17.30h hora Portuguesa), estão 4 pilotos em voo com 280 kms feitos e ainda com 4.30h para voar pela frente. Esses pilotos são o: Frank Brown, Ceceu, Rafael Saladini e André Modelo. Toda a gente por aqui acha que é hoje o dia em que o recorde vai cair!
Neste terceiro dia o Paulo Reis, João Brito, Gil Navalho, descolámos bem cedo, ainda antes das 8.00h da manhã e após a saída para distância dos quatro primeiros pilotos, conseguimos sair juntamente com o grupo dos "caça recordes". O Gil conseguiu seguir com eles, mas eu e o João atrasámo-nos um pouco, pois este pessoal anda com um ritmo muito elevado e é dificil acompanhar. Também houve um momento de excitação depois de assistirmos a uma cascata de incidentes com um piloto, que seguia à nossa frente e que felizmente foi resolvido perto do chão e o piloto seguiu a voar.
O Carlos Brazuka descolou com o Tomas Browner e o Bratt Zangelain (1º e 2º classificados da prova) e deixou-os ficar aterrados logo atrás da descolagem e seguiu voando. Ficando a meio caminho entre Quixadá e Madalena, local onde ficou também o Paulo Reis e o João Brito ficou uns 10 kms à frente de ambos. O Paulo Reis esteve a fazer termo-dinâmico em frente a uns rochedos a 100 m do chão de acelerador a fundo e mesmo assim teve de se atirar para trás da encosta. Neste dia andava-se a 80-90 kms/h com vento de costas.
O Paulo Reis ainda conseguiu apanhar uma boleia de uma carrinha e fazer um segundo voo, já com muito vento e alguns Cb´s a formarem-se. O Vário do Compeo, marcou 106kms/h de velocidade máxima a certa altura. Deve ter sido dos últimos pilotos a descolarem, pois o vento já estava muito forte, tendo de avançar de acelerador a fundo, com o céu todo tapado e poucas ascendências, tendo aterrado de novo na mesma zona do primeiro voo, juntamente com algumas Asas Delta com quem voou. O João Brito esteve a socorrer um piloto que se acidentou perto dele ao aterrar com vento forte. Á partida não deve ser nada de grave e o socorro foi rápido e eficaz! Não temos notícias do Gonçalo que foi mais tarde para a rampa???? O Carlos Brazuka está a receber um massagem aqui no hotel e eu devo ir a seguir! Estivémos a tomar banho na psicina e o João Brito está a dormir numa rede com uma paisagem fantástica. Se pudermos daremos notícias do voo do Gonçalo. O Gil acabou de chegar e aterrou em Madalena (60 kms).
X-Ceará - Dia 2
No segundo dia chegámos às 7.30h à rampa e o vento atingia picos de 68 kms/h. Entre deltas e parapentes, apenas descolaram 12 pilotos durante todo o dia. A manga não foi válida por não terem descolado os 20% dos pilotos necessários. O primeiro a descolar foi o Frank Brown, que descolou no meio da ventania e foi aterrar a 60 kms daqui em Madalena. O dia ficou azul muito cedo, o vento tardou em diminuir e a maior parte dos pilotos abandonou a rampa incluindo nós. Neste dia, ouve um lançamento de reserva dum piloto brasileiro que não sofreu nenhuma lesão. O Gonçalo Velez foi o único resistente (entre os Tugas) e esperou até às 2.30h para fazer um voo e mesmo assim conseguiu fazer 120 kms, aterrando já de noite e andou perdido. Foi resgatado e chegou ao hotel por volta das 3.00h da manhã! Aproveitamos para conecer a cidade, beber uma água de côco gelada, almoçar num buffet de carnes, etc... O Gil Navalho passou o dia a dormir, pois estava de rastos depois do voo estenuante do dia anterior.
Monday, November 12, 2007
X-Ceará em directo amanhã às 11.00 da noite.
Pessoal,
Quem quiser acompanhar em directo na internet o filme do X-Ceará basta acessar o website Terminal X às 11.00h da noite (hora portuguesa). Vão passar o filme e podem participar num chat com os pilotos que estiverem por cá.
Http://www.terminalx.com.br
Quem quiser acompanhar em directo na internet o filme do X-Ceará basta acessar o website Terminal X às 11.00h da noite (hora portuguesa). Vão passar o filme e podem participar num chat com os pilotos que estiverem por cá.
Http://www.terminalx.com.br
Primeiro dia de prova - Um Tuga em grande
O Gil Navalho deve ter sido o 3º piloto a voar mais longe no dia, entre Parapentes e Asa Delta. Ainda não sabemos, mas é bem possivel que tenha sido o 2º entre os parapentes. Segundo o Gil, ele voou 275 kms em 8.50h.
Chegámos à descolagem por volta das 7.30h na altura em que descolavam os primeiros pliotos. Neste grupo estvama os pilotos brasieleiros que bateram recordes nas semanas anteriores e o Frank Brown. O grupo acabaria por aterrar quase todo a 60 kms. Descolámos pouco depois deste grupo e o Gil foi o primeiro a sair para distância e todos os outros em seguida. Ainda não tivémos notícias do Gonçalo Velez, mas o Paulo Reis aterrou muito perto da rampa depois de esperar cerca de 1.00h em frente à descolagem que as condições melhorassem antes de sair. O Brazuka fez 60 kms e o João Brito fez 67 kms e aterraram perto da povoação de Madalena, onde ficaram muitos pilotos aterrados.
O voo aqui é muito técnico e temos de tomar muitas decisões, sendo que a descolagem deve ser feita cedo com condições fracas, pois o vento em seguida aumenta. As boas condições apenas melhoram a partir das 11.00h e até lá é sobrevivência pura com tectos baixos. A decisão de partir sozinho para distância pode ser a "morte do artista"
Vamos jantar e dormir, pois amanhã há mais, esperamos que o Gil chegue a tempo e em condições para voar outra vez amanhã?
Chegámos à descolagem por volta das 7.30h na altura em que descolavam os primeiros pliotos. Neste grupo estvama os pilotos brasieleiros que bateram recordes nas semanas anteriores e o Frank Brown. O grupo acabaria por aterrar quase todo a 60 kms. Descolámos pouco depois deste grupo e o Gil foi o primeiro a sair para distância e todos os outros em seguida. Ainda não tivémos notícias do Gonçalo Velez, mas o Paulo Reis aterrou muito perto da rampa depois de esperar cerca de 1.00h em frente à descolagem que as condições melhorassem antes de sair. O Brazuka fez 60 kms e o João Brito fez 67 kms e aterraram perto da povoação de Madalena, onde ficaram muitos pilotos aterrados.
O voo aqui é muito técnico e temos de tomar muitas decisões, sendo que a descolagem deve ser feita cedo com condições fracas, pois o vento em seguida aumenta. As boas condições apenas melhoram a partir das 11.00h e até lá é sobrevivência pura com tectos baixos. A decisão de partir sozinho para distância pode ser a "morte do artista"
Vamos jantar e dormir, pois amanhã há mais, esperamos que o Gil chegue a tempo e em condições para voar outra vez amanhã?
Sunday, November 11, 2007
Voo de Quixadá a Quixeramobim
O voo de treio no foi bastante agradável, 4 pilotos Tugas chegaram ao golo e o ùnico que não chegou, ficou perto. Descolámos por volta das 13.00h e embora estivessem ciclos fortes todos conseguimos descolar sem problemas de maior, tecto a 2300m, térmicas falhadas junto ao chão. O Carlos Brazuka ganhou a manga, o Paulo Reis foi segundo e o Gonçalo Velez quarto. O Gil engonhou para treinar e atrasou-se a chegar ao golo. O patrocinador está satisfeito com os resultados da "Team Outsider" :-) Foi pena isto não valer para nada hoje e amanhã começa a prova. Depois do voo tivémos direito aum valente Churrasco em Quxeramobim e agora (8.30h)estamos a jantar para ir dormir a seguir, pois planeamos ir para a descolagem por volta das 7.00h da manhã. Os pilotos que descolaram esta manhã cedo fizeram 180 kms e desitiram do voo, pois a média de voo não ia dar para bater o recorde e preferiram poupar-se para amanhã. Estão 65 pilotos inscritos e ainda estão a chegar mais alguns.
A paisagem é totalmente diferente daquilo que estamos habituados. Sofre-se bastante de desidratação e temos de ter cuidados redobrados e beber abundantemente. O pessoal está todo a levar 2 camel backs para o voo (cerca de 5 litradas só para o caminho).
Estamos todos ansiosos por enfrentar um voo de muitas horas. Por isso se amanhã não houver novas para o pessoal é porque ainda estamos a ser recolhidos...
Navalho, Outsider
A paisagem é totalmente diferente daquilo que estamos habituados. Sofre-se bastante de desidratação e temos de ter cuidados redobrados e beber abundantemente. O pessoal está todo a levar 2 camel backs para o voo (cerca de 5 litradas só para o caminho).
Estamos todos ansiosos por enfrentar um voo de muitas horas. Por isso se amanhã não houver novas para o pessoal é porque ainda estamos a ser recolhidos...
Navalho, Outsider
X-Ceará - Dias de treino
Chegámos ontém a Quixada, depois dum dia de relax em Fortaleza onde nos reunimos (todos os tugas) e entretivémo-nos a fazer compras e a descontrarir na praia. Ainda chegámos a tempo de fazer um voo de final de dia ontém, com vento fraco. Hoje despertámos com a visão de 6 parapentes (equipa SOL) no ar às 7.00h da manhã naquilo que parecia ser um bom dia. Eles estavam preparados para sair para distância. Nós infelizmente não pudémos voar, pois tivémos de tratar das inscrições, briefings, etc...
Ficámos frustrados, pois já são 11.30h, ainda estamos à espera do briefing e as coisas estão atrasadas. Hoje temos uma provinha curta de 36 kms (extra competição) para irmos aterrar num belo local para almoçarmos numa fazenda.
Amanhã começam as hostilidades, embora hoje já muitos pilotos (fora da prova) vão fazer muitos kms. Estão por cá muitos mais pilotos que no ano anterior e a semana passada houve vários voos de 350 kms. O pessoal anda a dormir bastante e a descansar para estarmos preparadas para as longas horas de voo que pretendemos voar.
Ficámos frustrados, pois já são 11.30h, ainda estamos à espera do briefing e as coisas estão atrasadas. Hoje temos uma provinha curta de 36 kms (extra competição) para irmos aterrar num belo local para almoçarmos numa fazenda.
Amanhã começam as hostilidades, embora hoje já muitos pilotos (fora da prova) vão fazer muitos kms. Estão por cá muitos mais pilotos que no ano anterior e a semana passada houve vários voos de 350 kms. O pessoal anda a dormir bastante e a descansar para estarmos preparadas para as longas horas de voo que pretendemos voar.
Wednesday, November 07, 2007
Faltam apenas alguns dias para o X-Ceará 2007
Estou de partida dentro de algumas horas para O Brasil, para me juntar em Fortaleza aos restantes pilotos Portugueses que já estão por lá a praticar Kite-Surf. No dia 9 à noite vamos ter a festa de abertura do evento em Fortaleza e na manhã seguinte a caravana do X-Ceará parte para Quixadá onde faremos o primeiro voo de treino.
Todos os pilotos Portugueses têm acesso a enviar mensagens através deste Blog. Tentaremos actualizar e enviar notícias por aqui! Não sei se será possível? Não custa tentar?
Enquanto não existem novidades, podem ver as imagens captadas no evento ano passado, nesse local do Sertão Nordestino, mais concretamente em Quixadá (Estado de Ceará, Brasil).
Até breve,
Paulo Reis
Todos os pilotos Portugueses têm acesso a enviar mensagens através deste Blog. Tentaremos actualizar e enviar notícias por aqui! Não sei se será possível? Não custa tentar?
Enquanto não existem novidades, podem ver as imagens captadas no evento ano passado, nesse local do Sertão Nordestino, mais concretamente em Quixadá (Estado de Ceará, Brasil).
Até breve,
Paulo Reis
Sunday, November 04, 2007
Enfim, os 300 kms (Texto de Olympio Faissol)
Com dois vôos de mais de 9 horas em Quixadá, realizei por mais de uma vez meu sonho de voar 300 km. Os vôos, de 358 km e 335 km, podem ser visualizados aqui:Deixarei os relatos para algum momento tedioso de inverno.
Quixadá realmente é o céu e o inferno. No primeiro dia, em que o Rafa bateu o recorde sul-americano, com 397km, pousei às 8h00. Voltei correndo de moto-taxi para a rampa. Na segunda descolagem, puxei a vela no momento equivocado e voei de ré para o rotor - uma experiência bastante desagradável.
No dia seguinte, a condição estava ainda melhor, com mais nuvens e organizada. Fiz 100km em 2 horas, caindo às 11h00, num venturi ao norte de Tabosa. No momento em que caí, pensava se teria de passar pela mesma, horrenda desilusão do ano passado. Não voltaríamos a ter um dia tão especial como aquele...
Continuei a lutar, mas a condição insistia em azular por volta das 11h00, quando as térmicas passavam a ser falhadas e com cisalhamento. E aí surgia o dilema: seguir lentamente pelo azul ou descansar para o próximo dia?
Somente no domingo (21/10), cravaria os 300. Nesse dia, foi o Rafa quem caiu cedo. Juntos teríamos feito muito mais do que os 335 km que voei (em zig-zag). Cheguei em Piripiri por volta das 16h15, com uma hora e quinze de voo pela frente. Mas um congestus enorme desaguava sobre a planície no Piauí, fechando a rota para Barras, que estava a um planeio. Não importa, já estava satisfeito.
A verdade é que nenhum dos dias em que voamos foi completo (vento forte e alinhado ao longo da rota, cumulus abundantes e ausência de cirrus). No dia seguinte ao meu vôo, o Cecéu bateu a marca do Rafa, voando 414 km, o primeiro voo de mais de 400 em território brasileiro. Pegou cirrus na perna final, vendo as chances de derrubar o recorde mundial irem por água abaixo. Uma pena... Mas é muito provável que o recorde caia em território brasileiro nos próximos dias.
Meu segundo voo longo, de 358 km, foi uma lição de que só se pode dar o dia por terminado ao colocar os pés no chão. O voo começou com condições clássicas, mas azulou no km 70. Daí em diante fui me arrastando pelo azul até pouco antes de Crateús (rota para leste, um pouco ao sul da tradicional). A condição voltou a arredondar somente no km 160, quando já havia salvo o dia a menos de 50m do chão. Nesse dia, o cirrus voltou a nos atrapalhar. Pousei às 17h00, ou seja, não fiz o planeio final, porque a última térmica do dia já era muito fraca para me tirar do chão. O Rafa, que voava uns 15km à minha frente, dispensou o lastro, pousando às 17h40, com 398km.
Nada como a ambição humana... Agora é natural querer os 400. Mas a verdade é que - como disse um escritor mexicano - a Deusa do êxito é uma puta. Sempre haverá pilotos voando mais longe e mais rápido... Quem se apegar demais às cifras, fatalmente terá decepções.
Olhando para trás e fazendo uma retrospectiva dos últimos 6 anos, em que o cross-country tornou secundários todos meus demais interesses, voar mais de 300km terá sido o ponto alto da jornada. E, ainda assim, é uma parte pequena dos muitos momentos espetaculares que esse esporte me proporcionou.
Definitivamente, para mim, o vôo de distância livre põe em cheque qualquer concepção do que seriam, para aqueles que não voam, as férias ideais. Um dia, quando for obrigado a ver pontos turísticos, visitar restaurantes e museus, lembrarei dos gloriosos dias de XC. E, então, olharei com certa incomodidade para o céu e as nuvens, tentando afastar, em vão, a nostalgia dos bons tempos...
Olympio Faissol
Wednesday, October 31, 2007
Relato de Rafael Saladini (mais um voo de 398 kms).
Link directo para visualizar o voo do Rafael Saladini de 398 kms realizado no dia 27 de Outubro de 2007.Link directo para visualizar o voo do Olympio Fayssol de 358 kms realizado no dia 27 de Outubro de 2007.
Acordamos sem muitas pretensões. Uma cmada de estratos forte tapava boa parte do céu. Não existe maneira de saber se o dia será bom sem ir para a rampa. Portanto, mantivémos a disciplina e subimos no mesmo horário de sempre. Os estratos rapidamente começaram a dissipar e as formações matinais melhoraram muito o cenário.
Foi a decolagem mais cedo da minha vida: 6:55h. Oly e Cecéu descolaram dez minutos depois e logo nos encontrámos acima da rampa. Tecto do dia nos tradicionais 800m do chão e a deriva nos levando para sudoeste em direção à rota de Crateús. Formações gordas e com uma actividade constante deram um pequeno exemplo do que seria aquele dia.
No início fiquei um pouco desanimado por nunca ter voado tão longe naquela rota. Para mim, por pura ignorância, não seria um dia que o voo renderia o bastante para voar 430km. Errado. Existem sim muitos buracos e serras que podem atrapalhar a velocidade de cruzeiro, mas também existem passagens que acredito serem o segredo dessa rota. Aprendi voando.
Logo na terceira térmica nos separamos. Na cadeia de monólitos atrás da rampa, os três derivavam com uma bolha muito fraca em direção ao rotor das pedras e para completar ainda havia um juremal daqueles embaixo. Decidi então arriscar sozinho. Uma decisão que facilmente poderia ter me colocado no chão, para fugir daquele impasse e apanhar uma linha de nuvens mais aberta pelo flat em cima do asfalto de Quixeramobim. Deu certo.
Cecéu e Oly derivaram tanto que logo não conseguiam mais penetrar naquele vento Nordeste, canalizado pelos venturis formados pelos Monólitos naquele início de rota, e não conseguiram juntar-se a mim. Não tiveram outra saída a não ser encarar o rotor dos monólitos e tentar salvar o voo por lá mesmo. Enfrentaram uma turbulência desagradável, mas conseguiram encontrar uma saída daquele buraco de juremas.
A partir desse ponto não nos encontrámos mais em voo, com Cecéu e Oly voando pelo topo da cadeia de monólitos à minha direita, e eu sempre aberto pelo flat. Minha rota estava escrita, com um alinhamento de nuvens a 1.000m do chão funcionando perfeitamente e acelerando meus kms iniciais do voo. Mesmo conservador, consegui chegar a Quixeramobim rápido e logo estava a caminho de Boa Viagem.
Cecéu acabou se separando do Oly esticando na frente para tentar emparelhar em rotas diferentes e assim se aproximar de mim em poucos kms. Acabou extremamente baixo para a hora, numa situação complicada, no rotor da serra e sem conseguir subir. Definitivamente a minha decisão lá na terceira térmica do dia me trouxe uma vantagem significativa de posicionamento naquele momento. Além de conseguir percorrer toda a linha rendendo muito bem, me deixou numa posição que me conectou diretamente com outro cloud street logo após Quixeramobim, enquanto Cecéu e Oly acabaram numa região sombreada e atrasaram-se muito.
Os planeios até Boa Viagem renderam bem e fiquei baixo apenas uma vez, logo antes da cidade. Foi um momento delicado, com boa parte da área sombreada e poucas opções obvias de gatilhos. Consegui sair com dificuldade e logo cruzava pela esquerda da cidade, onde de novo consegui voltar à base da nuvem (tecto de 1400m). Cecéu nesse ponto havia recuperado bastante tempo e já se aproximava rápido, tentando conectar comigo para voarmos juntos. Porém, um pouco impaciente, acabou dispensando a sua última bolha de 1,5m/s acreditando que pudesse subir mais forte logo à frente. Caiu às 10:30h.
Com a queda do Cecéu, um desânimo quase me fez cair. O Oly estava 15 km atrás e eu não podia esperá-lo. Outro ponto que me incomodava era que não conhecia mais nada a partir daquele ponto e já havia passado momentos de turbulência severa naquela região em voos anteriores.
Antes de me aventurar pelas serras logo após Boa Viagem, resolvi analisar bem os vales e tentei imaginar os venturis. Muitos vales ali possuem uma tendência nítida de canalizar o vento meteorológico, gerando um cisalhamento forte numa determinada altura, o que pode ser perigoso para pilotos desavisados. Essa análise me posicionou bem para cruzar a serra, e não tive que enfrentar as saias transversais à rota, causa principal da turbulência.
Cheguei a um ponto em que não existe mais opções para evitar as serras, me obrigando a ganhar bastante altura para cruzar a parede com segurança. Por ser uma parede bem formada e com face virada para Leste, era um gatilho perfeito. Coloquei para dentro da núvem e decidi que deveria seguir o voo mesmo sem o Cecéu. A condição parecia redonda e eu não queria desperdiçar aquele dia.
Em dois planeios minha motivação foi sofrendo um revés forte, com uns cirros já tomando conta do horizonte e a condição azulando. Meu objectivo acabou mudando e resolvi que deveria sobreviver até Crateús para almoçar bem por lá. De Boa Viagem para Crateús existe uma área grande pouco habitada e repleta de juremas, com uma única estrada de terra ligando vilas solitárias. Fiquei baixo nessa estrada, pensando que estaria no chão em questão de minutos. Como tinha contacto directo com o resgate, fiquei bem tranquilo. Acabei rastejando por alguns quilómetros e mesmo no azul consegui salvar-me daquela roubada. Oly também não decepcionou, vindo sempre no mesmo ritmo logo atrás de mim.
Sobrevivemos bem até Crateús, separados mas rendendo bem, com o Oly fazendo uma rota um pouco mais pela direita. A condição começou a arredondar bem em Crateús e como a média de velocidade estava boa, resolvi seguir adiante. Em pouco tempo cruzei meu segundo obstáculo, a mesma cordilheira de Poranga mais ao Sul, por Tucuns. Logo estava me deliciando com os canhões fortes que desprendiam do platô, o que acelerou um pouco minha média durante 20 km.
Chegando ao km 300 de voo, o cansaço começou a pegar. Nessa altura do dia, já estava com 8 horas de voo e ainda restavam quase 3 horas de sol. Os 430 km eram perfeitamente possíveis se eu não cometesse mais nenhum erro. Fiz um esforço grande para continuar focado, comendo e me hidratando bem para não deixar o meu ritmo cair. Durante um bom tempo não ficava baixo e acabei cometendo erros logo antes de Castelo do Piauí, onde quase caí. Eram 15h30min e ainda tinha bastante tempo.
O tecto às 15h30m já batia a casa dos 3.000m do chão. Pra quem acha que isso é vantagem, eu pessoalmente discordo. A distância entre as térmicas triplica em relação à manhã, deixando as transições bem mais longas e mais susceptíveis a erro. Esse espaçamento das térmicas ocorre progressivamente durante o voo, e o piloto deve estar preparado para adequar-se a isso. A displicência de cruzar buracos azuis acreditando estar alto suficiente para pegar a próxima pode ser perigoso.
Quando cheguei ao km 340 de voo dei-me conta de que me havia atrasado, e tirando um pouco a esperança de bater os 430 km. Já o Cecéu, que me acompanhava de baixo acreditava que o recorde cairia naquela tarde. A condição estava boa, mas ele me superestimou. Errei algumas vezes no final e acabei me atrasando muito. O Oly também se atrasava constantemente em voo, chegando a ficar por vezes 20km atrás. Meu objectivo passou a ser os 400km.
Por volta do km 360, mesmo sob influência dos cirros, a actividade térmica ainda funcionava bem. Quase cometi um erro fatal que me colocaria no chão às 16h30m. Concentrei-me tanto para não cair que fiquei girando num zerinho por um bom tempo antes de conseguir subir. Mais um erro que me tirou minutos preciosos. Derivei por uns 15 km até ganhar altura, e pelas minhas experiências anteriores de planeios no fim de tarde, para bater os 400kms a partir daquele ponto eu deveria apenas colocar 2500m de altura. Errado.
Nesse momento (17:00h), Oly pousava no km 360, logo antes de Beneditinos, satisfeito com mais um grande voo em seu currículo. Também passou por momentos tensos, muito baixo com mares e mares de juremas logo abaixo. Mais um voo para recordar e uma rota inédita para ele.
Fiz o meu último planeio, saindo de cima da cidade de Beneditinos, com 2600m de altura, já não conseguindo subir mais. Comecei meu último planeio comemorando que havia feito os 400kms. Uma grande ilusão. Saí afundando muito sem entender o que estava acontecendo, afinal eram 17:20h e já não havia mais muita actividade. Teoricamente era pra render muito, mas me renderam apenas vinte e poucos km. Frustrante.
Nos últimos trezentos metros de altura, estiquei para uma estradinha de terra em direcção a vila Lagoa do Piauí (km 415). Nunca tive altura para chegar lá, mas nunca imaginei que fosse ficar tão longe da vila. Resolvi abandonar um pouso mais confortável ao lado de uma casa, para esticar o planeio até onde desse e paguei um preço caro por isso. Em vinte minutos, o sol se pôs completamente e a Lua cheia ainda não havia nascido, uma escuridão desagradável para quem não sabia onde estava e também não tinha ninguém para perguntar. Meu último contacto com o resgate foi logo antes de pousar e fiquei sem falar com o Dióclecio até as 19:30h, ali no meio do nada.
Relutei em caminhar para a casa por causa da escuridão. De cima tudo é tão obvio, as estradas parecem tão simples, mas do chão os parâmetros mudam completamente, ainda mais naquela escuridão total. A "estrada de terra" na verdade não era uma estrada, e sim uma trilha toda acidentada que mal passava um 4x4. Como estava muito cansado e meu ombro estava fadigado, inflamando e doendo muito, por comodidade, resolvi confiar que o Dió chegaria a mim.
Amarrei minha rede em duas árvores e fiquei descansando torcendo para o Dió me achar. Passou-se duas horas que havia pousado e a ansiedade começava a bater. Resolvi que deveria alimentar-me bem. Tinha um litro de água, três barrinhas e uma lata de atum. Meu desgaste em voo havia sido pesado e comecei a sentir-me meio tonto e sonolento. Tirei um cochilo de quinze minutos com o rádio colado nos meus ouvidos. Fui acordado com o resgate tentando contato por volta das 19:30h. As poucas palavras que falei com o Dió me tranquilizaram, afinal ficar no meio do sertão sozinho durante duas horas, sem contacto, na escuridão total e passando mal de cansaço, não é agradável. A Lua cheia começava a nascer, um alívio.
Às 20:00h fui contactado pelo Dió que me informou uma posição apenas 9kms de mim. Comi minha última barrinha e tomei meus últimos goles de água já na certeza de sair dali rápido. Às 21:00h a mesma voz me esclareceu a real situação. Estavam andando em um labirinto onde todos os caminhos terminavam em cercas e propriedades. Era necessário descobrir o nome do local, foi então que resolvi pegar meu GPS, marcar o ponto da minha vela e sair andando naquele caminho de vaca. Caminhei 3 km e cheguei numa casa. Tudo escuro e ninguém ao redor, me deu um medo daquela casa estar abandonada. Gritei e um senhor, muito relutante, resolveu levantar de sua cama para me atender.
Descobri que para chegar a mim o carro deveria dar uma volta enorme até Teresina e voltar através de Lagoa do Piauí. O senhor ma avisou que também havia a possibilidade de caminhar dois km através de uma mata para chegar a outra estrada que encurtaria o tempo em algumas horas. Optei pelo mais rápido. Voltei correndo e busquei minha vela. Até voltar para a fazenda com o equipamento nas costas, já eram 22:00h. Faltavam ainda os tais dois km mata adentro. A explicação do senhor parecia muito simples, mas no caminho tudo parecia confuso. Perdi-me pelas trilhas e em pouco tempo havia perdido a referência.
Eram 22:30h e finalmente encontrei uma casa, após estar completamente perdido naquela mata escura por meia-hora, e ainda passar por um cemitério no meio do nada que me deixou arrepiado. Os locais me guiaram por uma ladeira de pedras que levaria à estrada. Só às 22:50h foi a hora que enxerguei o farol do carro anunciando o sucesso do resgate. Demorou e desgastou, mas foi um sucesso. Tiveram momentos que tive certeza que dormiria no mato. Era um prazer rever meus amigos.
Acordei às 5:30h, descolei às 6:55h, voei durante 10 horas e 40 minutos, pousei as 17:40h, esperei até as 21:00h e caminhei até as 23:00h. Enfim, começamos a voltar para casa. Parámos para comer e decidimos tocar direto para Quixadá madrugada adentro. Chegámos ao hotel às 07h30m do dia 28 de Outubro. Foram 26 horas no ar.
Mais um voo de "quase" 400 km. Total de 398,3km, meu recorde pessoal, mas ainda assim um pouco frustrante para mim. Mais uma vez na trave. Os 400 km não saíram.
A esperança continua...
Afinal amanhã tem mais...
Rafael Saladini
Friday, October 26, 2007
Relato do recordista Marcelo "Ceceu" Prieto - 414 km
Link directo para visualizar o voo de 414 kmsChegamos à rampa por volta das 7:00h e verificamos que o vento estava perfeito para descolar. Resolvemos descolar o mais cedo possível para evitar uma descolagem perigosa mais tarde, quando a atividade térmica se soma ao vento.
O dia amanheceu azul prometendo condições perfeitas para bater o recorde. No entanto, durante os momentos iniciais do voo, o cenário foi mudando radicalmente, com uma camada de estratos densa condensando acima dos primeiros cumulus do dia e sombreando a rota. Um desânimo inicial quase atrapalhou o dia que proporcionaria o primeiro voo acima de 400km no Brasil.
Resolvemos nos manter acima da descolagem e esperar para fazer a primeira tirada, para não correr o risco de um prego matinal, o que seria desastroso. Decidimos enrolar até as 8:10h para garantir uma saída mais confortável. Decisão que talvez tenha salvado o dia.
Nos primeiros 20 km, chegamos a ficar baixo algumas vezes, com chances enormes de aterrar logo cedo. Porém o dia não nos decepcionou e conseguimos nos arrastar até ao km 50. Após um início complicado e muito difícil, pensávamos que já não cairíamos mais. Essa confiança toda nos traiu quando tomamos a primeira decisão errada do dia, onde acabamos ficando quase no chão logo antes de Madalena (km 60), abaixo de um cumulo que aparentava actividade, mas que já se dissipava.
Nossa dupla, Rafael e eu, trabalhamos muito bem no início, salvando o voo algumas vezes. Infelizmente, o trabalho de grupo acabou ali, com o Rafael aterrando às 10:15h.
O Céu a essa hora já prometia, com um alinhamento muito bem formado até Monsenhor Tabosa (km 120). Consegui seguir essa linha até o final, no pé da cordilheira de Tabosa.
Ao chegar à Serra de Tabosa, não conseguia entender porque o vento havia inclinado na direcção sudoeste, me jogando para a esquerda da cordilheira, local que não acredito ser dos mais seguros, principalmente com vento nordeste.
Cheguei a ficar a duzentos metros do chão na esquerda do platô de Tabosa. Nem podia imaginar onde estava me metendo. Em poucos minutos me dei conta de que aquele local, um venturi no ponto mais alto da serra, não era local seguro para voar. Uma sessão de colapsos e avanços fortíssimos chegou a fazer com que, por um breve momento, só quisesse encontrar uma aterragem segura.
Durante quinze minutos, imaginei jogar o reserva e salvar-me daquela situação horrorosa e totalmente sem controle na qual havia me metido. Mas consegui manter a frieza até ser cuspido para a planície de Tamboril. Passado o terror da Serra de Tabosa, tive a impressão de que dali em diante tudo melhoraria e que o voo ficaria mais seguro.
O tecto subiu para 3.000m do mar logo às 11:30h, o que me permitiu aumentar muito a média de velocidade até a Serra de Poranga (km 200). Em Ipaporanga, logo antes da serra, peguei a térmica mais forte da minha vida, com picos de 13 m/s e média (5s) de 10,5m/s. Pulei para o platô de Poranga pela esquerda da cidade numa altura confortável. Imaginei que se o voo rendesse ali, o recorde estaria garantido.
O único "porém" foi que o vento não estava alinhado com a rota tradicional (a de Pedro II), me jogando mais ao sul, região que desconhecia e que n¦ão aparentava ter muitas opções de aterragem e quase nenhuma estrada. Meu segundo momento de terror estava por vir. Um mar de juremas me esperava logo abaixo. Acabei errando e entrando numa descendente forte que quase me derrubou, me deixando a cem metros do chão, completamente vendido. A última opção de aterragem estava logo à minha frente e eu derivava com uma bolha muito fraca (0,5m/s) tentando subir pela última vez antes de optar pela aterragem.
Quando me aproximei da última clareira, tentei voar contra-vento para aterrar nela. Não foi uma boa ideia, pois comecei a voar para trás e percebi que se continuasse tentando acabaria nas juremas do mesmo jeito. A bolha era a minha única saída daquela situação, pois se aterrasse ali só me restaria uma opção: dormir no mato até que o resgate, com a ajuda de alguns locais da região, conseguisse me localizar e abrir caminho naquele labirinto de juremas. Com o estómago retorcido e muito baixo, mal conseguia passar minha posição para o resgate.
Resolvi que nada nesse mundo me tiraria daquela bolha, e derivei por uns quinze longos minutos até atingir 700m do chão e só ai consegui respirar novamente. A bolha acabou sumindo e minha opção foi continuar tocando com vento de cauda até encontrar uma aterragem segura.
Avistei algumas casas à minha esquerda e torci para ter altura suficiente para chegar mais perto delas. Foi aí que minha sorte começou a mudar. Arrastei-me em direcção ao povoado, batendo por fim numa bolha um pouco mais forte, que me segurou até que um grupo de urubus me levou até uma boa térmica e me tirou daquele buraco. Minha única vontade naquele momento era colocar na base da nuvem (3.200m) e fugir daquela roubada, mas não cheguei nem perto. Cheguei somente a uns 1.800m do chão, e o ciclo dissipou-se.
Àquela altura já podia voltar a pensar no recorde. Avistei uma nuvem bem formada a uns 8 km de mim e não hesitei em tocar para lá. O Dioclécio (resgate) me avisou que minha média estava óptima. Motivado, encarei umas formações de pedras muito baixo acreditando que salvariam meu voo. Caso isso não ocorresse, ao menos havia uma casa e uma opção segura de aterragem, o que me deixou bem mais tranquilo.
Minha transição não rendeu e acabei voltando a ficar muito baixo em mais um mar de juremas com aquela casa solitária sendo meu único ponto de apoio. Estava quase fazendo aproximação para pousar quando bati numa térmica de 4m/s e acabei ganhando altura suficiente para fazer a transição para a nuvem seguinte. Perguntei para o Dió nesse momento o nome da cidade naquela proa e ele me passou o município de Campo Maior (350 km). Tocando para lá, finalmente voltei a sentir o cheiro de humidade, percorrendo alguns quilómetros na base da nuvem, um presente depois dos momentos de tensão próximos do chão. A possibilidade de bater o recorde sul-americano era grande, pois eram 16:00h e eu já estava no km 360.
Foi então que a sorte mais uma vez não contribuiu, pois no final da linha de nuvens havia um grande buraco azul com uma camada grande e espessa de cirrus sombreando e acabando com a condição prematuramente (16:30h). Segui para o planeio final, na direcção da cidade José de Freitas (390 km), me segurando em bolhas fracas e falhadas para garantir pelo menos os 400km.
Conferindo no GPS, achei um ponto - P01 que acreditei ser a coordenada da rampa. Normalmente, chamo a rampa de P01 em todas as localidades que costumo voar, porém dessa vez não sei o que ocorreu, mas o P01 do meu GPS era a coordenada de um pouso que havia feito em um dos meus pregos nos dias anteriores. Voei meus últimos quilómetros me baseando erroneamente nessa coordenada, acreditando estar perto de transpor a barreira dos 400km, quando na verdade já havia passado dos 400km e já estava fazendo o planeio para os 415km. Só descobri esse facto no dia seguinte.
No planeio final, fiquei sem muita escolha, pois havia um colchão de palmeiras e cajueiros que não me permitiriam um pouso seguro. Após passar por todos aqueles momentos de pura tensão e stress psicológico durante o voo, certamente foi uma decisão corretíssima não esticar o planeio somente para ganhar mais um quilómetro no recorde.
A questão é que o cirrus não me permitiu voltar para a base da nuvem após aquela linha maravilhosa que havia percorrido, por isso fiz de tudo para maximizar meu planeio final e não tive chances de voltar a subir para esticar ainda mais meu voo.
Avisei o Dió que minha marca era de 399km, e nem imaginei que havia feito o voo mais longo da minha vida. Os momentos difíceis e delicados que passei não foram em vão.
Enfim meu sonho realizado após anos de dedicação e muitas temporadas no sertão. Pela primeira vez na história um piloto transpõe a barreira dos 400km descolando de uma rampa natural, sendo esse voo feito por um brasileiro, com equipamento nacional e no Brasil. Sem dúvida um dia pra lá de especial.
Foram 10 horas e 20 minutos de duração para percorrer 415km, decolando de Quixadá-CE e pousando em José de Freitas-PI. A SOL merece depois de anos investindo no desporto, buscando a marca dos 400km no Brasil, quase atingida na semana anterior por meu parceiro e aluno Rafael Saladini, que voando sozinho não atingiu por apenas 2,3 km, o que mostra claramente a evolução no desenvolvimento de seus equipamentos.
Deixo aqui um agradecimento especial para o projectista da SOL André Rottet, que com uma enorme competência conseguiu desenvolver essa asa especial que é o Tracer 11, que me permitiu enfrentar todas as situações extremas desse voo comportando-se de forma excelente para uma asa da categoria. Agradeço ao Ary e Fernando Pradi, por sempre me apoiarem, acreditando em meus sonhos. Obrigado Dióclécio pelo apoio constante, na função de "co-piloto", me estimulando e dando confiança nos momentos mais difíceis. Sua função na expedição XCNordeste é, sem dúvida, de suma importância para a segurança dos pilotos. Agradeço ao meu parceiro André Fleury, que durante muitos anos me acompanhou e me ensinou muito sobre esse lugar. Ao Rafael Saladini pela parceria durante a Expedição XCNordeste e por me ajudar muito durante os momentos iniciais desse e de muitos outros vos. Seguimos nossos sonhos, voando... Abraço a todos.
Marcelo Prieto, o Cecéu.
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Wednesday, October 24, 2007
Recorde Brasileiro e Sul Americano batido pela 2ª vez
Link directo para visualizar o voo de 414 kmsO Recorde Mundial (descolagem a pé), recorde Brasileiro e Sul Americano volta a ser batido pela 2ª vez em menos de uma semana em Quixadá. O piloto Brasileiro Marcelo Prieto (Ceceu) fez no dia 22 de Outubro de 2007 um voo de 414,7 Kms. Ficando a apenas 9 kms de bater o recorde do Mundo de distância livre.
Desta forma o recorde continua na posse do piloto Canadiano Will Gadd com a marca de 423.4 kms, num voo realizado à 5 anos atrás no dia 21/06/2002.
O piloto informou que este foi um voo muito difícil, onde por diversas vezes esteve muito baixo e também sobrevoou áreas sem opções de aterragem. Em breve teremos mais detalhes deste grande voo.

Veja alguns dados dos voos:
Piloto: Marcelo Prieto(Cecéu)
Descolagem: Quixadá- BR
Aterragem: Teresina- BR
Distância livre: 414,7 KM
Duração: 10:22:24
Ascendente: 9.8 m/seg
Descendente: -6.0 m/seg
Altitude máxima: 3333 m
Altitude mínima: 149 m
Altitude da descolagem: 514 m
Ganho de altitude: 2189 m
Velocidade máxima: 90.1 km
Velocidade média:49.5 km
Monday, October 22, 2007
Relato de Rafael Saladini (voo de 397 kms).
O dia começou logo as 5:30h com o despertador incomodando. Pensei durante alguns segundos em desligá-lo e esquecer o fato de que deveria levantar para ir voar. A preguiça me segurou até abrir a cortina do quarto e ver aquele céu azul já com leves formações matinais.Olympio e eu corremos para a mesa do café da manhã e fomos logo apressados por Dioclécio (nosso resgate), que após anos trabalhando no XCeara, sabia que aquele dia poderia ser especial. Saímos do hotel por volta de 6:40h.
No trajeto a rampa, em meio as tradicionais bocejadas pela falta de ritmo de acordar cedo, já começamos a ver as primeiras formações consistentes do dia, o que fez automaticamente a adrenalina começar a correr forte na veia.
Chegamos na rampa as 7:10h e já começamos a correria para decolar o mais cedo possível. Lembro de gritar para o Dió que faria apenas um vôo treino até o município de Nova Russas, pois não estava organizado suficiente para encarar um vôo tão longo. Antes de decolar fiz um check list na minha cabeça e descobri pontos importantes que mereciam atenção. Eu tinha apenas R$6,00 no bolso, meu rádio não estava com bateria 100% carregada e não estava usando sonda para urinar em vôo, mas pensei que era apenas o primeiro dia e não me martirizei pela falta de organização.
Com uma brisinha de 15 km/h, o que me impressionou muito pelo fato de Quixadá ser conhecida por fortes ventos, decolamos sem problemas e logo colocamos 1.000 metros de altura. O jogo de xadrez estava apenas começando.
Durante a manhã a condição é muito falhada, sendo necessária muita paciência e um pouco de sorte para sobreviver às primeiras horas. Nos minutos iniciais do vôo pensei que não conseguiria sobreviver pela falta de ritmo de voar pela manhã. E outra: Os únicos dias que decolei tão cedo eu estava na companhia do Marcelo Prieto, que é um dos pilotos mais especialistas em voar nesse horário. Pensei que talvez tivesse levando o Olympio para um "prego" matinal.
Nossa primeira jogada no tabuleiro foi certíssima, acertamos em cheio a segunda térmica logo atrás da rampa e subimos ao teto de 1.000 metros novamente. Ufa... Nuvens à frente e um alívio ingênuo tomou conta de mim. Com minha confiança prematuramente retomada, aconteceu logo em nosso segundo movimento o que eu temia, ficamos muito baixo e o Olympio acabou pousando no pé da Serra do Padre (km 15) e eu como estava cinqüenta metros mais alto consegui sobreviver escorando num dos monólitos da serra. Ali fiquei por quase 10 minutos sem subir.
Bolhas desorganizadas e bem turbulentas pipocavam do monólito e não me deixavam subir como eu gostaria. Um medo de me machucar logo ali no começo liftando aquela pedra me fez tomar uma decisão desesperada. Em jogo de poker chamam de all-in. Fiz uma tirada desesperada de 90° para a direita, jogando em direção a um grupo de urubus que mal subia.
Os segundos seguintes foram de sobrevivência, pois não havia muita esperança de continuar o vôo, estava apenas a cem metros de altura. Pensei em pousar com o Olympio e decolar novamente, mas decidi acreditar em minha última tacada.
Antes de chegar ao grupo de urubus, comecei a bater em pequenas bolhas que subiam a 0,5m/s e resolvi que não era momento para desperdiçar algo que subisse. Enrosquei com a maior concentração que poderia ter em cima daquele mar de juremas com poucas opções confortáveis de pouso. Derivei junto com as bolhas confiando em que a qualquer momento um ciclo térmico poderia desprender. Meu instinto não falhou e logo enxerguei um grupo de urubus subindo forte logo atrás de mim.
Esse pequeno planeio definiria meu destino daquele dia. Meu Rei estava quase em xeque-mate e tinha poucas chances de reverter o jogo. Afundei de novo para uma altura crítica que poderia me levar para o chão facilmente, mas com muita sorte ainda havia bolhas de 2m/s embaixo dos urubus que logo me levaram para a base da nuvem novamente. Ufa... Meu Rei estava salvo novamente e consegui remontar minhas defesas.
Quando olhei em direção a rota de vôo, não acreditava como a condição estava boa até Monsenhor Tabosa (km120). Como era cedo, aquele céu lindo não representava muita segurança, afinal o teto ainda estava a 1200 metros do chão. Mesmo perdendo muito tempo no inicio, consegui recuperar o tempo perdido com decisões muito acertadas.
08h45minh da manhã e eu estava a 300 metros do chão. Altura que determina o destino do vôo pela manhã. Poucas opções me restavam para sobreviver. Mais uma vez coloquei meu instinto para funcionar e ao invés de me prender as bolhas fracas falhadas que batia nesse planeio, joguei para um juremal que já havia me salvado no ano anterior. Meu instinto mais uma vez me ajudou muito e me arrastei de bolha em bolha até engatar de novo na condição.
Nesse momento fiquei imaginando uma coisa que faz o maior sentido. Voar tão cedo com o teto a 1.000 metros do chão é como começar um jogo de xadrez somente com o Rei. É uma briga contra o relógio na qual quanto mais o tempo passa, mais peças amigas vão entrando no tabuleiro para me ajudar. Nesse momento o teto havia subido duzentos metros e pelo menos alguns peões já estavam me ajudando.
A parte do vôo seguinte foi bem fácil. Condição muito bem formada e bati meu recorde de velocidade até Monsenhor Tabosa com uma média de 45 km/h. Cheguei à serra de Tabosa por volta das 09h45min, média ideal para bater 430 km.
A cidade chama-se Monsenhor Tabosa, mas eu prefiro chamar de inferno. O vento acelera nas saias da serra e pode se tornar mortal para os desavisados que confiam na parede de serra como gatilho de térmicas. Ano passado eu já havia passado momentos de terror por ali voando de ré e então preferi não arriscar tanto. Cinco quilômetros antes da parede eu resolvi ganhar o máximo de altura possível para pular direto para o platô da serra, onde as condições de segurança aumentam muito.
Pulando para o platô de Tabosa eu prematuramente relaxei, pois para mim aquele sempre era o momento mais perigoso do vôo. Engano meu. Cruzei o platô bem rápido e logo já estava na base da nuvem fazendo meu último planeio em cima da região acidentada a direita de Tabosa. A essa hora da manhã o teto estava a 1600 metros do chão, mas como estava voando no platô da serra, meu Rei voltava a estar sozinho.
No drop da serra de Tabosa (descida da serra) foi meu momento mais perigoso do vôo. Voltei a ficar baixo em meio à região acidentada do platô e lembrei que pular para a planície que segue após a serra sem ganhar altura é quase um suicídio. Não me restavam muitas opções.
Nesses momentos tensos e perigosos costumo pensar na palavra humildade. Humildade não no sentido de comportamento com os outros, mas sim de comportamento durante o vôo. Não adianta sermos humildes com os outros se não somos humildes com nós mesmos, assumindo riscos além do nosso limite. Tento pensar nisso em cada decolagem e em cada situação de perigo que enfrento em vôo. Não adianta ter consciência do perigo sem ter a disciplina para não se expor em excesso a ele.
Olhei para minha esquerda e vi um dust devil a duzentos metros de mim com seu topo exatamente na minha altura. Havia tentado contatar o resgate segundos antes e descobri que a bateria do meu rádio tinha acabado. A minha situação não era das mais seguras. Pensei - "Tenha humildade". Resolvi enrolar por alguns segundos na descendente e esperar o dust devil se desfazer para encarar o bicho. Decisão acertadíssima. Joguei no local praticamente fazendo um top landing no platô, deveria estar a cinqüenta metros de altura sobre o chão, mas com a planície como fuga atrás de mim. Tomei alguns colapsos muito bem esperados e consegui sobreviver a pancadaria que se seguiu. Um ciclo rapidamente começou a me empurrar de volta para a base da nuvem me entregando de volta meus peões perdidos e aumentando minhas peças no tabuleiro. Teto 1800 metros do chão as 10h30min. Ufa...
Sempre soube por experiência própria que o trecho seguinte costumava ser o mais rápido do vôo. Trecho serra de Tabosa - Poranga. Mais uma vez estava errado. O Céu neste trecho ficou sem nuvens, a condição bem fraca com térmicas que raramente passavam de 3m/s.
Não informava minha posição para o Dió desde 10h, um erro grave em vôos longos, principalmente no sertão. Lembrei que tinha uma outra bateria dentro da mochila do glider nas costas da selete. "Humm!!!" - pensei. Já havia soltado as mãos dos freios e mexido na mochila da selete em ocasiões anteriores quando ainda voava de vela serial e em condições lisas. Agora eu estava no meio do sertão, com vela de competição e sem contatar meu resgate há uma hora.
Os momentos que se seguiram foram tensos. Soltava a mão para abrir o zíper e logo tinha que voltar para dar comando nas avançadas da vela. O procedimento para tirar alguma coisa da mochila é perigosíssimo, pois temos que tirar as alças dos ombros e torcer o corpo para trás tomando cuidado para nada cair lá de cima. Após dez minutos de pura tensão finalmente a bateria estava em minhas mãos. Comemorei quando coloquei de volta os ombros da selete e consegui finalmente ligar meu rádio e falar com o Dió que estava a poucos quilômetros de Novas Russas, o objetivo principal do dia.
Olhei para o relógio e fui alertado pelo Dió que minha média estava incrível e que mesmo com a condição não tão redonda no trecho que costuma ser o mais rápido de toda a rota, após Poranga poderia melhorar. Resolvi seguir o vôo.
Bati meu recorde de velocidade até Poranga, chegando lá por volta de 13h. Pensei como aquilo era incrível, estar no km 200 as 13h. Ainda restavam cinco horas de vôo.
Pulei o platô de Poranga alto e decidido a fazer pelo menos 300 km no dia. Como a condição até Pedro II (km 270) não estava das melhores, com nuvens esparsas e grandes buracos azuis, resolvi baixar a velocidade para garantir mais um 300 km no currículo.
Após meu Rei se virar quase sozinho durante as cinco primeiras horas de jogo, a essa hora do dia o teto já estava a 2500 metros do chão. O tabuleiro já contava com muitas outras peças amigas e minha confiança, após voar tão baixo no início, estava grande.
Cheguei alto a esquerda de Pedro II por volta de 15h30minh e fiz a seguinte pergunta ao Dió: "Será que vai ser hoje Dió??" A resposta foi motivadora...
O estímulo de Dioclécio foi determinante em minhas decisões seguintes, e minha ansiedade em quebrar o recorde começava a brotar. Quando me aproximei de Piri Piri (km 315) a ansiedade quase me colocou no chão. Fiz um planeio longo acreditando que chegaria numa queimada perto da cidade. Afundei tanto na tirada que não sobrou altura para alcançar a queimada. Em cinco minutos eu consegui perder todas as minhas peças do tabuleiro e me sobrou apenas o Rei novamente me dando sinal de alerta para não tomar o xeque-mate.
Nesse momento lembrei das difíceis horas da manhã e resolvi que o vôo não poderia acabar ali. Pulei um lago logo antes de Piri Piri e fui a 300 metros do chão. O chão estava perto, mas minha cabeça estava lá em Barras (km 370 e meu antigo recorde pessoal). Tive que fazer um trabalho de concentração forte para focar ali naquele difícil momento do vôo, manobra complicada após quase 9 horas de vôo.
Ao invés de me entregar ao cansaço, eu resolvi que deveria lutar até o fim pra subir. Finalmente após um stress psicológico de vinte minutos querendo subir sem conseguir, pulei de bolha em bolha e consegui engatar na queimada que era meu objetivo trinta minutos antes. Base da nuvem: 3000 metros. Minha rainha entra no tabuleiro.
Sem querer perder muito tempo e sabendo que minha briga era contra o relógio, comecei a resgatar da memória meus momentos finais do vôo de 370 km do XCnordeste 2006. Lembrei que havia ganhado minha última térmica em Piri Piri e que havia realizado meu último planeio até perto do município de Barras.
Nesse momento pensei que ali era a minha única chance de finalmente dar o meu xeque-mate. Após sofrer o dia inteiro só perdendo peças e deixando meu Rei solitário, chegara a hora de entregar algumas peças para assim conseguir iludir o adversário (relógio) e ganhar o jogo.
Tomei a difícil decisão de abandonar a térmica da queimada em cima de Piri Piri sem chegar na base, tirando com 2600 metros de altura. A minha frente algumas nuvens um pouco estratificadas representando que o fim da atividade térmica estava próximo. Era arriscar para ver, pois não adiantava eu ficar em Piri Piri subindo até a base e perder esses preciosos minutos finais do vôo. All-in de novo. Agora ou nunca.
Meu instinto não me decepcionou no final do vôo. Encontrei mais uma térmica de 2m/s no meio do caminho até Barras e logo vi que o recorde brasileiro, sulamericano e mundial de montanha estavam bem perto. Minha rainha entrou no jogo agressiva e logo estava bem próxima de dar o xeque-mate no meu maior adversário: o relógio.
Subi, subi e subi para garantir... A euforia tentou tomar conta e fiz de tudo para me conter. Meu último contato com o Dió havia sido feito em Pedro II e quando percebi que deveria informar minha posição para ele, descobri mais um pequeno probleminha: meu rádio estava de novo sem bateria. Para não morrer de arrependimento, resolvi que voltaria de qualquer jeito, de carona, andando ou até no lombo de um jegue.
Como ainda eram 17:00h, meus cálculos de planeio final não foram corretos. Havia ainda atividade térmica e portanto havia descendentes pelo caminho. Totalmente diferente de 17:30h, quando acaba a atividade e a restituição permite planeios monstruosos. Meu cálculo foi baseado no meu último vôo até Barras onde percorri quase 40 km no meu último planeio. Cheguei em Barras a 1500 metros do chão.
Esse momento foi talvez meu único grande erro de todo o vôo. A direita de Barras eu consegui encontrar uma térmica de 1,5m/s. Comecei a subir já contaminado pela euforia. Cansado, desidratado, com fome, sem dinheiro no bolso, louco para urinar e sem contato com o resgate, tomei uma decisão estúpida de pegar a filmadora para gravar meus momentos finais do vôo.
Filmei durante cinco minutos subindo na última térmica do dia até perdê-la por falta de concentração. Desliguei a câmera e sem pensar tomei a decisão de não voltar para rastrear a maldita térmica novamente. Mais 100 metros subindo eu varava os 400km. Se colocasse na base ali, talvez chegasse nos 410km. "Ahhh se eu pudesse voltar no tempo..."
Num ato de desespero para contatar o Dió, troquei a bateria do rádio pela a antiga que havia acabado lá em Tabosa. Para a minha sorte ela funcionou e as palavras do Dió foram inesquecíveis: "Você está no visual meu velho, parabéns pelo recorde, você merece..."
Pousei numa estrada de terra a caminho de Miguel Alves, em meio a meia dúzia de casas, numa vila chamada Anjica. Encontrei por lá a Dona Elza que me recebeu com um sorriso de orelha a orelha bem parecido com o meu. Se o santo Dioclécio não estivesse me seguindo no visual, talvez eu tivesse que dormir ali, o que acredito que não seria um grande problema pela receptividade de todos.
Total de 10 horas e 11 minutos de vôo, com 397,7 km percorridos, média baixíssima de menos de 40km/h, mas com todas a adversidades uma vitória sem sombra de dúvidas. A gente sempre busca a perfeição. Não fui perfeito e não sou perfeito, mas nesse dia eu cheguei bem perto, uma pena esse erro no final.
Obrigado meu Deus por tomar conta de mim durante todo o vôo e me proporcionar essa oportunidade de dividir essa experiência com meus amigos e interessados no assunto.
Obrigado Marcelo Prieto e André Fleury por me ensinarem tudo sobre como voar no Sertão e por me acolherem como filho durante o expedição nordeste 2006 da SOL.
Obrigado Dioclécio pela parceria e pelo constante estímulo durante o vôo. Um personagem fundamental na empreitada.
Obrigado Ary pelo apoio e por acreditar em mim como membro qualificado para entrar no time da SOL.
E finalmente um obrigado especial ao meu primo querido, Rodrigo Monteiro, que me ensinou a voar e me estimulou sempre a praticar esse esporte maravilhoso.
Hoje é meu aniversário. Escrevi isso para mim. Como lembrança. Nunca escrevi nada sobre meus vôos. Esqueci de muitos momentos de perigo e de felicidade que já passei. Achei que esse valeria a pena guardar como lembrança.
Rafael Saladini.
Wednesday, October 17, 2007
Piloto Brasileiro bate recordes em Quixadá
O piloto Rafael Saladini percorreu quase 400 km, quebrando o recorde mundial de distância (descolagem a pé) em Parapente. Para alémmdeste recorde, quebrou ainda o recorde Brasileiro e Sul-americano de distância livre. O piloto percorreu 397,7 quilómetros em linha recta, descolando de Quixadá (CE) e pousando em Teresina (PI). O piloto utilizou um Parapente Tracer, da Sol Paragliders. A distância livre é o percurso realizado pelo piloto em um único voo e a quilometragem é medida em linha recta, do ponto da descolagem até o ponto de aterragemo. O recorde mundial absoluto é de 423,4 quilómetros, obtido no Texas, Estados Unidos. Porém a descolagem foi rebocada. A expectativa de diversos pilotos é alcançar, ainda este ano, a distância de 450 quilómetros.Veja alguns dados do voo:
Piloto: Rafael Monteiro Saladini
Data: 15/10/2007
Descolagem: 8h25 em Quixadá/CE
Aterragem: 18h37 em Teresina/PI
Duração: 10h11min
Maior Ascendente: 6.6 m/sec
Maior Descendente: -4.2 m/sec
Altitude máxima: 3013 m
Altitude mínima: 128 m
Altitude da descolagem: 541 m
Ganho de altitude: 2472 m
Velocidade máxima: 97.2 km/h
Velocidade média: 47.7 km/h
Link directo para visualizar o voo de 397 kms
Tuesday, October 16, 2007
Segunda-Feira no escritório... (Texto retirado do Forum Brasileiro)
Link directo para visualizar o voo de 397 kmsGalera alada,
Gostaria de agradecer a todos os meus mestres de plantão, que nesses meus quase 5 anos de prática, me ensinaram e me apoiaram em todos as ocasiões.Os nomes são tantos que tenho certeza que vou acabar esquecendo de alguns importantes. Foram pessoas que me ensinaram tudo o que sei e que contribuiram para cada quilometro desse voo.
Pessoas que além de me ensinarem a voar, me ensinaram principalmente a respeitar o esporte e seus limites. Sâo eles: Rodrigo Monteiro, Marcelo Prieto, André Fleury, Frank Brown, Caio Zamboni, Bruno Neumann, Caio Porfírio, Eduardo Neves, Marcio Pinto, Cristiano Ricci, Luciano Tcacenco, Kamira Rodrigues, Mahmoud Shehata, Pablo Milholo, Bruno Menescal, Dioclecios Rozendo, Fábio Kogut, Lulu Lima e Silva, Flávio Dias, Glayson de Castro, Sivuca, Alexis, Marcelo Borzino, Kurt.... E outros que deveriam estar nessa lista....
A expedição Nordeste da SOL começou de pé direito. Primeiro vôo era só para organizar equipamento e se ambientar com as adversidades do local. A condição não estava clássica, durante a maior parte do vôo não peguei termicas mais fortes que 3m/s... Fiquei impressionado como tudo foi dando tão certo... Talvez por estar muito descontraído e sem grandes pretensões...
O proto 11 do Tracer está subindo incrivelmente bem... Uma caracteristica fundamental para bater esses recordes... A vela está muito segura e permite um planeio além do suficiente para voar 400kms...
Eu, como errei no final, fiquei na saudade... Faltaram 3 kms.... Mas isso é só um motivo a mais para me motivar a quebrar o recorde mundial nos proximos dias...
O Ceceu acabou de chegar... Nao importa quem atingirá a marca... O que importa é que o time estará focado nos 420kms.... Voando em dupla será mais facil.... Sozinho é dificil manter o ritmo... Minha média nos primeiros 200ks foi de 45km/h... No final geralmente a média aumenta... A minha só caiu.... Voei 10 horas e 11 min... Média de menos de 40km/h.... Esse lugar vai propiciar voos de 450km... Eu quero estar lá pra ver....
Obrigado a todos que me parabenizaram.... Esse vôo é pro Brasil... Afinal na nossa terrinha estamos cansados de portugueses.... hehehe
Parabens a SOL pela excelente vela e pela iniciativa de investir no esporte como nenhuma outra fábrica no mundo faz...
Abraço a todoos e bons voos
Rafael Saladini
PS:Rumo aos 430km amanha
Recorde Brasileiro e Sul Americano batido
Estamos a cerca de um mês do inicio do X-Ceara 2007 e alguns pilotos brasileiros já se encontram no Nordeste a tentar bater recordes em Quixadá. Ontem caiu o recorde Sul-americano e o Recorde Brasileiro de Parapente. O recorde pertencia ao Diogo Pires e foi batido há dois anos atrás e era também o recorde mundial de distância livre (com descolagem a pé). O piloto Brasileiro Rafael Saladini esteve muito perto de bater este recorde o ano passado com dois voos de 380 kms, ficando a apenas 8 kms do recorde anteriro.Este ano finalmente conseguiu bater o recorde com um voo de 397 kms. A descolagem foi feita às 7.40h, com tecto aos 1200 m até meio dia, subindo para os 3000 m até ao fim do dia, num dia com condições não muito boas!
Será que vem aí mais recordes mundias a caminho? Alguns pilotos Brasieliros e estrangeiros (patrocinados pela Sol) vão continuar a tentar bater recordes durante um mês inteiro no XCNordeste e depois seguem para o X-Ceará 2007.
Monday, October 15, 2007
Questionário - Gil Navalho
Nome: Gil NavalhoIdade: 34
Local de residência: Angra do Heroísmo - Ilha Terceira, Açores
Voa desde: 1997
Profissão: Engenheiro Civil
Patrocínadores: Team Outsider
1 - O que faz de ti suficientemente louco para participar num evento como X-Ceará?
Um louco nunca se admite como tal! Para mim o X-Ceará é uma prova emblemática e um local de culto em termos de voo livre, na qual eu sempre desejei participar pelo menos uma vez. É este ano!
2 - Qual a preparação que fizestes para este evento?
Tenho feito muita preparação de fundo em termos cardio-vascular. Se as coisas correrem bem terei de voar muitas horas seguidas, e uma boa condição física é essêncial.
3 - Que dificuldades esperas encontrar nesta prova que é considerada por muitos pilotos como um dos desafios mais duros do mundo do Parapente?
Sem dúvida que o momento da descolagem, e de ter de voar as primeiras horas do dia com condições fracas.
4 - Esperas ganhar o X-Ceará? Quais os teus objectivos?
Ganhar seria a cereja no cimo do bolo! O meu objectivo é fazer uns bons voos de Cross country e tentar bater a barreira dos 300km.
Questionário - Gonçalo Velez
Nome: Gonçalo VelezIdade: 49
Local de residência: Lisboa
Voa desde: 2002
Profissão: Empresário
Patrocínadores: Rotas do Vento
1 - O que faz de ti suficientemente louco para participar num evento como X-Ceará?
Cada voo constitui um enorme desafio. Nunca sabes onde irás parar e éesse o aliciante desta prova e do voo XC em geral.
2 - Qual a preparação que fizestes para este evento?
Nenhuma específica, tento voar com regularidade e manter-me em formafisicamente. Levo mais experiência e uma asa melhor do que em 2006, por isso tenho fé de que consiga fazer uns voaços!
3 - Que dificuldades esperas encontrar nesta prova que é considerada por muitos pilotos como um dos desafios mais duros do mundo do Parapente?
Não é verdade, deves estar a confundir com o X-Alps!No XCeará fazem as recolhas com um veículo de 4 rodas e regressassentado... No X-Alps vens a pé com o equipamento às costas!
4 - Esperas ganhar o X-Ceará? Quais os teus objectivos?
O meu objectivo em cada voo é superar-me, voar o mais longe possível,mais alto e mais tempo. Espero encontrar boas condições este anovisto que em 2006 foi muito difícil e os voos forma muito fracos.
Questionário - Carlos Brazuka
Nome: Carlos BrazukaIdade: 54
Local de residência: Setúbal
Voa desde: Outubro de 1992
Profissão: Comerciante
Patrocínadores: Eu
1 - O que faz de ti suficientemente louco para participar num evento como X-Ceará?
Ser tezudo.
2 - Qual a preparação que fizestes para este evento?
Dormir nu.
3 - Que dificuldades esperas encontrar nesta prova que é considerada por muitos pilotos como um dos desafios mais duros do mundo do Parapente?
Conseguir vestir a roupa antes de descolar.
4 - Esperas ganhar o X-Ceará? Quais os teus objectivos?
Claro que vou ganhar. O objectivo é fazer 390 KM e voltar a tempo de tirar a roupa todos os dias.
Questionário - Paulo Reis
Nome: Paulo ReisIdade: 35
Local de residência: Lisboa
Voa desde: 1996
Profissão: Funcionário Administrativo
Patrocínadores: Me myself and I
1 - O que faz de ti suficientemente louco para participar num evento como X-Ceará?
Este evento não é para loucos, pois é um desafio enorme a nível de voo de Cross-Country! Aprendi que para voar neste local tenho de estar ao meu melhor nível fisico e mental. Trata-se de um tipo de voo completamente diferente do voo XC que realizamos em Portugal.
2 - Qual a preparação que fizestes para este evento?
Preparei-me bastante bem fisicamente. Tenho voado muito pouco ultimamente e arranjei uma asa igual à minha (Airwave Magic 4) emprestada, mas do tamanho abaixo de forma a estar na gama de pêso idela para as condições do local. Tenho analisado muitos dos tracklogs dos voos realizados por pilotos nos anos anteriores e conto com a experiência de estar a participar pela segunda vez no evento.
3 - Que dificuldades esperas encontrar nesta prova que é considerada por muitos pilotos como um dos desafios mais duros do mundo do Parapente?
As dificuldades do evento não me assustam muito, mas temo voltar a cometer os mesmos erros do ano anterior do tipo: Descolar cedo de mais, aterrar cedo demais por cansaço e desidratação, não perceber bem as condições especificas de cada dia, abusar na tentativa de fazer transições, etc...
4 - Esperas ganhar o X-Ceará? Quais os teus objectivos?
Espero bater o meu recorde pessoal e voar o mais longe possível em segurança! Gostava ainda de encontrar condições melhores em 2007 do que as que eu e o Gonçalo encontrámos em 2006.
Wednesday, October 10, 2007
Recordes batidos ao longo dos anos no X-Ceará
Recorde de Distância Livre em Asa Delta - 432 Kms por Mario Alonzi (piloto Françês em 2000)Recorde Sul Americano de Distância Livre em Parapente - 380 Kms Diogo Pires (piloto Português em 2005)
Recorde Mundial de Bi-lugar - 230 kms por André Fleury / Claudinha (pilotos Brasileiros em 2004)
Recorde Mundial de Distância Livre Feminina em Parapente - 302,9 km por Petra Krausova (piloto da Républica Checa em 2005)
Recorde Mundial de Distância declarada Feminina em Parapente - 247,7 km por Petra Krausova(piloto da Républica Checa em 2005)
Informações sobre o Local de Voo
Local: Morro do Urucum - Quixadá - CE
Altitude: 460 metros
Desnível: 300 metros
Quadrante: S, SW
Acesso: A 170 km de Fortaleza. Rampa a 12 km de Quixadá. Vias de acesso. BR 116 - em razoável/bom estado geral de conservação. Via em duplicação com 30 km concluídos. 40 km em via de mão-dupla em razoável estado. Rodovia do algodão - 100 km de estrada em excelente estado. Acesso a rampa: Parte com calçada paralelepipedo, 250 mts em estrada de terra e todo o restante asfaltado ou Rodovia estadual - CE 060 160 km em excelente estado de conservação.
Decolagem: Rampa de Madeira e decolagem natural em areia.
Aterragem: Fácil. Várias opções em frente a decolagem. Distância aproximada de 500 metros.
Melhor Época: Junho e Julho (menos vento); Novembro e dezembro (tecto mais alto).
Vantagens: Voo com possibilidades de cross country, restrito a pilotos experientes em condições fortes (decolagem delicada). Possibilidades de lift agradável no final da tarde.
Desvantagens: Dificuldade de recolha de pilotos em voos de cross counry devido a falta de boas estradas. Vento geralmente forte.
Inf. Gerais: Visual único no Brasil! Cidade com maior incidência de de aparição de OVNIs. Região pontilhada de monolitos de rara beleza. Pouca infraestrutura hoteleira. Hotel do santuário e Hotel Pedra dos Ventos (Almeida) - categoria superior: a/c, tv, frig, piscina, chuv., rest, rampa particular 85-257 4464 / 9989-0220 / 9985-0389 - cearatotal@aol.com.br são as melhores opções de hospedagem.
Altitude: 460 metros
Desnível: 300 metros
Quadrante: S, SW
Acesso: A 170 km de Fortaleza. Rampa a 12 km de Quixadá. Vias de acesso. BR 116 - em razoável/bom estado geral de conservação. Via em duplicação com 30 km concluídos. 40 km em via de mão-dupla em razoável estado. Rodovia do algodão - 100 km de estrada em excelente estado. Acesso a rampa: Parte com calçada paralelepipedo, 250 mts em estrada de terra e todo o restante asfaltado ou Rodovia estadual - CE 060 160 km em excelente estado de conservação.
Decolagem: Rampa de Madeira e decolagem natural em areia.
Aterragem: Fácil. Várias opções em frente a decolagem. Distância aproximada de 500 metros.
Melhor Época: Junho e Julho (menos vento); Novembro e dezembro (tecto mais alto).
Vantagens: Voo com possibilidades de cross country, restrito a pilotos experientes em condições fortes (decolagem delicada). Possibilidades de lift agradável no final da tarde.
Desvantagens: Dificuldade de recolha de pilotos em voos de cross counry devido a falta de boas estradas. Vento geralmente forte.
Inf. Gerais: Visual único no Brasil! Cidade com maior incidência de de aparição de OVNIs. Região pontilhada de monolitos de rara beleza. Pouca infraestrutura hoteleira. Hotel do santuário e Hotel Pedra dos Ventos (Almeida) - categoria superior: a/c, tv, frig, piscina, chuv., rest, rampa particular 85-257 4464 / 9989-0220 / 9985-0389 - cearatotal@aol.com.br são as melhores opções de hospedagem.
Friday, June 22, 2007
XCeará 2007

O XCeará é um evento que já existe há 11 anos. Este ano será a 12ª edicão deste evento que tem encantando pessoas de todo o mundo, com a possibilidade de excelentes vôos, receptividade do povo local e uma das condição climáticas mais constantes para voos de "Cross Country" e tentaivas de recordes mundiais.Tudo começou à 11 anos atrás com a trip "Ceará sem Roubada" que incentivava à quebra dos recordes sul-americanos. Hoje em dia, o X-Ceará é considerado um dos principais, senão o principal, evento de "Cross Country" a nível mundial. De 10 a 17 de Novembro, Quixadá será uma vez mais a capital mundial do "Cross Country", recebendo pilotos de todo o mundo para este grande desafio no sertão Nordestino. O evento é acima de tudo, um grande encontro de pilotos, voando juntos com o mesmo objetivo: voar o mais longe e disfrutar ao máximo o voo, sem stress e sem pressão. A atmosfera amigável entre os pilotos é a marca registrada do evento. Resumindo: O X-CEARÁ É A GARANTIA DE BONS VOOS.
Wednesday, March 07, 2007
Ainda o XCeará - Relato de Olympio Faissol

Agora que a ressaca passou, tentarei analisar de forma objetiva o que ocorreu:
No primeiro dia, chego a Patu às 2h30 da madrugada e me acordam às 6h30 para voar. Como não dormi na viagem (diurna) e já acumulava uma noite mal dormida em Madri, estava exausto. Decolamos às 7h30 (a decolagem mais matinal que já realizei) e chegamos rapidamente à base. O céu está todo formado e parece ser um dia promissor. Cecéu e um piloto búlgaro fazem a primeira tirada, e eu saio um pouco mais atrás. A segunda térmica do dia o Cecéu tira do chão, de forma espetacular. Embora seja 8h00 da manhã, o começo do vôo é turbulento. Nunca havia tomado um front nesse horário... Até o quilômetro sessenta, seguimos juntos, sempre altos, mas obrigados a voar com o vento um pouco em través para evitar o "plateau" de Martins. Chegamos a um buraco azul e decido não seguir o Cecéu e o búlgaro de modo a ganhar mais altura. No flat antes da Serra de Iracema chego novamente à condição e à base. Vejo que os outros dois pilotos já estão sobre a serra, cerca de 5km à minha frente. Começo a sentir o cansaço da viagem mas, animado com a perspectiva de haver decolado cedo e de ter muitas horas de vôo pela frente, sigo o vôo, agora em ritmo mais lento para cruzar a serra com segurança. Este ano está tudo mais verde, e os eldorados abundam na serra e nas planícies. Por alguns instantes, posso disfrutar o momento. Estou na base da nuvem, sobre a Serra de Iracema, com uma semana de vôo no sertão à minha frente. Devoro minhas barrinhas e tomo bastante água para esquecer o cansaço. Mais adiante, ainda sobre a serra, começo a ver as primeiras "estrelinhas", sintoma de exaustão e desidratação. Já desconcetrado, chego não muito alto ao sotavento da serra e subo numa térmica mexida que seria a última do dia. As "estrelinhas" de cansaço seguem aparecendo. Cruzo a BR e o rio que corre paralelo a uns 700m do solo, porém afundando muito rápido. É o primeiro grande respiro do dia e caio às 11h30, com 125km voados. Minha melhor chance de voar 300km havia sido desperdiçada, mas nas condições em que estava não tinha como seguir concentrado. O resto do dia, noite e madrugada seriam passados no resgate do búlgaro, que pousa com pouco menos de 200km, e do Cecéu, que aterrisa no Piauí, com 340km voados em 10 horas.
Chegando a Quixadá com o Rafa, que já estava em Patu há quase um mês e teria uma grande semana pela frente, aproveito para descansar. A atitude que tenho é equivocada: talvez por ter voado 209 km no mesmo evento, em 2002, num Octane, tendo pouca experiência, creio que os 300 virão naturalmente. É só questão de decolar cedo... Mas no vôo, como na vida, o resultado final é a soma das experiências. Como ponho muita ênfase no resultado final, nos "300", começam os erros.
Observo que a condição está mais úmida em comparação com os outros anos em que aqui estive. Mas o nordeste sempre bomba, certo? Errado. E tem mais: os pilotos estão decolando bem mais cedo do que nos outros anos, o que siginfica que as primeiras horas do vôo são críticas. São dois dados fundamentais, que resolvo ignorar.
No primeiro dia de prova, o vento é de nordeste e o Chico resolve definir a prova sentido sudoeste (a rota padrão é sentido oeste/noroeste). Um grupo grande chega à base e saímos todos juntos. Não há porque correr, é o começo da competição, os primeiros momentos do primeiro vôo. Mas decido sair na frente do grupo (o Rodrigo já havia disparado sozinho sentido Quixeramobim - também cairia cedo) e chego baixo a um venturi entre duas serras onde há muito vento e pouca térmica. Pouso no sotavento, numa pequena clareira, no meio de um mar de juremas. Volto à rampa, mas não há mais porque decolar. O vento virou de leste, o que significa que os pilotos em vôo terão de navegar com vento de través. Este provavelmente será um dia para descarte. Os melhores vôos do dia são de pouco mais de 200km.
No segundo dia, decolo cedo com o primeiro grupo e, ao invés de partir para o vôo da base da nuvem, como se deve, fico mais baixo que os demais. O pequeno grupo de 3 a 4 pilotos começa a tirada e resolvo segui-lo, porém bem mais baixo (primeiro erro). Chego muito mal a uma pequena parede de granito ao sul da pedra da galinha choca. O Cecéu também está mal e se junta a mim. Ficamos num "zerinho" que lentamente nos tira da chão. Outro parapente se junta a nós. Mas a evolução é lenta e, como estou afobado para voar 300km, faço uma tirada suicida para a planície na esperança de catar algo mais forte mais adiante (segundo erro). Não são nem 9h00 da manhã, e meu destino é o chão. Pouco depois de pousar, vejo o Rafa passando na base de uma nuvem que começa a se formar. O Cecéu e o outro parapente, que ficaram no "zerinho", também passam altos. O melhor vôo do dia é de 342km. O Rafa voa 338km. Alguns pilotos, como o Rodrigo e o Ceará, voam bem mas caem em Monsenhor Tabosa (120km).
No terceiro dia, no café da manhã, sinto o peso da competição pela primeira vez. O XCeará pode ser uma experiência maravilhosa, mas também é uma competição onde a pressão psicológica é enorme, pois um ou dois erros podem significar a diferença entre um vôo de 3o e 300km. É comum pousar ainda de manhã, com poucos kms voados, ver vários parapentes passando na base da nuvem, voltar ao hotel e receber, no fim da tarde, as notícias sobre os grandes vôos que os outros realizaram.
Pois bem, ainda que o campeonato permita dois descartes, decido que agora só interessa voar 300 km - que se dane a competição. Decolando cedo, penso (erradamente), é questão de tempo ser premiado com um grande vôo. No terceiro dia, saio muito cedo e sozinho. Tudo vai muito bem até pouco antes de Algodões, onde vou da base ao chão numa única descendente. Pouso sem acreditar no que está acontecendo. Voltando a Quixadá, o dia piora rapidamente. Mais a oeste na rota de vôo, as condições são épicas. Os que passam são premiados. Vários pilotos voam mais de 300km. O Rafa voa 370, ficando a 10km da marca sul-americana.
O quarto dia tem previsão de chuva, algo raro nessa época do ano em Quixadá. A temporada parece que se adiantou e a condição de novembro se parece mais àquela característica de dezembro. Amanhece nublado e chegam a cair umas gotas de chuva. Ninguém decola até pouco antes das dez, quando saio com mais dois parapentes. Os dois caem e eu sigo flutuando num dia sem sol e um pouco carregado. Por ironia, faço o melhor vôo do dia, de 70km (em 1h30), mas nem sequer descarrego o GPS. O desânimo é avassalador.
O último dia amanhece nublado e com pinta de chuva. Na rampa, ninguém quer decolar primeiro. É minha última chance de voar 300km. Mais adiante na rota, o tempo começa a abrir e resolvo arriscar sair sozinho para tentar chegar na condição. Faço o mais difícil, vôo quase 30km na sombra, chego ao sol e aos cumulus pouco antes de Algodões. O problema é que estou sozinho. Avanço cuidadosamente até o km 50, onde pouso às 9h00, desgostoso com o vôo e a vida. A confiança na minha pilotagem nunca foi tão escassa.
Tento me convencer de que essas coisas acontecem: Mike Barber (recordista mundial de distância livre em asa) e Szilard Forgo (outro excelente piloto, com vasta experiência em XC e competição) também não fizeram nada na competição. O Rodrigo, com quem comecei a voar XC, deixou o evento no segundo dia. Mas a verdade é que reina um desânimo profundo. Tenho quatro meses de inverno e trabalho pela frente. Depois, será preciso recuperar a confiança com calma, humildade e paciência.
No primeiro dia, chego a Patu às 2h30 da madrugada e me acordam às 6h30 para voar. Como não dormi na viagem (diurna) e já acumulava uma noite mal dormida em Madri, estava exausto. Decolamos às 7h30 (a decolagem mais matinal que já realizei) e chegamos rapidamente à base. O céu está todo formado e parece ser um dia promissor. Cecéu e um piloto búlgaro fazem a primeira tirada, e eu saio um pouco mais atrás. A segunda térmica do dia o Cecéu tira do chão, de forma espetacular. Embora seja 8h00 da manhã, o começo do vôo é turbulento. Nunca havia tomado um front nesse horário... Até o quilômetro sessenta, seguimos juntos, sempre altos, mas obrigados a voar com o vento um pouco em través para evitar o "plateau" de Martins. Chegamos a um buraco azul e decido não seguir o Cecéu e o búlgaro de modo a ganhar mais altura. No flat antes da Serra de Iracema chego novamente à condição e à base. Vejo que os outros dois pilotos já estão sobre a serra, cerca de 5km à minha frente. Começo a sentir o cansaço da viagem mas, animado com a perspectiva de haver decolado cedo e de ter muitas horas de vôo pela frente, sigo o vôo, agora em ritmo mais lento para cruzar a serra com segurança. Este ano está tudo mais verde, e os eldorados abundam na serra e nas planícies. Por alguns instantes, posso disfrutar o momento. Estou na base da nuvem, sobre a Serra de Iracema, com uma semana de vôo no sertão à minha frente. Devoro minhas barrinhas e tomo bastante água para esquecer o cansaço. Mais adiante, ainda sobre a serra, começo a ver as primeiras "estrelinhas", sintoma de exaustão e desidratação. Já desconcetrado, chego não muito alto ao sotavento da serra e subo numa térmica mexida que seria a última do dia. As "estrelinhas" de cansaço seguem aparecendo. Cruzo a BR e o rio que corre paralelo a uns 700m do solo, porém afundando muito rápido. É o primeiro grande respiro do dia e caio às 11h30, com 125km voados. Minha melhor chance de voar 300km havia sido desperdiçada, mas nas condições em que estava não tinha como seguir concentrado. O resto do dia, noite e madrugada seriam passados no resgate do búlgaro, que pousa com pouco menos de 200km, e do Cecéu, que aterrisa no Piauí, com 340km voados em 10 horas.
Chegando a Quixadá com o Rafa, que já estava em Patu há quase um mês e teria uma grande semana pela frente, aproveito para descansar. A atitude que tenho é equivocada: talvez por ter voado 209 km no mesmo evento, em 2002, num Octane, tendo pouca experiência, creio que os 300 virão naturalmente. É só questão de decolar cedo... Mas no vôo, como na vida, o resultado final é a soma das experiências. Como ponho muita ênfase no resultado final, nos "300", começam os erros.
Observo que a condição está mais úmida em comparação com os outros anos em que aqui estive. Mas o nordeste sempre bomba, certo? Errado. E tem mais: os pilotos estão decolando bem mais cedo do que nos outros anos, o que siginfica que as primeiras horas do vôo são críticas. São dois dados fundamentais, que resolvo ignorar.
No primeiro dia de prova, o vento é de nordeste e o Chico resolve definir a prova sentido sudoeste (a rota padrão é sentido oeste/noroeste). Um grupo grande chega à base e saímos todos juntos. Não há porque correr, é o começo da competição, os primeiros momentos do primeiro vôo. Mas decido sair na frente do grupo (o Rodrigo já havia disparado sozinho sentido Quixeramobim - também cairia cedo) e chego baixo a um venturi entre duas serras onde há muito vento e pouca térmica. Pouso no sotavento, numa pequena clareira, no meio de um mar de juremas. Volto à rampa, mas não há mais porque decolar. O vento virou de leste, o que significa que os pilotos em vôo terão de navegar com vento de través. Este provavelmente será um dia para descarte. Os melhores vôos do dia são de pouco mais de 200km.
No segundo dia, decolo cedo com o primeiro grupo e, ao invés de partir para o vôo da base da nuvem, como se deve, fico mais baixo que os demais. O pequeno grupo de 3 a 4 pilotos começa a tirada e resolvo segui-lo, porém bem mais baixo (primeiro erro). Chego muito mal a uma pequena parede de granito ao sul da pedra da galinha choca. O Cecéu também está mal e se junta a mim. Ficamos num "zerinho" que lentamente nos tira da chão. Outro parapente se junta a nós. Mas a evolução é lenta e, como estou afobado para voar 300km, faço uma tirada suicida para a planície na esperança de catar algo mais forte mais adiante (segundo erro). Não são nem 9h00 da manhã, e meu destino é o chão. Pouco depois de pousar, vejo o Rafa passando na base de uma nuvem que começa a se formar. O Cecéu e o outro parapente, que ficaram no "zerinho", também passam altos. O melhor vôo do dia é de 342km. O Rafa voa 338km. Alguns pilotos, como o Rodrigo e o Ceará, voam bem mas caem em Monsenhor Tabosa (120km).
No terceiro dia, no café da manhã, sinto o peso da competição pela primeira vez. O XCeará pode ser uma experiência maravilhosa, mas também é uma competição onde a pressão psicológica é enorme, pois um ou dois erros podem significar a diferença entre um vôo de 3o e 300km. É comum pousar ainda de manhã, com poucos kms voados, ver vários parapentes passando na base da nuvem, voltar ao hotel e receber, no fim da tarde, as notícias sobre os grandes vôos que os outros realizaram.
Pois bem, ainda que o campeonato permita dois descartes, decido que agora só interessa voar 300 km - que se dane a competição. Decolando cedo, penso (erradamente), é questão de tempo ser premiado com um grande vôo. No terceiro dia, saio muito cedo e sozinho. Tudo vai muito bem até pouco antes de Algodões, onde vou da base ao chão numa única descendente. Pouso sem acreditar no que está acontecendo. Voltando a Quixadá, o dia piora rapidamente. Mais a oeste na rota de vôo, as condições são épicas. Os que passam são premiados. Vários pilotos voam mais de 300km. O Rafa voa 370, ficando a 10km da marca sul-americana.
O quarto dia tem previsão de chuva, algo raro nessa época do ano em Quixadá. A temporada parece que se adiantou e a condição de novembro se parece mais àquela característica de dezembro. Amanhece nublado e chegam a cair umas gotas de chuva. Ninguém decola até pouco antes das dez, quando saio com mais dois parapentes. Os dois caem e eu sigo flutuando num dia sem sol e um pouco carregado. Por ironia, faço o melhor vôo do dia, de 70km (em 1h30), mas nem sequer descarrego o GPS. O desânimo é avassalador.
O último dia amanhece nublado e com pinta de chuva. Na rampa, ninguém quer decolar primeiro. É minha última chance de voar 300km. Mais adiante na rota, o tempo começa a abrir e resolvo arriscar sair sozinho para tentar chegar na condição. Faço o mais difícil, vôo quase 30km na sombra, chego ao sol e aos cumulus pouco antes de Algodões. O problema é que estou sozinho. Avanço cuidadosamente até o km 50, onde pouso às 9h00, desgostoso com o vôo e a vida. A confiança na minha pilotagem nunca foi tão escassa.
Tento me convencer de que essas coisas acontecem: Mike Barber (recordista mundial de distância livre em asa) e Szilard Forgo (outro excelente piloto, com vasta experiência em XC e competição) também não fizeram nada na competição. O Rodrigo, com quem comecei a voar XC, deixou o evento no segundo dia. Mas a verdade é que reina um desânimo profundo. Tenho quatro meses de inverno e trabalho pela frente. Depois, será preciso recuperar a confiança com calma, humildade e paciência.
Relato de Olympio Faissol, retirado do Blog "Oly's blog"
Tuesday, December 19, 2006
Tuesday, November 28, 2006
Balanço pessoal sobre o X-Ceará 2006
por Paulo ReisSeguindo o exemplo do Gonçalo Velez, decidi tirar as minhas conclusões e relatar as minhas experiências referentes à participação no X-Ceará 2006.
Participar no X-Ceará foi para mim uma experiência única para a qual não estava devidamente preparado! A minha decisão em participar foi tardia, pois a menos de duas semanas do início do evento surgiu a oportunidade de tirar 9 dias de férias e não hesitei em inscrever-me à última da hora. Fiquei demasiado apreensivo, pois não sabia exactamente no que me estaria a meter, mas a vontade de participar era muito intensa. O voo de croos-country é para mim tudo o que eu sempre sonhei e desejei fazer enqunto piloto de parapente e desde que existe este evento há 11 anos, que sonhava em participar! Existem sonhos que, quando pensamos demais nunca se realizam! Para mim não existiam objectivos ambiciosos à partida, pois humildemente sabia que iria encontrar condições de voo muito diferentes do que as que encontro habitualmente aqui em Portugal.
Este é um evento que tem características muito próprias, pois em muito poucos lugares do mundo se descola às 8.30h da manhã com vento forte e bastante térmica à mistura, sendo que a térmica mais forte do dia normalmente aparece logo na descolagem. As descolagens são sempre um momento de extrema concentração e confiança nos ajudantes da descolagem. A sensação que tive foi que a minha vida estava na mão daquelas pessoas que nos ajudavam em cada descolagem. Senão vejamos: As rajadas atingem picos de 50-60 kms hora e as oportunidades de descolar são muito reduzidas, por outro lado estamos de costas para o vento e mal a asa sobe somos catapultados para o ar. Se inflarmos a asa no momento da rajada forte, é bem provável que se venha a conhecer bastante bem o rotor do monte. A saída da encosta e a partida para o voo de distância deve ser feito sempre na base da núvem ou dentro dela e por vezes é necessário ficar à espera do ciclo ideal para subir longe da encosta e derivar para trás. Com descolagens tão cedo, acaba por ser um totoloto aguentarmo-nos a voar nas primeiras horas do dia. Muitos aterram a 20-30 kms por precipitação e os sobreviventes acabam por fazer mais de 300 kms. Confesso que fui um dos assíduos precipitados, pois não consegui perceber logo inicialmente as características deste tipo de voo e tomei sempre decisões precipitadas, que num local onde as descendentes podem ir até aos -7 se pagam rapidamente com aterragens imediatas. Os gatilhos das térmicas aqui são difíceis de identificar no solo, pois a componente de vento forte baralha tudo e as térmicas são nitidamente arrastadas junto ao solo por diversos kms. Tive a nítida sensação de que as térmicas se formam em escada e por vezes junto ao solo são quase sempre apenas bolhas desorganizadas e turbulentas. A técnica que me pareceu melhor e pude constatar nos últimos dias da prova para voar longe e com garantias era sempre ficar sobre a influência dos cúmulos que se formavam, por vezes até era preferível enrolar a -0.1 e -0,2 do que arriscar transições longas em descendentes brutais. Apenas consegui interiorizar isto nos últimos dois dias, pois nos primeiros havia demasiadas varáveis a aprender e dominar, bem como a confiança não era muito grande e tudo era novo! Cometi ainda diversos erros devido a estar leve na asa e neste tipo de condições estes erros pagam-se caro! Nos primeiros dias levei 10 kgs de lastro líquido e díficilmente me conseguia movimentar dentro da selete e a asa fechava demasiado. Nos dias seguintes levei mais 5 litros de lastro, distribuídos de uma forma mais equitativa e o comportamento da asa melhorou significativamente.
Quando comecei a adaptar-me ao calor, às descolagens e aterragens radicais, a voar sempre junto à nuvem, consegui fazer um voo interessante de 70 kms que me fez realmente ver as potencialidades do local. Neste voo constatei que o dia ia melhorando sempre gradualmente, e os cúmulos formavam-se no sentido inverso para onde seguia a rota. Por diversas vezes fazia trechos de regresso contra-vento para encontrar as térmicas e resultava na perfeição. Fiz estes 70 kms em 1.30h, sem uma única transição comprida, apenas enrolando constantemente debaixo da nuvem e deixando que o vento trabalhasse em meu favor! Tive um momento em que me desconcentrei e vi as montanhas a aproximarem-se rapidamente e pelo meu IQ Compeo o vento estava demasiado forte, o solo era formado por matas de picos e cactos agrestes, por vezes andava a mais de 95 kms/h. Assustei-me um pouco e decidi estupidamente terminar o voo por ali, pois não estava mentalmente preparado para entrar naquela zona de montanhas e possivelmente ter de aterrar num rotor de uma delas! Aparentemente consegui sobreviver e passar a zona que todos os pilotos consideram mais díficil e a partir daquelas montanhas tudo é possível…
Outro aspecto muito dramático no X-Ceará são as aterragens a andar para trás! No ceará o vento só diminui ao pôr do sol, altura em que é seguro aterrar, isto nos dias em que não entra a brisa do mar (chamado de vento Aracati)! Qualquer outra hora do dia, e especialmente na altura de maior insolação, as aterragens são altamente complicadas. Lembro-me de que apenas consegui aterrar a andar para a frente num dos voos que fiz por lá! Todos os outros foram a andar para trás e alguns com arrastamentos no meio de cactos e vegetação agreste. O maior erro e pelo qual paguei caro foi o de voar leve! Não aterrei dentro duma lagoa por sorte num dos dias, num outro aterrei parachutado e num outro dia tive demasiados fechamentos assustadores e sucessivos junto ao solo, aterrando a 3 kms do local onde fizera a aproximação inicialmente.
A companhia do Gonçalo foi excelente, a organização é impecável e as recolhas são demoradas, pois a rota segue por uma estrada de areia e não é fácil encontrar pilotos que não aterrem junto a essa estrada, o que acontece com regularidade. O ambiente do evento é pouco competitivo e para muitos o desafio é pessoal e gradual. Enganam-se todos aqueles que pensam que ir ao Ceará é garantia de grandes distâncias! O Ceará é uma escola de voo e humildade! Muitos dos pilotos que por lá andam a fazer distâncias superiores a 300 kms, voam regularmente por lá, têm participado em muitos dos anteriores eventos e conhecem muito bem o local. O vencedor do evento andava a voar na zona há mais de um mês com apoio da Sol paragliders. O segundo classificado participou em 10 dos eventos dos anos anteriores.
Se conseguir voltar ao X-Ceará para ano como é minha intenção, terei novos objectivos e a experiência que adquiri este ano de certeza contribuirão para bater o meu recorde pessoal de distância Livre.
Sunday, November 26, 2006
Saturday, November 25, 2006
XCeará 2006, Nov 13-17
por Gonçalo VelezEstas são as minhas conclusões, reconhecimento das minhas limitações, memórias das minhas experiências, para relembrar no próximo ano a fim de evitar os mesmos erros.
Participar no XCeará é sempre uma experiência aliciante não só pelas condições de voo radicais mas também pela dinâmica da organização e o ambiente social, não só entre pilotos, mas também com o pessoal da organização, sobretudo os recolhas, e a população. Ah… e aprendi a dançar forró!
Este ano o regime foi igual ao do ano passado: acordar às 6h, pequeno almoço a partir das 6h30, primeiro transporte para a descolagem às 7h, primeiras descolagens tão cedo quanto as 8h45!Convém descolar entre as 9h30 e as 10h30, o máximo até às 11h. Depois das 11h é provável instalar-se um vento muito forte. Antes das 9h30 as condições são fracas.
Os pilotos mais competentes e que pretendem passar os 300 km descolam perto das 9h mas correm grandes riscos. Só poucos atravessam a zona crítica (80 km), e os que o fazem apanham depois muito melhores condições.
Este ano senti que a minha Tattoo (dhv 2), para as condições de vento que se fizeram sentir, muito fortes, carecia de velocidade, sobretudo no vento da tarde. Várias vezes, por cima da descolagem, tinha de avançar de acelerador para barlavento. A capacidade de manobra com esta falta de velocidade é bastante reduzida, o que permite explorar muito menores possibilidades de voo. Fica-se parado, e chegar a qualquer sítio é moroso e demasiado propenso a ser-se apanhado na descendente durante demasiado tempo.
Este ano voei menos e achei as condições menos boas. Muito mais nebulosidade tornaram as condições mais fracas, os tectos mais baixos, e as térmicas mais deitadas (mesmo vento e ascendente mais fraca).Pelos resultados impressionantes dos pilotos de topo dá ideia que no XCeará basta inflar a asa e esperar umas horas que já se ganharam mais de 200 km…! Não é assim, bem pelo contrário…
As descolagens são o momento mais delicado do voo devido ao forte vento (30-50 kmh) e aos ciclos curtos e incertos. É recomendável esperar que passe uma nuvem e cubra de sombra toda a zona à frente da descolagem. A nuvem faz abrandar a brisa de montanha oferecendo uma maior segurança para descolar.
A sul da descolagem a cumeada eleva-se num rochedo enorme (140 mtr) e a subida é quase sempre garantida por uma ascendente termodinâmica. No entanto, as térmicas que aí se libertam são sofríveis e é preferível avançar para barlavento na direcção de qualquer nuvem que esteja ao alcance. Em alternativa espera-se que uma chegue. O lago a NE da descolagem também liberta boa térmica e nota-se a sua superfície tornar-se enrugada.
Os primeiros 60-80 km têm de ser voados em regime de sobrevivência, aproveitando todas as menores ascendentes que se encontram, nunca as perdendo. Avança-se enrolando térmica e viajando na sua deriva. Ao saír-se dela para sotavento, a maioria dos pilotos regressava para barlavento para continuar na ascendente enquanto houvesse, por que o risco de voar-se na sua descendente é grande.Partir para o desconhecido implica a maioria das vezes encontrar-se uma descendente de –7 e voar-se nela até ao chão.
Aqui compreendi ainda melhor a necessidade de ser-se paciente, muito paciente, e de enfrentar-se a adversidade friamente. Tal significa que depois de um longo trabalho para subir conclui-se que se obteve uma altura insuficiente e regressa-se à posição inicial, acima da descolagem, perdendo-se, nesse regresso, muita altitude. Isso é obrigatório fazer-se acima da descolagem para partir-se com boa altitude, mas a prudência obriga que se faça também ao longo do voo, sobretudo quando se voa na planície e não há referências de gatilhos.Mesmo os que se encontram (montes, lagos, aldeias) não libertam a térmica da forma a que estamos habituados em Portugal. A configuração da térmica não obedece à que conhecemos. Os fumos de queimadas que víamos viajavam deitados centenas de metros e depois subiam. Isso explica a enorme dificuldade de prever-se onde a térmica estará a subir.Muitas vezes voam-se bolhas: sobe-se, roda-se a perder, encontra-se outra bolha mais para o lado e na deriva… O trabalho é duro, implica mais paciência e perseverança. Esperar que se solte uma térmica consistente pode implicar pairar nos locais prováveis em que elas passem, locais onde se notou que outros pilotos subiram. Infelizmente não vi muitos urubus que me ajudassem.Percebi melhor o exercício psicológico que tem de fazer-se para se voar de forma consistente. Neste momento da minha evolução já adquiri um bom domínio da pilotagem de âmbito físico, mas dou-me conta que há um trabalho enorme a realizar de cariz intelectual e psicológico, que me impeça de ser impaciente e de facilitar, optando por soluções mais imediatas, e que me motive a realizar um trabalho que é enfadonho, moroso e aparentemente frustrante. É este aspecto que preciso de treinar.O erro típico, muito grosseiro, consiste em ver asas que subiram mais depressa e mais alto, e que partem, e pensar: “É pá, estou a ficar para trás. Bora partir e depois no caminho logo se vê a térmica que se encontra…”!Esta decisão é muito errada, resulta de impaciência, e produz resultados maus. Tenho feito isso demasiadas vezes!É interessante notar que, o que às vezes nos parece uma vantagem, não o é: muitos que partiram cedo, fizeram-no em condições deficientes, talvez apressadas ou forçadas, e parecendo que levam vantagem, estarão no chão quando por eles passam os “atrasados”!Tive um exemplo de enorme persistência no último dia de prova no qual vários pilotos descolaram perto das 9h. Metia dó observar o trabalho que tiveram de fazer pois, com condições tão fracas, subiam passando para trás do monte, depois tornavam a vir à frente confiando que o cúmulo seguinte tivesse boa ascendente, subiam, regressavam... Ocuparam-se desta tarefa mais de uma hora! Imagino o desgaste que isto lhes produziu.Impaciência tem sido o erro da maioria dos pilotos no Xceará por que as descendentes brutais não perdoam esta veleidade. Perguntei a opinião do dono do nosso hotel: o Almeida, deltista. Dizia-me para saír no sotavento da térmica e atravessar a descendente no máximo de velocidade.Eu acho que isso se aplicará melhor aos deltas. Parece-me que o parapente, com a sua reduzida velocidade, deve saír do cimo da térmica a 45º do eixo do vento, senão voamos a deriva da descendente e saíremos dela com muito custo, ou nunca saímos!Em todo o voo é necessário observar o céu, sobretudo quando se sobe na térmica, preparando antecipadamente o passo seguinte. É importante ter uma noção do rumo que as térmicas tomam, o eixo da direcção do vento, e o seu espaçamento. Como as térmicas viajam muito deitadas, a nossa distância para a ascendente da nuvem pode ser maior do que aquela a que estamos habituados em Portugal. Lembro-me de ter feito uma vez pontaria a um cúmulo e nunca ter conseguido chegar à sua ascendente! Em Portugal teria encontrado a sua térmica…A sotavento da descolagem, em cerca de 20 km, há uma região onde a maioria aterra por que tem rara ascendente. Notava-se pelo azul do céu que frequentemente aí se observava. Aí aterrava uma grande percentagem de pilotos. A aldeia de Custódio é local de encontro, e essa pista tem sempre vários pilotos debaixo de uma sombra esperando por recolha.Evitavam-se os montes a SW por intimidarem devido à aparente falta de aterragens, e os montes a NW implicavam atravessar o vale de Quixadá que é uma etapa longa. O “segredo” reside em partir-se bem alto junto com um cúmulo e observar se se forma outro a sotavento do lago de Quixadá.Neste XCeará tive algumas experiências novas:a) Enrolar até saír por cima da nuvem. No começo do dia os tectos estavam muito baixos e furar a nuvem era uma grande tentação. É intimidante andar a girar no branco durante tanto tempo (500-700m), vendo o orvalho acumular-se no neoprene da selette e as bandas a escorrer um fio de água contínuo, depois… faz-se luz , e aparece azul! É espectacular, e um alívio. Só o recomendo quando tivermos a certeza que estamos sós.b) Tive o azar de descolar uma vez quando se soltou uma térmica brutal. A asa a subir e a recuar, o acelerador a 50% não era suficiente. Empurro para os 100% (talvez demasiado bruscamente) e sofro um frontal brutal com as pontas da asa a tocarem-se. Na abertura ainda sou projectado mais para trás e começo a derivar como posso para norte, com acelerador a 50%, que é onde o monte diminui de altura e onde o rotor é menor. De repente, sofro um assimétrico intempestivo com rotação a 180º (voo com a asa carregada a 97%), vejo a asa a rodar praticamente na vertical. Deixei de pensar em regressar à descolagem e continuei a derivar mais para norte à procura de térmica nas bossas que lá havia ainda esperançado de recuperar o meu voo, mas nada: só rotor, agora mais brando.Fiz pontaria a uma depressão que me permitira voar mais longe. Confiei que se soltariam umas bolhas que me levassem lá, mas acabei apanhado numa descendente e perdi a finesse. Acabei a arborizar nos arbustos, por sorte sem nada sofrer, nem eu nem a asa (uau que bela serra encontrei dentro da minha selette!).Houve quem me dissesse que o que deveria ter feito seria enrolar aquela térmica e saír a voar para trás. Hei-de pensar nisso numa próxima, contudo a realidade é que temos a mente algo formatada da instrução de nível 3: nunca nos deixarmos arrastar para trás do monte.c) Aconteceu-me algo de muito estranho, que podia ter tido más consequências. As linhas dos manobradores da minha asa são muito finas e vão-se enrolando, e fazendo novelos. Já tinha notado que o manobrador esquerdo estava mais curto devido a estas torsões, mas não liguei, pilotava com uma mão mais alta que a outra...Uma tarde descolo e, em voo, reparo que o manobrador esquerdo está bloqueado e a asa travada desse lado a uns 50%! Fiz força, tentei separar as linhas presas, sem sucesso. Felizmente que as condições não estavam temíveis e só com o manobrador direito consegui pilotar até um campo à frente da descolagem e aterrei travando a banda D. Qual não foi o meu espanto quando não encontro a causa do bloqueio. As linhas estavam todas livres!!
Friday, November 24, 2006
Thursday, November 23, 2006
Relato do Jamil e o X-Ceará 2006
É galera, mais uma vez venho aqui falar de mais um recorde pessoal quebrado, mas antes de tudo queria comentar um pouco desse grande evento que é o XCeará. Esse campeonato antes para mim era algo inalcançável e pensava que somente os profissionais tinham direito de competir, como estava equivocado. Certa vez nosso grande amigo Paulo “Pai” disse: Se quisermos evoluir temos sim é que voar com os bons e isso é verdade, pois aprendi muito e dei um salto rumo ao aperfeiçoamento.Nosso Ceará foi muito bem representado pelo nosso Piloto Flávio (Carcará) que ficou na 5ª posição, da minha parte fiz o melhor que pude e fiquei na 30ª posição, espero sinceramente que no próximo ano tenha mais pilotos cearenses inscritos e quem sabe não saia a vitória para um de nós. Quanto à organização do evento, demonstrou estar sincronizada e no meu ver a parte responsável pelo resgate foi a que se sobressaiu, mas como nada é perfeito vai minha critica construtiva: Acho que deveria ter uma única pessoa responsável pelo carregamento dos GPS, pois observei que eram alguns dos competidores que ficava responsável e muitas das vezes não era possível carregar em alguns momentos sendo assim necessário esperar que eles voltassem de seus vôos, mas no geral estão de parabéns.
É muito importante destacar a atuação do clube CNP para que os pilotos cearenses conseguissem participar da competição, tivemos apoio integral que se fez presente tanto na inscrição do campeonato como na hospedagem, brigaduuu!!!!!!!!!!!!
Vamos ao vôo que é realmente o que interessa, no começo não queria escrever nada sobre os vôos por estar chateado de não ter conseguido alcançar minha meta que era voar os três dígitos, ou seja, mais de 100 km, porém conversando com alguns amigos percebi que era tolice minha e que eu deveria era agradecer a Deus por tudo ter acontecido bem e de ter feitos ótimos vôos. Pensando bem eu quebrei meu recorde, pequeno? Sim, mas mesmo assim foi uma superação pessoal haja vista que o meu recorde de distância anterior era de 66 km e agora é de 82 km.
Segunda-feira foi o primeiro dia de competição valendo distância, decolei aproximadamente 13:00 e não perdendo muito tempo na frente da rampa engatei logo na primeira e tirei rumo ao cross, a rota era Quixeramobim, Boa Viagem, Tauá e Picos, após os três primeiros quilômetros percebi que o vento estava um tanto que de través e passei o rádio para a rampa para saber se eu podia ir na deriva do vento, para minha decepção fui informado que não era possível mudar tendo em vista que já tinha muitos pilotos há minha frente e eles estavam conseguindo forçar, então o jeito foi desafiar e seguir em frente. Uns três quilômetros de Uruquê merrequei tudo e decidi fazer bordos para pousar, neste momento o sentimento era de raiva, pois vi um parapente muito alto e havia bastante nuvem e eu ali a beira de pousar, mas como sabia que Quixadá se pode esperar tudo não desisti e fiquei aproado na frente de uma pedra esperando alguma coisa, alguns minutos depois bateu uma fraquinha que aos poucos foi se consolidando e me levou novamente a base da nuvem.
Chegando a Quixeramobim informei a rampa minha posição e altitude e continuei em frente rumo a Boa viagem, no meio do caminho o vento ficou mais de través dificultando ainda mais a rota. Tentei forçar, mas não deu o que acabou me deixando baixo em cima da cidade e não tive mais opção tendo que pousar muito cedo ali às 15:00. Então pensei estar bom demais primeiro dia com vento de través ainda consegui 82 km, nos próximos dias com a rota certa vou fechar os 100 tranquilamente.
Segundo dia eu estava mais animado decolei mais cedo e acabei me precipitando e fiquei pelo quilômetro 56, mas tudo bem ainda tinha mais três dias e nada de perder as esperanças, até porque as noticias era de que vários pilotos haviam “pregados” em custódia, algodões e etc... Terceiro dia e novamente apenas 53 km e eu já pê da vida, chegou o quarto dia e foi pior ainda fiquei antes de algodões que é aproximadamente uns 25 km e para completar no último dia um prego que quase arborizo. Acho que me empolguei de mais e fui precipitado nas tiradas, mas estou feliz da vida foi um aprendizado e tanto.
Pilotos vamos treinar para que próximo ano possamos fazer mais bonito ainda, pois temos uma galera muito boa voando e uma das melhores condições do Brasil se não do mundo. Então é isso bons e seguros vôos a todos.
Jamil Sales
Wednesday, November 22, 2006
Canoa Quebrada
Hoje é o meu penultimo dia no Brasil e decidi vir até um local chamado Canoa Quebrada. Esta vila tem este nome pois está localizada num local onde o mar tem muitos baixios e os barcos na época dos descobrimentos ficavam encalhados por aqui. Já fiz 1300 kms no carro que aluguei há 3 dias atrás e visitei grande parte desta costa do brasil. Hoje andei com um micro-carro a subir dunas de 50m de altura, algo que nunca pensei possível! Amanhã parto cedo para Fortaleza que fica a 170 kms para apnahr o voo de regresso a Portugal.
Vejam mais algumas fotos actualizadas aqui
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XCeará 2006 - Uma visão do André Lira

Depois de ler o relato dos grandes vôos que nosso amigo Carcará fez neste XCeará, em termos de Vôo não tenho muito pra contar; fora o susto que tomei logo no primeiro dia da competição, depois de Custódio, onde tentava domar uma térmica bicuda e ao fazer um giro mais apertado, negativei a vela e entrei em efeito cascata! Quando consegui resolver o "probleminha" já tinha perdido uns 300 m e me encontrava em um rotor brabo, bem atrás de um morrote, ai pra meu desespero, começou tudo de novo, só que dessa vez a 100 m! Fui negativando até o chão, sem controle nenhuma da vela. Sorte - graças a Deus – fui pinçado por um galho de árvore mais alto e tudo não passou de um susto, UFA! De qualquer forma, passei a semana toda por lá e pude observar e aprender muitas coisas sobre o vôo de Cross.
O XCeará é sem dúvida uma grande oportunidade para evoluirmos como piloto e pessoa. Além de aprimorarmos nossas técnicas de pilotagem - navegação, aprendemos muito a lidar com nossos limites, trabalhando a mente o tempo todo, para não deixar que o medo tome conta. E ai quando percebemos, superamos aquilo que achávamos impossível para gente. Isso é o mais fantástico que acho no vôo de Cross, já que temos que decolar na condição Forte se quisermos, atingir nossos objetivos.
Esse ano, a condição estava muito boa – forte como sempre, possibilitando grandes vôos todos os dias. Uma das coisas interessantes que observamos, era o horário de decolagem da galera. Os caras não esperavam muito na rampa não, tinha sol e vento, tava todo mundo decolando. Houve dias em que 07:30 já tinha piloto no ar. O grande desafio de quem decola cedo é se segurar no ar até a condição se firmar. Víamos muita gente decolando e após a tirada cair, logo atrás da rampa. A maioria não passava de Custódio. Em compensação, os poucos que passavam, tiveram garantido vôos de 300 Km. Esse ano o recorde não caiu por pouco, pois teve piloto voando quase 370 km. De qualquer forma a galera que pregava atrás ou na frente da rampa, logo estava de volta para mais um vôo. É interessante, como os caras conseguem driblar o céu azul, a baixa altura e ir se segurando na condição fraca. Cedinho era bom pra decolar, pois o vento estava brando, como uma decolagem de final de tarde. Após as 09:00, o sol esquentava e ai o vento aumentava bastante; alguns dias a rajada passou dos 60 Km/h. Era muito tenso a decolagem e tínhamos uma janela curtinha pra decolar e escapar de voar pra trás. Vimos alguns pilotos voarem pra trás, mas a maioria conseguiu se safar do famigerado rotor. Depois de decolar, era canhão pra cima! Termais de 7m/s te colocavam rapidinho na base e ai era tirar pro Cross. O problema eram as grandes descendentes, que exigia boa técnica de navegação pra não sair a 2.500 m e pregar logo ali depois da galinha. Já a tarde era mais fácil voar, pois a condição estava mais definida e as descendentes eram mais amenas, porém o vôo ficava limitado.
Em alguns dias tivemos grandes entre-ciclos em um horário que parecia bombar tudo, 12:00, condição linda, formações enormes, mas era uma ralação desgraçada e se bobeasse pregava na frente.
Quanto as máquinas que a galera voava, mas uma vez predominou os Boomerangs 4 e Sport (Inclusive, se não me engano, o Rafael, que ganhou o evento, voava um BSport que é uma vela serial DHV 2/3). Além dos Boomerangs, vimos a grande performance dos Ômegas 7, que pareceram velas muito estáveis na turbulência. Um detalhe que chamou a atenção foi o pouco número de velas Sol que estavam competindo, acho que além do Flávio de ARF e do Ceceú que voava um Tracer, tinha apenas mais um Dinamic AR que por sinal só vivia pousado lá na frente.
A estrutura do evento, mais uma vez foi muito bem organizada, os resgates funcionavam perfeitamente, quem pregava lá na frente em 30 minutos estava de volta a rampa pra decolar de novo, e quem não saia da rota tinha resgate garantido onde quer que fosse, a organização está de PARABENS.
Na minha opinião, o que deixou a desejar, foi a situação da nossa rampa, que estava péssima, com pedras pontiagudas no meio da decolagem, buracos e a mata alta lá na cerca. O resto foi só festa, céu colorido - muito legal o pelotão tirando junto – Churrasco, diversão todos os dias, novas amizades etc. Quixadá foi MUUUito bom esse ano! Já to pensando no próximo ano, se Deus Quiser.
Agradeço também a dedicação do CNP, Guy e Paulo, que se empenharam em conseguir as vagas para os pilotos do Ceará!
O XCeará é sem dúvida uma grande oportunidade para evoluirmos como piloto e pessoa. Além de aprimorarmos nossas técnicas de pilotagem - navegação, aprendemos muito a lidar com nossos limites, trabalhando a mente o tempo todo, para não deixar que o medo tome conta. E ai quando percebemos, superamos aquilo que achávamos impossível para gente. Isso é o mais fantástico que acho no vôo de Cross, já que temos que decolar na condição Forte se quisermos, atingir nossos objetivos.
Esse ano, a condição estava muito boa – forte como sempre, possibilitando grandes vôos todos os dias. Uma das coisas interessantes que observamos, era o horário de decolagem da galera. Os caras não esperavam muito na rampa não, tinha sol e vento, tava todo mundo decolando. Houve dias em que 07:30 já tinha piloto no ar. O grande desafio de quem decola cedo é se segurar no ar até a condição se firmar. Víamos muita gente decolando e após a tirada cair, logo atrás da rampa. A maioria não passava de Custódio. Em compensação, os poucos que passavam, tiveram garantido vôos de 300 Km. Esse ano o recorde não caiu por pouco, pois teve piloto voando quase 370 km. De qualquer forma a galera que pregava atrás ou na frente da rampa, logo estava de volta para mais um vôo. É interessante, como os caras conseguem driblar o céu azul, a baixa altura e ir se segurando na condição fraca. Cedinho era bom pra decolar, pois o vento estava brando, como uma decolagem de final de tarde. Após as 09:00, o sol esquentava e ai o vento aumentava bastante; alguns dias a rajada passou dos 60 Km/h. Era muito tenso a decolagem e tínhamos uma janela curtinha pra decolar e escapar de voar pra trás. Vimos alguns pilotos voarem pra trás, mas a maioria conseguiu se safar do famigerado rotor. Depois de decolar, era canhão pra cima! Termais de 7m/s te colocavam rapidinho na base e ai era tirar pro Cross. O problema eram as grandes descendentes, que exigia boa técnica de navegação pra não sair a 2.500 m e pregar logo ali depois da galinha. Já a tarde era mais fácil voar, pois a condição estava mais definida e as descendentes eram mais amenas, porém o vôo ficava limitado.
Em alguns dias tivemos grandes entre-ciclos em um horário que parecia bombar tudo, 12:00, condição linda, formações enormes, mas era uma ralação desgraçada e se bobeasse pregava na frente.
Quanto as máquinas que a galera voava, mas uma vez predominou os Boomerangs 4 e Sport (Inclusive, se não me engano, o Rafael, que ganhou o evento, voava um BSport que é uma vela serial DHV 2/3). Além dos Boomerangs, vimos a grande performance dos Ômegas 7, que pareceram velas muito estáveis na turbulência. Um detalhe que chamou a atenção foi o pouco número de velas Sol que estavam competindo, acho que além do Flávio de ARF e do Ceceú que voava um Tracer, tinha apenas mais um Dinamic AR que por sinal só vivia pousado lá na frente.
A estrutura do evento, mais uma vez foi muito bem organizada, os resgates funcionavam perfeitamente, quem pregava lá na frente em 30 minutos estava de volta a rampa pra decolar de novo, e quem não saia da rota tinha resgate garantido onde quer que fosse, a organização está de PARABENS.
Na minha opinião, o que deixou a desejar, foi a situação da nossa rampa, que estava péssima, com pedras pontiagudas no meio da decolagem, buracos e a mata alta lá na cerca. O resto foi só festa, céu colorido - muito legal o pelotão tirando junto – Churrasco, diversão todos os dias, novas amizades etc. Quixadá foi MUUUito bom esse ano! Já to pensando no próximo ano, se Deus Quiser.
Agradeço também a dedicação do CNP, Guy e Paulo, que se empenharam em conseguir as vagas para os pilotos do Ceará!
Valeu!
André
Quarta-Feira - 3ª Prova - XCeará 2006

O dia amanhece azul e logo começa a aparecer as estradinhas no céu, porém depois da decolagem se percebe que não seria tão fácil voar, principalmente no trecho entre Quixadá e Madalena. Os entre ciclos longos davam idéia de que tudo estava parado, mas com muita paciência e persistência fui conseguindo vencer cada quilometro de desafio até dar uma melhorada e eu entubei pra valer, mas com muito cuidado pois poderia aparecer mais alguém e vir a ter problemas. O vôo rendeu rápido e logo cheguei a Monsenhor Tabosa (120km). Com os mesmos problemas de grandes queimadas, tratei de passar por cima e logo depois só descendentes. Foi então que fiquei muito baixo e preocupado, pois teria que fazer mais de 200kms para garantir uma posição melhor no campeonato. Com muita sorte e habilidade consegui na ultima hora visualizar alguns urubus enroscando uns 400m a minha direita e tudo que deveria fazer era acreditar e tentar o mais rápido ir até eles. Não deu outra! Batata !! A termal devolveu tudo que a descendente tirou e com juros (rsrsr). Feliz da vida, com tanque cheio e com 2400m com vento de calda. Ainda era cedo e comecei a me aproximar da serra da Ibiapaba pela direita de Ararendá , mais precisamente pela cidade de Ipueiras. Antes de chegar na serra fui surpreendido por uma descendente enorme e só me restava achar a termal ou jogar muito baixo sobre uma enorme queimada a minha frente. Pensei 3 vezes em jogar sobre a danada (queimada), mas cada metro que perdia me aproximava ainda mais do perigo . Então decidi pelo fundamental que é sempre segurança . E pra minha surpresa , quando olhei o gps havia voado 202km. Cumpri minha meta e fiquei muito feliz .
Depois fiquei sabendo que a grande maioria não passara de Madalena. É isso galera!! Os outros dois dias usei como descartes, pois na quinta o tempo fechou e chovia no sentido da rota e na sexta, embora poucos tenham voado bem, fiquei a 9km de Madalena já que a condição estava péssima. Tanto que quase todos que decolaram, ficaram antes de Monsenhor Tabosa.
No mais, gostaria de agradecer a todos que trabalharam para que pudéssemos participar de mais esta edição do XCeará, em especial ao Guy (Nosso Presidente), ao Paulo Pai, ao Supiai do Valdez e também a todos que acompanharam e torceram para que obtivéssemos bons resultados e também fizéssemos grandes vôos.
Meu muito obrigado a todos e no ano que vem tem mais!!
Flávio Moreira – 5º Lugar no XCeará 2006
Depois fiquei sabendo que a grande maioria não passara de Madalena. É isso galera!! Os outros dois dias usei como descartes, pois na quinta o tempo fechou e chovia no sentido da rota e na sexta, embora poucos tenham voado bem, fiquei a 9km de Madalena já que a condição estava péssima. Tanto que quase todos que decolaram, ficaram antes de Monsenhor Tabosa.
No mais, gostaria de agradecer a todos que trabalharam para que pudéssemos participar de mais esta edição do XCeará, em especial ao Guy (Nosso Presidente), ao Paulo Pai, ao Supiai do Valdez e também a todos que acompanharam e torceram para que obtivéssemos bons resultados e também fizéssemos grandes vôos.
Meu muito obrigado a todos e no ano que vem tem mais!!
Flávio Moreira – 5º Lugar no XCeará 2006
Outro grande relato do Flávio - 3a Feira 14/11/2006

O dia começa bonito e às 07:30 da manhã já tinha verminoso no ar. Cheguei na rampa às 09:30 e decolei umas 10:30. Subi rápido elogo passei o rádio dizendo estar sobre Madalena. O vôo seguia tranqüilo e eu sempre sozinho não via nem urubu. Chegando em Nova Russas tive que tomar muito cuidado com algumas queimadas muito grandes e ameaçadoras que convergiam e significavam muita turbulência e risco. Tratei de subir tudo e passei sobre elas com mais de 2000m. Tentei voar sempre alto pra não correr o risco de pousar cedo e ver a galera passar, já que a grande maioria não passava de Monsenhor Tabosa.Quando chegava em Ararendá lá pelas 16:20, e já uns 200km voados, vi um "bomera" a uns 5 km a minha frente e tratei de alcançá-lo. Ele ficou muitobaixo sobre a cidade de Ararendá e eu sempre alto não pude fazer nada anão ser, rumar para Poranga. Mas agora tudo se inverte, o gringo sobe tudo e eu fico muito baixo sobre Poranga, olho pra cima vejo o gringo quaseentubado , bate um desespero e pra minha grande sorte, me aparecem algunsanjos urubus subindo tudo a minha frente e a direita a uns 300m de altura. Que felicidade. Subi tudo e rápido para logo dividir com o gringo amesma nuvem. Daí já era tarde e subimos até 2700m sem entubar para atirada final. Saímos na mesma linha e altura. Aproveitei para fazer algumas observações entre meu arf e o "bomera". Numa tirada de uns 35kmpousamos num arado a beira da única estrada para Pedro II. Com uma diferençade apenas uns 30m de altura para o bomera. Concluí que meu paraca é show. Eu e o gringo fechamos 242km. Dois novos recordes pessoais. Este foi osegundo dia e a quarta-feira também prometia... Amanhã tem mais...
Flavio Moreira
Domingo - Bombando tudo no X-CEARÁ 2006

Domingo.
Primeira prova.
Um pouso a 50km da rampa, onde seria servido um almoço de confraternização aos pilotos.Cheguei com 2000mt em cima do goal e minha fome era de voar, mas pousei e comi tudo. Felicidade total de pança cheia até a tampa. Muitos pilotos já estavam lá e como eu não falavam nada.
Primeira prova.
Um pouso a 50km da rampa, onde seria servido um almoço de confraternização aos pilotos.Cheguei com 2000mt em cima do goal e minha fome era de voar, mas pousei e comi tudo. Felicidade total de pança cheia até a tampa. Muitos pilotos já estavam lá e como eu não falavam nada.
Segunda feira.
Primeira prova de distancia livre.
A comissão escolhe uma prova que seria difícil de cumprir, pois o vento soprava quase nordeste e durante o vôo virou quase de sudeste. Eu decolei umas 10:30 e logo desapareci de cena. Vôo tranqüilo até ser surpreendido por uma fechada animal bem a direita de Quixeramobim. Tudo resolvido e denovo a vela vêm sobre minha cabeça numa violência que eu acho desnecessária. De novo assumo o comando e toco o vôo com tudo em ordem. Quando chego em Boa Viagem já sinto a força do vento virando, mas continuo tocando o vôo. Lá pelo km 100 fica muito difícil manter a rota e tenho problemas com a bateria do vário e logo em seguida a do gps, mas consegui trocá-las depois de umtrabalhão e de muitos metros perdidos.A rota seguia cada vez mais difícil e depois de uma descendente fdp, fiquei baixo numa região aonde jamais deveria pousar, pois teria que andar muito e rezar muito para que o resgate me encontrasse. Foi então que fiz a grande escolha: ou arriscaria um vôo baixo por região inóspita quase contra vento, ou subiria na primeira térmica boa e faria um vôo sempre alto, mas fora da rota e sem resgate. Como eu já conhecia a possível rota alternativa, joguei pra cima e lá estava eu no rumo do vento. Cheguei em Crateús lá pelas 15:30 e subindo tudo 2300m a esquerda da cidade. Logo depois passei por cima de onde já havia pousado em 2003. Procurei no gps a próxima cidade favorável e encontrei TUCUNS a uns 25 depois de Crateús. Cheguei lá com uns 2000 de altura as 16:20. Perguntei no rádio que cidade teria depois e o Cecéu me reportou dizendo que eu deveria pousar em Tucuns pois a partir dalí seria uma grande roubada, sem resgate nem estradas e eu correria risco de virar lenda .Como sou novo e o Cecéu macaco velho, decidi pelo decidido, mas com certeza daria pra fazer ainda uns 60km. Bem, fiquei muito feliz com 213 km. Pousado em Tucuns e aclamado por todos da cidadezinha , tratei de me virar pra voltar. Peguei um ônibus até Crateús, chegando lá o ônibus para Fortaleza parecia já me aguardar,pois desci de um e entrei no outro. Cheguei em fortaleza 23:10 e a festa era das muriçocas (na rodoviária tem uma criação e as bichinhas estavam todas soltas e com muita fome). Não dormi e o ônibus para Quixadá só sairia ás 05:00
GALERA ESTA FOI APENAS A PRIMEIRA PARTE. AMANHÂ TEM MAIS.OK?
UM ABRAÇO A TODOS ...
Flávio Moreira
Primeira prova de distancia livre.
A comissão escolhe uma prova que seria difícil de cumprir, pois o vento soprava quase nordeste e durante o vôo virou quase de sudeste. Eu decolei umas 10:30 e logo desapareci de cena. Vôo tranqüilo até ser surpreendido por uma fechada animal bem a direita de Quixeramobim. Tudo resolvido e denovo a vela vêm sobre minha cabeça numa violência que eu acho desnecessária. De novo assumo o comando e toco o vôo com tudo em ordem. Quando chego em Boa Viagem já sinto a força do vento virando, mas continuo tocando o vôo. Lá pelo km 100 fica muito difícil manter a rota e tenho problemas com a bateria do vário e logo em seguida a do gps, mas consegui trocá-las depois de umtrabalhão e de muitos metros perdidos.A rota seguia cada vez mais difícil e depois de uma descendente fdp, fiquei baixo numa região aonde jamais deveria pousar, pois teria que andar muito e rezar muito para que o resgate me encontrasse. Foi então que fiz a grande escolha: ou arriscaria um vôo baixo por região inóspita quase contra vento, ou subiria na primeira térmica boa e faria um vôo sempre alto, mas fora da rota e sem resgate. Como eu já conhecia a possível rota alternativa, joguei pra cima e lá estava eu no rumo do vento. Cheguei em Crateús lá pelas 15:30 e subindo tudo 2300m a esquerda da cidade. Logo depois passei por cima de onde já havia pousado em 2003. Procurei no gps a próxima cidade favorável e encontrei TUCUNS a uns 25 depois de Crateús. Cheguei lá com uns 2000 de altura as 16:20. Perguntei no rádio que cidade teria depois e o Cecéu me reportou dizendo que eu deveria pousar em Tucuns pois a partir dalí seria uma grande roubada, sem resgate nem estradas e eu correria risco de virar lenda .Como sou novo e o Cecéu macaco velho, decidi pelo decidido, mas com certeza daria pra fazer ainda uns 60km. Bem, fiquei muito feliz com 213 km. Pousado em Tucuns e aclamado por todos da cidadezinha , tratei de me virar pra voltar. Peguei um ônibus até Crateús, chegando lá o ônibus para Fortaleza parecia já me aguardar,pois desci de um e entrei no outro. Cheguei em fortaleza 23:10 e a festa era das muriçocas (na rodoviária tem uma criação e as bichinhas estavam todas soltas e com muita fome). Não dormi e o ônibus para Quixadá só sairia ás 05:00
GALERA ESTA FOI APENAS A PRIMEIRA PARTE. AMANHÂ TEM MAIS.OK?
UM ABRAÇO A TODOS ...
Flávio Moreira
Tuesday, November 21, 2006
Fortaleza
Ando a vaguear por Fortaleza de mometo. Ontém fui a uma das mais belas praias do mundo chamada Jeriquaquara que fica dentro de um parque natural. Fiz 750 kms a condzir mas valeu a pena conhecer este local paradisiaco, conforme podem constatar as fotos que envio em seguida. Hoje vou ficar a relaxar pela praia do futuro aqui em Fortaleza e amanhã parto para Canoa Quebrada onde me devo encontrar com o pessoal que organizou o -Ceará e está agora a organizar um evento de Kite surf nesse local. Infelizmete chego a Lisboa no dia 23.
Vejam mais algumas fotos actualizadas aqui
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Sunday, November 19, 2006
Ultimo de dia do X-Cerá
Chegou ao fim este evento que ficará para sempre na minha memória como uma das coisas mais radicias que fiz em termos de voo. Para o ano pretendo regressar e rever todas estas fantásticas pessoas que conheci. Existe uma folha de classificações sobre o evento, mas poucos pilotos se importam com ela, pois o simples facto de conseguirmos voar neste tipo de condições já faz de nós vencedores, muitos bateram recordes pessoais, outros não e foi uma escola muito boa para muitos de nós. Estamos de partida dentro de meia hora para Fortaleza (250 kms) onde conto ficar juntamente com alguns pilotos brasileiros a relaxar uns dias pela costa de Fortaleza. Tenho muitas imagens sobre o evrnto e conto fazer um filme sobre o evnto logo que possível.
Thursday, November 16, 2006
Dia 6
Ao sexto dia tivemos um dia mediocre para voar. Amanheceu nublado, depois da chuva do dia anterior e descolou-se por volta das 10.00h. Praticamente todos os pilotos descolaram e aterraram a menos de 40 kms da descolagem. Apenas uma asa-delta se safou no grupo onde eu seguia e foram os que chegaram mais longe no dia de hoje. O deltista conseguiu fazer cerca de 200 kms. Outra notícia interessante é que o Recorde Sul Americano e voo mais longo do mundo com descolagem a pé, do Digo Pires (Português) ainda se mantém. Afinal o piloto brasileiro apenas conseguiu fazer 371 kms ficando a 10 kms do voo do Diogo. Amanhã é o ultimo dia de competição e no Sábado vamos voar livremente. Hoje vimos os resultados pela primeira vez desde que chegámos, e o Gonçalo está em 31º e eu em 34º da classificação geral de cerca de 60 pilotos inscritos e mais cerca de 10 não inscritos e a voar.
Para visualizar as fotos mais recentes clicar aqui.
Amanhã temos mais voos e as previsões parecem boas…
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Wednesday, November 15, 2006
Mais um dia para esquecer em termos de voos para mim aqui no Ceará (Brasil), mas muito agradável para além disso. À falta de melhores voos, aterra-se e convive-se com a população local que é extremamente simples e amistosa. Hoje fiz dois voos com as condições a mudarem rapidamente, descolei por volta das 8.30h e fui direito para a aterragem para não ser ganâncioso. Na segunda descolagem, depois de rajadas de 70 kms hora durante uma hotra e vários pilotos a voarem para trás, houve uma acalmia e deu para descolar na rajada de 40 kms/h, mas no ar a turbulência era tanta que após diversos fechos a chegar à nuvém, acabei por aterrar a 9 kms da descolagem, pois começava a tapar tudo e chuva estava próxima. Os pilotos que sairam na mesma altura do primeiro voo, aterraram atràs da serra pois ainda era muito cedo. Como tem acontecido em dias anteriores, acaba sempre por haver 4 ou 5 pilotos que conseguem escapar a este totoloto e seguem viagem e até ao momento não há notícias mais concretas...
Afinal, ontém acabou por haver um piloto a voar 345 kms, outro com 250 kms, e 2 ou 3 com 100 kms.
Segundo notícias fresquinhas, o Rafael Monteiro (piloto Brasileiro) está a 360 kms e a voar com ainda 2 horas de voo pela frente. Hoje de manhã ao pequeno-almoço este piloto dizia que não ia voar por estar muito cansado, pois tinha feito 320 kms ontem e chegado às 3.3oh da manhã. O Recorde do Mundo está em risco de ser batido com um piloto que voa com uma asa de série. Seis pilotos fizeram mais de 300 kms também, mas já estão aterrados. Acaba de entrar uma frente fria por aqui que destruíu as barracas da descolagem de tal forma que a base das recolhas teve de ser mudada.
Logo que saiba mais notícias comunico...
Paulo Reis
Afinal, ontém acabou por haver um piloto a voar 345 kms, outro com 250 kms, e 2 ou 3 com 100 kms.
Segundo notícias fresquinhas, o Rafael Monteiro (piloto Brasileiro) está a 360 kms e a voar com ainda 2 horas de voo pela frente. Hoje de manhã ao pequeno-almoço este piloto dizia que não ia voar por estar muito cansado, pois tinha feito 320 kms ontem e chegado às 3.3oh da manhã. O Recorde do Mundo está em risco de ser batido com um piloto que voa com uma asa de série. Seis pilotos fizeram mais de 300 kms também, mas já estão aterrados. Acaba de entrar uma frente fria por aqui que destruíu as barracas da descolagem de tal forma que a base das recolhas teve de ser mudada.
Logo que saiba mais notícias comunico...
Paulo Reis
Tuesday, November 14, 2006
Dia 4
Aqui no certão do Ceará cada dia é uma aventura diferente. Hoje descolei às 9.30 da manhã com as rajadas fortes do costume, com alguns acidentes e incidentes com alguns pilotos que descolaram mais tarde. Felizmente, tanto eu como o Gonçalo temos descolado e aterrado bem, embora as distâncias não tenham sido grandes. O voo do dia foi do piloto Sardinha que fez 320 kms e um piloto de Asa Delta fez 380 kms. Ando com alguma dificuldade por voar leve e as aterragens de marcha-a-tràs têm sido uma constante! Depois de aterrar, andar 3 kms até à localidade mais próxima e esperar a recolha, os carros iam passando cheios de pilotos que tinham ficado na mesma zona e queriam fazer um segundo voo. Essa era a minha intenção, mas infelizmente fui recolhido por uma viatura que tinha de ir buscar um piloto de asa delta que estava a 16 kms e regressariamos à descolagem em seguida. Com um GPS e coordenadas corectas fornecidas pelo piloto, levámos 9 horas para o encontrar no meio de um deserto agreste e caminhos com inúmeras portadas de arame farpado. Ainda houve tempo para reparar um furo na viatura pelo caminho. Acabámos no final por ainda recolher no caminho de regresso o Gonçalo que estava a fazer o seu 2º voo do dia! O povo do Ceará é dos mais acolhedores e simpático que tenho conhecido. É uma zona bastante pobre, com pessoas humildes, mas que nos dão tudo o que têm sem querer nada em troca!
Amnhã é outro dia para aprender como funcinam as coisas em termos de voos por aqui ...
Amnhã é outro dia para aprender como funcinam as coisas em termos de voos por aqui ...
Monday, November 13, 2006
Olá de novo,
Acabaram de instalar uma ligação Wireless aqui na Pousada Pedra dos Ventos. Segundo as notícias mais recentes, depois de um dia muito duro para muitos pilotos que aterraram a andar para trás. Histórias de aterragens e arrastamentos são bastantantes por aqui para quem conseguiu passar dos 100 kms. Aparentemente todos sofrearam bastante hoje, pois a rota alternativa escolhida não foi a acertada e foi contra-vento. Ainda assim dois brasileiros, o Ceceu e o Marcelo Mello fizeram 230 kms. A rota escolhida tinha cerca de 30 kms onde seria altamente dificil a recolha e os pilotos que aterraram por lá tiveram de sair de lá pelos próprios meios, mulas e motos foram as opções escolhidas. Amanhã há mais voos radicais aqui na terra do vento...
Algumas fotos aqui.
Acabaram de instalar uma ligação Wireless aqui na Pousada Pedra dos Ventos. Segundo as notícias mais recentes, depois de um dia muito duro para muitos pilotos que aterraram a andar para trás. Histórias de aterragens e arrastamentos são bastantantes por aqui para quem conseguiu passar dos 100 kms. Aparentemente todos sofrearam bastante hoje, pois a rota alternativa escolhida não foi a acertada e foi contra-vento. Ainda assim dois brasileiros, o Ceceu e o Marcelo Mello fizeram 230 kms. A rota escolhida tinha cerca de 30 kms onde seria altamente dificil a recolha e os pilotos que aterraram por lá tiveram de sair de lá pelos próprios meios, mulas e motos foram as opções escolhidas. Amanhã há mais voos radicais aqui na terra do vento...
Algumas fotos aqui.
Noticias do X-Ceará
Directamente de Quixadá e com pouco tempo para escrever.
Os voos por aqui são realmente deslumbrantes, mas nada fáceis! A descolagem é tudo o que eu suspeitava e ainda mais! A confiança nos ajudantes da descolagem é quase religiosa quanfo se descola com ventos de rajada até 50 kms e se consegue sair numa quebra de 2 ou 3 segundos depois de 10 minutos à espera que baixe. Dos 3 voos que fiz até ao momento, os tectos tem estado baixos e o vento nunca dá tréguas e tem vindo de nordeste, o que não é nada normal por estas bandas. O pessoal local diz que mesmo assim ainda está a ser um X-Ceará muito soft. As condições devem melhorar ao longo da semana, mas já hoje no primeiro dia de competição deve ter havido pilotos a fazer algumas grandes distâncias. O ambiente é fantástico entre os pilotos de muitas ncionalidades, a organização é muito profissional e a paisagem deslumbrante. O Gonçalo está a voar muito bem e comprou uma x-rated e já anda a voar de canoa. Ainda não o vi hoje, depois da descolagem pelo que suspeito que ele deve ter fweito um voo grande. Infelizmente hoje não garanti o suficiente e aterrei logo a 40 kms. Uma constante dos voos tem sido aterragems paradas ou a andar para traz. As condições são realmente exigentes e tem havido alguns incidentes (sem consequências)com alguns pilotos que sairam no momento da rajada forte. Hoje uma piloto Francesa andou a fazer helicopetros forçados e felizmente a asa abriu a sotavento antes de ele aterar. Por agora é tudo e nos próximos dias será díficil altualizar o blog, pois a ligação à net no hotel é realmente má! Tenho algumas fotos e filmes, mas não posso descarregar agora...
Hasta la vista...
Paulo Reis
Os voos por aqui são realmente deslumbrantes, mas nada fáceis! A descolagem é tudo o que eu suspeitava e ainda mais! A confiança nos ajudantes da descolagem é quase religiosa quanfo se descola com ventos de rajada até 50 kms e se consegue sair numa quebra de 2 ou 3 segundos depois de 10 minutos à espera que baixe. Dos 3 voos que fiz até ao momento, os tectos tem estado baixos e o vento nunca dá tréguas e tem vindo de nordeste, o que não é nada normal por estas bandas. O pessoal local diz que mesmo assim ainda está a ser um X-Ceará muito soft. As condições devem melhorar ao longo da semana, mas já hoje no primeiro dia de competição deve ter havido pilotos a fazer algumas grandes distâncias. O ambiente é fantástico entre os pilotos de muitas ncionalidades, a organização é muito profissional e a paisagem deslumbrante. O Gonçalo está a voar muito bem e comprou uma x-rated e já anda a voar de canoa. Ainda não o vi hoje, depois da descolagem pelo que suspeito que ele deve ter fweito um voo grande. Infelizmente hoje não garanti o suficiente e aterrei logo a 40 kms. Uma constante dos voos tem sido aterragems paradas ou a andar para traz. As condições são realmente exigentes e tem havido alguns incidentes (sem consequências)com alguns pilotos que sairam no momento da rajada forte. Hoje uma piloto Francesa andou a fazer helicopetros forçados e felizmente a asa abriu a sotavento antes de ele aterar. Por agora é tudo e nos próximos dias será díficil altualizar o blog, pois a ligação à net no hotel é realmente má! Tenho algumas fotos e filmes, mas não posso descarregar agora...
Hasta la vista...
Paulo Reis
Monday, November 06, 2006
O X-Ceará é um evento que existe já há 10 anos.
O X-Ceará é um evento que existe já há 10 anos. Este ano será a 11ª edicão deste evento que tem encantando pessoas de todo o mundo, com a possibilidade de excelentes vôos, receptividade do povo local e uma das condição climáticas mais constantes para voos de "Cross Country" e tentaivas de recordes mundiais. Tudo começou à 10 anos atrás com a trip "Ceará sem Roubada" que incentivava à quebra dos recordes sul-americanos. Hoje em dia, o X-Ceará é considerado um dos principais, senão o principal, evento de "Cross Country" a nível mundial. De 10 a 19 de Novembro, Quixadá será uma vez mais a capital mundial do "Cross Country", recebendo pilotos de todo o mundo para este grande desafio no sertão Nordestino. O evento é acima de tudo, um grande encontro de pilotos, voando juntos com o mesmo objetivo: voar o mais longe e disfrutar ao máximo o voo, sem stress e sem pressão. A atmosfera amigável entre os pilotos é a marca registrada do evento. Resumindo: O X-CEARÁ É A GARANTIA DE BONS VOOS.
Saturday, November 04, 2006
Friday, November 03, 2006
Optimas térmicas e muita velocidade nos voos em Quixadá
Artifgo de Chico Santos - Goup em 1/8/2002.
Um local rico em térmicas e estampado com uma paisagem exótica. Quixadá é assim! Simples e incrivelmente belo. Ideal para quebra de recordes por sua grande incidência de térmicas. Figura entre os pontos mundiais de voo livre com maior preferência dos pilotos europeus e americanos.
"O lugar é único. Basta estar aqui para compreender o porquê", afirma o piloto capixaba Frank Brown, com maior distância de vôos realizados durante os seis dias de provas. As condições de vento são realmente únicas e favorecem a descolagem. Isso deve-se ao clima seco da região, que cria bolhas de ar quente, produzindo as térmicas e levam às alturas os praticantes do voo.
"Para se ter uma idéia de como é maravilhoso esse lugar, aqui não existe o voo prego, quando o piloto descola e em pouco tempo faz o pouso. As distâncias percorridas são incríveis!", comenta o piloto de Asa-delta, Cláudio Landim. Landim pratica o desporto há 10 anos e conhece bem as características da região.
Outra vantagem da prática do voo livre em Quixadá é a velocidade com que as descolagens são feitas. O piloto deixa a rampa e ganha altitude em poucos segundos."Nem é mesmo necessário ganhar velocidade", comenta Landim. O voo é significativamente perfeito e as térmicas conspiram a favor das provas de velocidade e das provas de cross country (longa distância). Os chamados monólitos (elevações rochosas típicas da região) parecem desafiar a maestria dos pilotos do voo livre. A cidade, situada no sertão central do Ceará, foi descoberta há quatro anos por pilotos de vasta experiência no desporto.
"Aqui encontram-se as melhores térmicas do mundo, o que explica a grande procura de pilotos do mundo inteiro por este local". A cidade de Quixadá é hoje conhecida mundialmente. Todos os anos a equipa francesa de Asa-Delta participa do desafio. Os ingleses também estão descobrindo a qualidade do voo do lugar. Este ano Jim Coutts e Richard Westgate quebraram o recorde de parapente com voo duplo de golo declarado, alcançado a marca de 250 quilómetros, a maior distância feita até agora no mundo. O recorde mundial dos ingleses já é destaque na imprensa inglesa. "Queremos muito estar todos os anos aqui para fazer coisas incríveis", enfatiza Richard Westgate.
Em Quixadá até os gaviões têm nome - Euclides tem uma casa sobre a pedra do Santuário, situada à direita da rampa de vôo. Enquanto os pilotos se preparam para mais um dia de competição, ele se aproxima da rampa para avaliar seus companheiros. Chega inclusivamente a pousar sobre as asas e equipamentos. O gavião já é conhecido no lugar e conseguiu ganhar a confiança dos pilotos. "Euclides está sempre presente. É uma espécie de companheiro de todos nós", brinca o piloto António Almeida. O nome foi empregado pelos pilotos e chegou ao conhecimento dos competidores. O bicho é uma espécie de guia do voo, já que como não gosta de bater as asas, o gavião apanha as térmicas para ganhar altura. É a natureza ajudando o homem a voar.
Um local rico em térmicas e estampado com uma paisagem exótica. Quixadá é assim! Simples e incrivelmente belo. Ideal para quebra de recordes por sua grande incidência de térmicas. Figura entre os pontos mundiais de voo livre com maior preferência dos pilotos europeus e americanos.
"O lugar é único. Basta estar aqui para compreender o porquê", afirma o piloto capixaba Frank Brown, com maior distância de vôos realizados durante os seis dias de provas. As condições de vento são realmente únicas e favorecem a descolagem. Isso deve-se ao clima seco da região, que cria bolhas de ar quente, produzindo as térmicas e levam às alturas os praticantes do voo.
"Para se ter uma idéia de como é maravilhoso esse lugar, aqui não existe o voo prego, quando o piloto descola e em pouco tempo faz o pouso. As distâncias percorridas são incríveis!", comenta o piloto de Asa-delta, Cláudio Landim. Landim pratica o desporto há 10 anos e conhece bem as características da região.
Outra vantagem da prática do voo livre em Quixadá é a velocidade com que as descolagens são feitas. O piloto deixa a rampa e ganha altitude em poucos segundos."Nem é mesmo necessário ganhar velocidade", comenta Landim. O voo é significativamente perfeito e as térmicas conspiram a favor das provas de velocidade e das provas de cross country (longa distância). Os chamados monólitos (elevações rochosas típicas da região) parecem desafiar a maestria dos pilotos do voo livre. A cidade, situada no sertão central do Ceará, foi descoberta há quatro anos por pilotos de vasta experiência no desporto.
"Aqui encontram-se as melhores térmicas do mundo, o que explica a grande procura de pilotos do mundo inteiro por este local". A cidade de Quixadá é hoje conhecida mundialmente. Todos os anos a equipa francesa de Asa-Delta participa do desafio. Os ingleses também estão descobrindo a qualidade do voo do lugar. Este ano Jim Coutts e Richard Westgate quebraram o recorde de parapente com voo duplo de golo declarado, alcançado a marca de 250 quilómetros, a maior distância feita até agora no mundo. O recorde mundial dos ingleses já é destaque na imprensa inglesa. "Queremos muito estar todos os anos aqui para fazer coisas incríveis", enfatiza Richard Westgate.
Em Quixadá até os gaviões têm nome - Euclides tem uma casa sobre a pedra do Santuário, situada à direita da rampa de vôo. Enquanto os pilotos se preparam para mais um dia de competição, ele se aproxima da rampa para avaliar seus companheiros. Chega inclusivamente a pousar sobre as asas e equipamentos. O gavião já é conhecido no lugar e conseguiu ganhar a confiança dos pilotos. "Euclides está sempre presente. É uma espécie de companheiro de todos nós", brinca o piloto António Almeida. O nome foi empregado pelos pilotos e chegou ao conhecimento dos competidores. O bicho é uma espécie de guia do voo, já que como não gosta de bater as asas, o gavião apanha as térmicas para ganhar altura. É a natureza ajudando o homem a voar.
Tuesday, October 31, 2006
Porquê "X-Ceará" ?
O nome "X-Ceará" nasceu da união de várias idéias e siglas. A modalidade "Cross Country", é conhecida mundialmente pela sigla "XC". Por outro lado, é uma tendência mundial a denominação de desportos de acção como "Extreme Sports", cuja sigla é a letra "X". Com a fusão destas duas siglas, criou-se o "X-Ceará" um evento dinâmico de Cross Country e voos em distância de asa delta e parapente, sem precedentes no mundo .
O que é o Cross-Country?
O Cross Country é a principal e mais difundida modalidade de Voo Livre, que consiste num voo de distância livre, ou seja, o objectivo dos pilotos é voar o mais longe possível.
Durante o voo, os pilotos passam por diversas cidades, vilas e regiões desérticas, chegando a cruzar todo estado do Ceará, Piauí, estando o recorde actual de asa delta quase na fronteira com o Maranhão.
Os recordes atuais são de 382 Kms (Parapente) e 432 kms (Asa Delta). Isto significa que o piloto aterrou, num único voo, a 432 kms de distância (em linha recta) do local da descolagem, sem motor, só utilizando as correntes térmicas e o vento!
Durante o voo, os pilotos passam por diversas cidades, vilas e regiões desérticas, chegando a cruzar todo estado do Ceará, Piauí, estando o recorde actual de asa delta quase na fronteira com o Maranhão.
Os recordes atuais são de 382 Kms (Parapente) e 432 kms (Asa Delta). Isto significa que o piloto aterrou, num único voo, a 432 kms de distância (em linha recta) do local da descolagem, sem motor, só utilizando as correntes térmicas e o vento!
Objectivos do X-Ceará
O "X-Ceará" é um evento de Voo Livre na modalidade de Cross-Country que tem como principais objetivos:
- Realizar um evento de porte internacional divulgando mundialmente o potencial de voo do Ceará.
- Comprovar e divulgar o potencial de voo no estado do Ceará, incluindo Quixadá, no roteiro das competições de nível internacional mais importantes do mundo.
- Realizar um trabalho de base de divulgação do Voo Livre para o público em geral e no estado do Ceará.
- Abrir caminho para o crescimento do evento com objetivo futuro de englobar outros desportos de acção.
- Realizar um evento de porte internacional divulgando mundialmente o potencial de voo do Ceará.
- Comprovar e divulgar o potencial de voo no estado do Ceará, incluindo Quixadá, no roteiro das competições de nível internacional mais importantes do mundo.
- Realizar um trabalho de base de divulgação do Voo Livre para o público em geral e no estado do Ceará.
- Abrir caminho para o crescimento do evento com objetivo futuro de englobar outros desportos de acção.
Factores que contribuiram para o desenvolvimento do Voo Livre no Ceará
- Abundância de Sol e vento.
- Excelentes condições climáticas.
- Riqueza em belezas naturais com variedade de opções de lazer próximo à região do voo.
- Baixo custo.
- Baixíssimo índice pluviométrico.
- Hospitalidade do povo.
- Proximidade física da Europa e dos EUA.
- Excelente parque hoteleiro desenvolvido nos últimos 5 anos.
- Excelentes rodovias de acesso ao sertão central.
- Excelentes condições climáticas.
- Riqueza em belezas naturais com variedade de opções de lazer próximo à região do voo.
- Baixo custo.
- Baixíssimo índice pluviométrico.
- Hospitalidade do povo.
- Proximidade física da Europa e dos EUA.
- Excelente parque hoteleiro desenvolvido nos últimos 5 anos.
- Excelentes rodovias de acesso ao sertão central.
O Ceará
O Ceará é conhecido como "Terra da Luz" pela abundância de dias ensolarados durante o ano, o que proporciona a realização de eventos e prática de desportos ao ar livre.
O Ceará tem ainda para oferecer uma importante fonte de energia da natureza que são os constantes ventos alísios que sopram na região. Estes ventos proporcionam excelentes condições para a prática de vários desportos como é o caso do Windsurf.
O Voo Livre, é o único desporto que capta de uma só vez estas duas fontes de energia da natureza, traduzindo-as em longas horas de voo, uma vez que se aproveita tanto do vento, como das correntes térmicas, abundantes na região, geradas pelo intenso sol que abrange o solo Cearense.
O clima e as condições geográfica, fazem do Ceará uma das 3 únicas regiões do mundo que consegue reunir em abundância estas duas fontes de energia fundamentais para a prática do Voo Livre.
O Ceará tem ainda para oferecer uma importante fonte de energia da natureza que são os constantes ventos alísios que sopram na região. Estes ventos proporcionam excelentes condições para a prática de vários desportos como é o caso do Windsurf.
O Voo Livre, é o único desporto que capta de uma só vez estas duas fontes de energia da natureza, traduzindo-as em longas horas de voo, uma vez que se aproveita tanto do vento, como das correntes térmicas, abundantes na região, geradas pelo intenso sol que abrange o solo Cearense.
O clima e as condições geográfica, fazem do Ceará uma das 3 únicas regiões do mundo que consegue reunir em abundância estas duas fontes de energia fundamentais para a prática do Voo Livre.
Sunday, October 29, 2006
Programa X-Ceará 2006
Sexta-Feira - 10 de Novembro de 2006
- 11.00 PM - Cerimonia de abertura em Fortaleza
Sábado - 11 de Novembro de 2006
- 09.00 AM -Partida de Fortalea para Quixadá
- 01.00 PM - Voo de treino em Quixadá / Voo local
Domingo - 12 de Novembro de 2006
- 08.00 AM - Briefing geral / Inscrições
- 09.00 AM - Ínicio das descolagens
- Manga promocional
- Golo em Quixeramobim / Confraternização e almoço para os pilotos
Entre 13 e 17 de Novembro / Mangas de Competição
- 08:30 AM - Ínicio das descolagens
Sábado - 18 de Novembro de 2006
- Manga com golo declarado
- 10.00 PM
- Entrega de prémios
- 11.00 PM - Cerimónia de encerramento / Quixadá
- 11:30 PM - Partida do primeiro transporte de regresso a Fortaleza
Domingo - 19 de Novembro de 2006
- 10.00 AM - Partida para Fortaleza ou Canoa Quebrada
- 11.00 PM - Cerimonia de abertura em Fortaleza
Sábado - 11 de Novembro de 2006
- 09.00 AM -Partida de Fortalea para Quixadá
- 01.00 PM - Voo de treino em Quixadá / Voo local
Domingo - 12 de Novembro de 2006
- 08.00 AM - Briefing geral / Inscrições
- 09.00 AM - Ínicio das descolagens
- Manga promocional
- Golo em Quixeramobim / Confraternização e almoço para os pilotos
Entre 13 e 17 de Novembro / Mangas de Competição
- 08:30 AM - Ínicio das descolagens
Sábado - 18 de Novembro de 2006
- Manga com golo declarado
- 10.00 PM
- Entrega de prémios
- 11.00 PM - Cerimónia de encerramento / Quixadá
- 11:30 PM - Partida do primeiro transporte de regresso a Fortaleza
Domingo - 19 de Novembro de 2006
- 10.00 AM - Partida para Fortaleza ou Canoa Quebrada
Visite o website do X-Ceara 2006
Saturday, October 28, 2006
O Piloto André Fleury, tem batido o recorde do mundo de voo em bi-lugar por repetidas vezes e agora fê-lo de novo no dia 25 de Outubrode 2006! Trata-se do novo recorde mundial de voo em bi-lugar ( Distância declarada de 305 Km e 315 de distância Livre). Podem ver os dados referentes ao voo no webiste do XC Ciclone seguindo este link: Recorde do Mundo de bi-lugar.
Este voo foi feito em Patu que é um local no Ceará proximo de Quixadá onde irá decorrer o XCeará 2006 dentro de cerca de 10 dias. O ano passado este evento foi ganho pelo Diogo Pires com aquele voo memorável de 381 kms (recorde Sul-Americano). Estiveram preesentes também o Mitch e o Gonçalo Velez que bateram os seus recordes pessoais por uma larga margem.
Decidi há dois dias atrás participar na edição deste ano (pois ainda havia vagas abertas) do evento e agora sinto uma mistura entre "euforia e medo profundo" pois tenho ideia de que será um desafio enorme participar num evento destes e não sei se estarei preparado para isto!
Participar no Xceará é um sonho que tenho à muitos anos e este tipo de voo é aquilo que eu mais gosto de fazer enquanto piloto de parapente. Este evento é daquele tipo de coisas que, se eu pensasse muito seriamente nunca iria participar. Agora já está! Juntei-me ao Gonçalo Velez e se tudo correr bem partimos dentro de 10 dias para esta aventura.
Criei dentro do website da AVLS, no menu das Competições uma janela onde pretendo com a ajuda do Gonçalo Velez colocar relatos regulares, fotos e pequenos videos do evento(se for possível aceder à Net no local).
Friday, October 27, 2006
Thursday, October 26, 2006
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